Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Palacete de Santa Sofia, construção de finais do século XIX (1896), é um projeto do Arquiteto José Luís Monteiro (1848-1942). Exemplar romântico, com apontamentos de inspiração mourisca, o palacete está implantado num plano elevado à Rua Sacadura Cabral e à Estrada da Costa, na então designada Quinta da Bela Vista.
O palacete resultou de um projeto de adaptação de uma preexistência, a qual o arquiteto transformou num novo volume de fachadas equilibradas, a que acrescentou no exterior alguma gramática decorativa de influência mourisca - os frisos de azulejo junto dos vãos de janelas, diversos elementos em ferro com arcos e rendilhados, e pequenas cúpulas bulbosas de cariz neoárabe que rematam os cunhais. Surgem como fachadas autónomas, sem correspondência com a decoração do espaço interior, mas com uma certa originalidade, que lhe confere um carácter peculiar.
Na composição dos alçados e no tratamento das fachadas, o arquiteto fez uso, duma série de componentes construtivos em que o dimensionamento dos vãos, o balanço e o remate das coberturas sobre os panos da fachada, o tratamento das cornijas e platibandas, e a seleção dos materiais de construção se destacam, conferindo personalidade e expressão próprias ao palacete.
O palacete desenvolve-se em dois pisos e um terceiro em água-furtada. Um conjunto de elementos arquitetónicos assinalam a intenção da relação de olhar sobre o horizonte marítimo, como sejam os vãos de janelas e as varandas orientados para o mar. Exibe toda a sua monumentalidade em três frentes, duas delas orientadas para o horizonte marítimo, enquanto o alçado posterior, sem grandes gestos de arquitetura, se articula com o jardim com o seu traçado replicando parte da cerca do Convento de Cristo em Tomar.
O alçado principal, apresenta ao centro alpendre e varanda, em que se destacam as decorações em ferro de estilização mourisca, formando uma cobertura com três arcos (destaca-se por entre os motivos de cariz vegetalista, o monograma "CT" - Conde de Tomar).
A fachada lateral poente é rasgada por quatro vãos de janela em ambos os pisos. No piso superior observam-se, ao centro, duas janelas de sacada encimadas por frisos de azulejo de padrão de cariz vegetalista, as quais permitem aceder à varanda.
Uma grande latada coberta por trepadeira, percorre toda a área da cerca à direita do jardim, terminando junto à casa de fresco ornada por fonte com um tritão, revestida por conchas e seixos. Ao centro, axialmente à casa, parte uma grande "alameda", ladeada por buxos e pequenas árvores que percorre todo o jardim.
Relativamente ao seu espaço interior "dividido" em três corpos, sem grande elevação ou fausto decorativo, destacam-se no piso térreo, como principais espaços de aparato, de distribuição e circulação interna, o vestíbulo, a escadaria, os salões e a capela. O vestíbulo dá acesso à escadaria que conduz ao piso nobre. Este primeiro piso encontra-se dividido por diversas salas, intercomunicantes, que ladeiam o corpo das escadas.
História
A Quinta da Bela Vista, pertenceu ao Conselheiro Bartolomeu dos Mártires Dias e Sousa, pai de Sofia Dias e Sousa que casou com o 2.º Conde de Tomar, António Bernardo da Costa Cabral.
O Palacete (1896) passou para a família Costa Macedo, por casamento de duas filhas do 2.º Conde de Tomar, primeiro da sua filha Maria Dias e Sousa da Costa Cabral com António Maria da Costa Macedo, em 1898, e, na sequência da morte desta, por casamento deste com a irmã gémea da sua anterior esposa, Luísa Dias e Sousa da Costa Cabral, em 1919.
Quanto aos terrenos da Quinta de Santa Sofia, uma parte importante foi loteada nos anos 70, para construção de prédios e moradias nas três ruas envolventes (Bento de Jesus Caraça, Sociedade Cruz Quebradense e Calçada do Conde de Tomar). Dos terrenos originais ficou cerca de 1 hectare, onde se situam o palacete, e os jardins.
Paulo Martins
DGPC, 2017.
Diploma de Classificação
Portaria n.º 626/2024/2, DR, 2.ª série, n.º 153, de 8-08-2024 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 22-07-2024 do presidente do Património Cultural, I.P.
Anúncio n.º 95/2024, DR, 2.ª série, n.º 87, de 6-05-2024 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 26-01-2023 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 26-10-2022 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura para a classificação como MIP
Proposta de 21-04-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP do Palacete de Santa Sofia, incluindo o jardim e o património móvel integrado
Anúncio n.º 13394/2012, DR, 2.ª série, n.º 175, de 10-09-2012 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 21-08-2012 da subdiretora-geral da DGPC
Nova proposta de abertura de 19-07-2012 da DRC de LVTejo com a designação de Palacete e Jardim de Santa Sofia
Proposta de abertura de 13-04-2010 da DRC de LVTejo
Requerimento de classificação de 3-12-2009, de vários particulares
Número do Processo
Não disponível