Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Edificado no centro da vila de Sernancelhe, o Solar dos Carvalhos é uma imponente habitação barroca de planta retangular irregular, que se adapta à topografia do arruamento onde se implanta.
A fachada principal, virada à Praça da República, apresenta uma elegante composição de gosto barroco, representativa da arquitetura solarenga setecentista do nordeste da Beira Alta e da região do Douro Sul. Dividido em dois registos, este corpo principal integra a capela privativa da casa. O frontispício é marcado pela abertura regular das janelas, de moldura de granito em arco rebaixado, em ambos os pisos.
No andar térreo, estas são intercaladas por três portas: à esquerda a da entrada de serviço, mais baixa e de cercadura quadrangular; ao centro o portal da capela, com moldura recortada ladeada por florões estilizados e encimada por frontão de volutas interrompido por florão, encimado por óculo polilobado; à direita, a porta de acesso ao interior da habitação, coroado pelo brasão de armas de Manuel Correia de Carvalho, mecenas da obra de edificação do solar. Esta última porta dá acesso a um átrio com escadaria e patamar, que permite o acesso ao andar nobre da residência.
No interior da capela privativa pode encontrar-se um retábulo de talha dourada, bem como uma pintura, atribuível a Pascoal Parente, pintor italiano que laborou na região de Coimbra na segunda metade do século XVIII.
A casa integra, ainda, alguns anexos agrícolas, organizados em torno de um extenso logradouro tardoz.
História
O Solar dos Carvalhos foi edificado na segunda metade do século XVIII por Manuel António Correia de Carvalho, bacharel, comissário do Santo Ofício e abade colado na igreja de São Miguel de Coura, cuja pedra de armas, recebida por carta datada de Março de 1752, adorna o portal principal.
Apesar do seu carácter rural, a casa anuncia um cuidado modelo de gosto barroco, apresentando-se como uma das mais imponentes habitações setecentistas de Sernancelhe.
O Solar dos Carvalhos foi classificado como de interesse público em 2016.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
Portaria n.º 162/2016, DR, 2.ª série, n.º 103, de 30-05-2016 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 5-01-2016 do diretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 219/2015, DR, 2.ª série, n.º 184, de 21-09-2015 (ver Anúncio)
Despacho de concordãncia de 24-8-2015 do diretor-geral da DGPC
Parecer favorável de 8-07-2015 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 4-11-2014 da DRC do Norte para a classificação como MIP
Anúncio n.º 108/2014, DR, 2.ª série, n.º 88, de 8-05-2014 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 8-04-2014 do diretor-geral da DGPC
Nova proposta de 2-04-2014 da DRC do Norte
Despacho de 31-07-2013 da diretora-geral da DGPC a devolver o processo à DRC do Norte, solicitando elementos adicionais, designadamente de análise comparativa com outros edifícios classificados
Proposta de 22-07-2013 da DRC do Norte para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de classificação de 28-12-2012 da APCA, de acordo com o proprietário
Número do Processo
Não disponível