Nota Histórico-Artistica
O tholos ( monumento funerário de falsa cúpula) da Nora Velha faz parte do parque arqueológico do Castro da Cola, constituído por diversos monumentos megalíticos, povoados calcolíticos e necrópoles das Idades do Bronze e do Ferro. O Castro da Cola ocupa a crista de um monte, junto da Ribeira do Marchicão e do Rio Mira, e o parque arqueológico desenvolve-se numa larga área que integra 23 estações datáveis do Neolítico à Idade Média, entre as quais se destaca este tholos, o povoado calcolítico do Cortadouro, os monumentos megalíticos Fernão Vaz I e II e as necrópoles do Porto de Lages, da Idade do Bronze, e da Vaga da Cascalheira, Pego da Sobreira e Fernão Vaz, da Idade do Ferro.
Construído no período Calcolítico, entre finais do 3.º milénio e inícios do 2.º milénio a.C., o tholos destinava-se a enterramentos colectivos e foi reutilizado em épocas posteriores, provavelmente no Bronze Final. É composto por câmara circular e curto corredor coberto, rodeadas por couraça lítica (mamoa). As lajes que delimitaram o espaço da câmara encontram-se colocadas na vertical. A entrada é demarcada por um esteio de grandes dimensões, decorado na face interna com figuras geométricas insculturadas e na face voltada para o corredor com 23 covinhas. A pedra de fecho da câmara exibe um par de figuras antropomórficas gravadas, correspondendo a um reportório bem conhecido na arte do Vale do Tejo e na arte esquemática das pinturas em abrigos do Ocidente e do Sul da Península Ibérica, ou ainda da arte megalítica da região de Viseu. Os antropomorfos em "pares divinos" podem traduzir a presença de casais genesíacos, representar hierogamias ou casamentos sagrados, ou ainda gémeos primordiais e protectores, participando de uma iconografia muito conhecida no Neolítico e no Calcolítico do Leste Europeu, da Anatólia e do Próximo Oriente (cfr. Mário Varela GOMES, 2004).
O corredor e a câmara sepulcral foram escavados por Abel Viana em meados do século XX, mas a couraça só foi detectada na sondagem arqueológica de 1995. Abel Viana encontrou materiais do Calcolítico, nomeadamente vasos cerâmicos, um machado e uma enxó em pedra polida, pontos de seta, lâminas em sílex e contas em xisto e calaíte. Foram também escavados elementos que V. Leisner (1965) datou dos séculos IX-VIII a.C., caracterizadores de uma utilização eventualmente funerária do espaço no final da Idade do Bronze. Entre estes contavam-se fragmentos de cerâmica pintada à mão, duas urnas cinerárias, contas de colar em ouro e âmbar e um fragmento de caldeiro em bronze. Uma outra escavação, efectuada em 1991, permitiu identificar em torno do monumento um conjunto de cinco depósitos funerários singelamente escavados na rocha que faziam parte de uma necrópole de incineração em funcionamento desde finais da I Idade do Ferro e durante um período indeterminado da II Idade do Ferro.
Sílvia Leite / DGPC, 2012
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 217/2013, DR, 2.ª série, n.º 115, de 18-06-2013 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 9-07-2012 do diretor-geral da DGPC
Proposta de abertura de 2-07-2012 da DRCAlentejo
Número do Processo
Não disponível