Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Conjunto composto por casa e jardim quadrangular a norte, apresenta um traçado geométrico definido por buxos em torno de um tanque central, implantado dentro do complexo do Colégio Militar. O edifício, com planta poligonal formada por dois retângulos justapostos, apresenta três pisos na fachada virada à Azinhaga da Fonte com janelas de sacada, e dois nas restantes, com janelas de peitoril, em reboco pintado, é rematado por cornija, com coberturas efetuadas por telhado a quatro águas, está em muito mau estado de conservação. Apresenta alçado principal a nascente vazado no primeiro piso, por porta de acesso de verga reta com emolduramento de cantaria à qual se acede por escadaria, sendo ritmado por janelas de peito nos dois pisos.
No interior da casa tem como motivo de interesse decorativo os rodapés de azulejos decorativos com motivos florais sobre marmoreado, produzidos em Lisboa no terceiro quartel do século XVIII, de pintura a azul sobre branco, constituindo uma barra contínua sobre azulejos de rodapé, também "marmoreados", pintados a manganês e azul sobre branco.
A fachada norte da casa, acessível através de um túnel em arco de volta perfeita que atravessa o piso térreo, deita para um jardim de buxo que antecedia a área agrícola, hoje desaparecida. O jardim é circundado por um murete forrado com painéis de azulejos, com grande interesse patrimonial, de gosto rocaille, produzidos em Lisboa no século XVIII, com cenas centrais de pintura a azul sobre branco e molduras a manganês e ocre. Representando cenas mitológicas, virtudes, troféus militares, jogos e animais, encontram-se aplicados em muretes, alegretes e bancos que circundam o jardim.
Constituem um programa iconográfico, certamente pensado para um espaço deste tipo, de grande coerência pictórica e formal e onde se evidencia representações das "Quatro Estações" e dos " Quatro Elementos". Alguns espaços encontram-se revestidos com azulejos de padrão "pombalinos", em boa parte substituídos por réplicas, denotando uma intervenção relativamente recente.
Para além do interesse do conjunto, é possível destacar pormenores de algum requinte, como a presença de figurações de diferentes animais, debaixo de cada um dos bancos, em pintura a azul com fundo marmoreado, ou da fonte contida em nicho, em plano mais baixo, da qual a água brotava através de um orifício num mascarão em azulejo, de cuja boca sai também um fio de água simulado.
História
Testemunho de arquitetura residencial e agrícola, oitocentista, a quinta de produção agrícola e com casa senhorial foi fundada em 1742, de acordo com a data inscrita no painel de azulejos com a figura de Santo António com o Menino, colocado sobre o portão de acesso.
Estamos aqui em presença de um exemplar significativo da aplicação de azulejos em espaços de recreio, na segunda metade do século XVIII.
A quinta fazia parte do conjunto de casas de habitação e quintas de dimensões variadas desenvolvendo-se ao longo da antiga Azinhaga da Fonte, um dos principais itinerários de acesso a Carnide até à construção da Avenida do Colégio Militar, e junto à qual corria uma pequena ribeira que desembocava na Ribeira de Alcântara.
O processo de abandono da Quinta de Santo António ou dos Belgas decorreu durante o século XX, a par da intensa urbanização da zona.
Encontra-se atualmente integrada no recinto do Colégio Militar.
Paulo Martins/DGPC, 2018
Diploma de Classificação
Proposta de 5-01-2018 da UCC da DGPC para o arquivamento do procedimento de classificação
Em 10-10-2017 o MN do Azulejo enviou o parecer
Em 22-05-2017 foi solicitado ao MN do Azulejo um parecer sobre o valor patrimonial dos azulejos existentes no imóvel
Anúncio n.º 92/2013, DR, 2.ª série, n.º 45, de 5-03-2013 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 24-10-2012 do diretor-geral da DGPC
Parecer favorável de 22-10-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de abertura de 18-10-2012 da DRCLVT
Número do Processo
Não disponível