A necrópole da Vaga da Cascalheira faz parte do parque arqueológico do Castro da Cola, constituído por diversos monumentos megalíticos, povoados calcolíticos e necrópoles das Idades do Bronze e do Ferro. O Castro da Cola ocupa a crista de um monte, junto da Ribeira do Marchicão e do Rio Mira, e o parque arqueológico desenvolve-se numa larga área que integra 23 estações datáveis do Neolítico à Idade Média, entre as quais se destacam, para além da necrópole da Vaga da Cascalheira, o tholos da Nora Velha, o povoado calcolítico do Cortadouro, os monumentos megalíticos Fernão Vaz I e II e as necrópoles do Porto de Lages, da Idade do Bronze, e do Pego da Sobreira e de Fernão Vaz, da Idade do Ferro.
A necrópole situa-se nas imediações do habitat do mesmo nome, numa vertente de acentuado declive, e a uma cota ligeiramente superior deste núcleo habitacional. Dista cerca de oitocentos metros da necrópole de Fernão Vaz, com datação idêntica. Ocupa uma área total de 49m2, pela qual se distrubuem pequenas câmaras sepulcrais rectangulares enquadradas por tumulus ou mamoa quadrangular construída com pequenos blocos de xisto. As valas para a implantação das sepulturas foram escavadas no solo arenoso, e posteriormente enquadradas por lajes de xisto dispostas verticalmente em duas ou três fiadas fixas com terra ou adobe. São ainda visíveis, à superfície, restos de muros de pedra solta.
O agrupamento de sepulturas pertencerá ao terceiro momento do faseamento das necrópoles de Ourique, proposto por Virgílio Hipólito Correia (1993), cronologicamente situado entre a segunda metade do século VII e o século VI a.C., e caracterizado por monumentos quadrangulares cobrindo fossas sepulcrais (Ana Margarida ARRUDA, 2001).
Quanto ao vizinho habitat, e embora a vizinhança de uma corta mineira pareça confirmar que nele se praticava a exploração de minério, deve ter-se em conta que tanto os solos como a proximidade do rio permitiam a agricultura, e esta última obriga a considerar também a actividade piscatória. A zona montanhosa, a distância relativamente curta, podia ainda ser aproveitada para o pastoreio.
A Vaga da Cascalheira tem difícil acesso, pelo que se encontra apenas parcialmente escavada; apenas duas das suas dez sepulturas foram já objecto de intervenção arqueológica. O espólio revelado consta de matérias líticos e cerâmicas.
Sílvia Leite / DGPC - 2012
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 239/2013, DR, 2.ª série, n.º 125, de 2-07-2013 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 9-07-2012 do diretor-geral da DGPC
Proposta de abertura de 2-07-2012 da DRCAlentejo
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Em Vias de Classificação
Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)
ZEP
Proposta de 2-07-2012 da DRCAlentejo
Afectação
9914630
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Beja / Ourique / Ourique
- -
Courela da Várzea da Ribeira -
Polícia:
LATITUDE
37.563933
LONGITUDE
-8.279803
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1993
1993), cronologicamente situado entre a segunda metade do século VII e o século VI a.C., e caracterizado por monument...
2001
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Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
"A Idade do Ferro pós-orientalizante no Baixo Alentejo", in Revista Portuguesa de Arqueologia, volume 4, número 2, 2001