Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O palácio, enquadrado por dependências agrícolas, enfrenta a nascente o Largo do Jogo da Bola, numa relação de estreita cumplicidade que os valoriza mutuamente. A sua longa fachada de cinco tramos, três portais e dois pisos, apresenta um desenho sóbrio e ritmado que termina, a um e outro lado, com dois tramos idênticos, estruturados com portal e janela unidos por cantaria. Este fácies, que resulta da campanha de obras de 1957 - com risco do arquiteto Vasco Regaleira -, face ao violento incêndio ali ocorrido, procurou uniformizar a fachada, dando-lhe maior simetria, logo maior compacidade, gravidade e altivez. Daqui a supressão do frontão triangular da capela, como forma de unificar a cobertura. Daqui a alteração da cor, com substituição do velho rosa pelo vermelho "sangue de boi", de modo a acentuar o contraste cromático com as pilastras brancas, agora pretensiosamente encimadas por pináculos. Daqui, ainda, o reposicionar de alguns vãos, para o acerto da história.
Na fachada posterior, destaca-se a interessante e original escadaria barroca de dois tramos circulares que articula, a eixo, o piso nobre com o jardim formal em buxo, que se organiza em redor de um pequeno tanque circular disposto em posição central, formalizando um eixo de cariz barroco que se inicia no portal principal do palácio e cruza o átrio de entrada, a escadaria barroca e o jardim, até atingir a alameda da mata que remata o conjunto a poente.
Ao nível do interior, o espaço estrutura-se a partir do átrio de entrada (a antiga 'Sala Grande'), do qual se acede às duas alas térreas, ao jardim e à escadaria interior que, em dois lanços, permite o acesso ao piso nobre e suas salas de maior aparato. No piso térreo, interessa ainda destacar a ampla cozinha, e a nível decorativo os silhares de azulejo que revestem os principais espaços. História
Esta propriedade pertence ao conjunto Carnide - Luz, sítio muito antigo que se notabilizou por ser importante ponto de passagem (estrada de Lisboa para Belas), pelas apetências agrícolas e pastorícias e pela planura dos terrenos, abundância de água e "bons ares" que propiciaram, desde cedo, a nobilitação do lugar, com a aquisição de várias propriedades por parte da Igreja, da nobreza e mesmo da própria Casa Real.
A Quinta dos Condes de Carnide que hoje existe é apenas uma pequena parte da propriedade original cujos terrenos, na segunda metade do século XVIII, se estendiam para poente até à Quinta do Bom Nome, para sul até à Quinta da Granja de Baixo e para nascente até à Azinhaga da Fonte. A sua antiguidade e importância são aferíveis pela diversificada toponímia que a história lhe regista: Quinta de Vale Verde, Quinta do Conde Redondo, Quinta do Malvar, Quinta Grande, Quinta de José Francisco da Cruz, Quinta de Carnide, Palácio dos Condes de Carnide e Palácio da Condessa de Carnide.
As primitivas casas datam de finais do século XVII, sofrendo profundas obras de alteração no terceiro quartel do século XVIII, por iniciativa do seu proprietário à época, o cónego António José da Cruz, que lhe imprimiram uma imagem de palácio sóbrio e austero, ao gosto pombalino. Posteriormente, na segunda metade do século XIX, o 1.º visconde de Carnide, Dr. José Street de Arriaga e Cunha, acrescentou um andar na metade poente do palácio e reformulou o seu interior, tendo em vista acomodar, em permanência, a sua família. A arquitetura atual do palácio resulta de obras de 1957, em que se supõe ter sido recuperada a estrutura setecentista, com o altear da cobertura a tardoz, para acomodar programa, face à demolição do 2.º piso acrescentado no século XIX.
Paulo Duarte
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
Portaria n.º 657/2022, DR, 2.ª série, n.º 168, de 31-08-2022 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 13-07-2022 da subdiretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 71/2022, DR, 2.ª série, n.º 71, de 11-04-2022 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 7-03-2022 do diretor-geral da DGPC
Proposta favorável de 15-12-2021 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 27-03-2019 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP da Quinta dos Condes de Carnide, incluindo o palácio, o jardim, a mata, as dependências agrícolas e o respetivo património móvel integrado
Anúncio n.º 73/2017, DR, 2.ª série, n.º 99, de 23-05-2017 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 20-12-2016 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 22-11-2016 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura do procedimento de classificação da Quinta dos Condes de Carnide, incluindo o palácio, as dependências agrícolas, o jardim e a mata
Requerimento de classificação de 10-01-2013 do proprietário, que deu entrada em 18-01-2013
Proposta de 11-10-2012 do proprietário para a classificação do Palácio dos Condes de Carnide
Número do Processo
Não disponível