Nota Histórico-Artistica
Sítio
O Sítio de Alburrica-Mexilhoeiro corresponde a duas pequenas penínsulas do rio Tejo, marcada por aluviões consolidados sobre ostreiros e que se estende para além do núcleo do Barreiro, compreendendo duas praias, uma pequena duna, um areal contíguo e um antigo sapal adaptado e modelado em caldeiras das quais dependiam alguns dos engenhos de moagem mas que hoje se encontram assoreadas ou abertas, inviabilizando assim a sua função. Inclui-se, neste sítio, um conjunto de edifícios destinados à moagem de cereais - moinhos de maré e de vento. De notar que a envolvente próxima revela uma alteração profunda da paisagem resultado do crescimento urbano desordenado que caracterizou a última metade do século XX.
Relativamente ao núcleo de moinhos de vento é de destacar o Moinho Gigante, situado na ponta Sul, assim conhecido por ser maior e bastante mais alto do que os restantes, de tipologia inglesa/holandesa, com três pisos e torre troncocónica e com pás de grade de madeira encapadas a lona. Os outros dois seguem a tipologia tradicional portuguesa, com dois pisos, duas mós e torre cilíndrica, tendo todos torres fixas e coberturas móveis. No Moinho Poente existe ainda um registo votivo em azulejo dedicado a Nossa Senhora do Rosário. Estiveram em mau estado de conservação até 2006, quando a autarquia e a Administração do Porto de Lisboa iniciaram um processo de recuperação e consolidação das suas fundações, abaladas pela erosão. Apesar de já não ostentarem as antigas velas, os moinhos encontram-se atualmente relativamente bem conservados, sendo um dos principais símbolos da cidade do Barreiro.
Este sítio, além de moinhos de vento, reúne um outro tipo de engenhos moageiros, os moinhos de maré, onde se inclui o moinho de maré Braamcamp (séc. XVIII), o moinho de maré Grande (séc. XVII), o moinho de maré Pequeno do séc. XVIII recentemente alvo de uma intervenção arquitetónica com impacto muito negativo na sua estrutura original, e o moinho de maré do Cabo (séc. XV). Estes imóveis ostentam uma construção de corpos alongados e instalação de aparelhos de moagem cujos rodizios se inscreviam nos arcos que encerravam as caldeiras.
História
O Sítio de Alburrica-Mexilhoeiro, por se localizar nas margens do rio, representou um ponto estratégico entre áreas agrícolas situadas a Sul do Tejo e áreas consumptivas (urbanas) a Norte, possibilitando, assim, o transporte rápido das produções através do estuário. As características deste sítio privilegiaram a implantação de moinhos de maré (com a possibilidade de abertura de grandes caldeiras) em períodos de incremento produtivo, sobretudo durante os séculos XVII e XVIII. Já no século XIX, a abertura da zona a ventos dominantes de quadrantes específicos permitiu a construção de outro tipo de estruturas de moagem movidas a vento. De notar que este conjunto moageiro fornecia farinha para o complexo Real de Vale de Zebro, a maior unidade de produção de biscoito do País, sendo de recordar que o Barreiro teve um papel fundamental na logística da Expansão Marítima, não apenas no domínio da construção naval, mas também na confeção deste tipo de alimento destinado às tripulações.
Os moinhos eólicos aqui situados remontam ao séc. XIX e foram edificados em 1852 por José Pedro da Costa (Moinho Gigante e Moinho Nascente) e por José Francisco da Costa (Moinho Poente, erguido entre os outros dois).
O Moinho Gigante foi desativado em 1919, servindo de habitação de pescadores até 1998, quando foi adquirido pela CMB. Os moinhos Nascente e Poente foram desativados em 1950, e adquiridos pela CMB logo em 1973. Mudanças socio-económicas e tecnológicas, nomeadamente as que resultaram da revolução industrial, levaram à rutura do sistema baseado no aproveitamento da força do vento e da energia das marés e ao consequente abandono dos moinhos.
Maria Ramalho/DGPC/2019.
Diploma de Classificação
Em 11-08-2021 foi dado conhecimento do despacho à requerente e à CM do Barreiro, enviando a esta última cópia do processo para a ponderação de uma classificação como de IM
Despacho de 29-07-2021 do diretor-geral da DGPC a determinar o arquivamento do pedido de abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Requerimento de 14-06-2021 da ABPMF para a classificação de âmbito nacional para o espaço de Alburrica e toda a zona de Coina
Aviso n.º 8203/2017, DR, 2.ª série, n.º 141, de 24-07-2017 (ver Aviso)
Deliberação de 6-07-2017 da CM do Barreiro a aprovar a decisão final do procedimento de classificação como SIM do Sítio de Alburrica e do Mexilhoeiro e seu Património Moageiro, Ambiental e Paisagístico
Aviso n.º 2964/2017, DR, 2.ª série, n.º 57, de 21-03-2017 (ver Aviso)
Deliberação N.º 45/2017 de 1-02-2017 da CM do Barreiro a anular a deliberação N.º 245 de 29-07-2015 e a determinar a abertura do procedimento de classificação como SIM do Sítio de Alburrica e mexilhoeiro e o seu património moageiro, ambiental e paisagístico
Aviso n.º 9707/2015, DR, 2.ª série, n.º 167, de 27-08-2015 (ver Aviso)
Deliberação N.º 245 de 29-07-2015 da CM do Barreiro a determinar a abertura do procedimento de classificação do Moinho de Maré Pequeno e dos Moinhos de Vento de Alburrica como CIM
Em 4-10-2013 foi dado conhecimento do despacho à CM do Barreiro
Despacho de concordância de 12-06-2013 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 11-06-2013 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC no sentido de propor à CM do Barreiro a classificação do Sítio da Alburrica, incluindo os moinhos, como SIM
Pedido de parecer de 3-12-2012 da CM do Barreiro sobre a classificação dos três moinhos eólicos de Alburrica como de IM
Em 27-03-2012 foi dado conhecimento do despacho à CM do Barreiro
Despacho de arquivamento de 22-03-2012 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 20-03-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para o arquivamento do procedimento de classificação do Sítio de Alburrica e seus moinhos, e envio do processo à CM do Barreiro para a ponderação da classificação como de IM, por não ter valor nacional
Processo iniciado em 2008 na DRC de Lisboa e Vale do Tejo, após pedido de apoio da CM do Barreiro para a classificação do Sítio da Alburrica e seus moinhos
Número do Processo
Não disponível