Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Convento da Franqueira, incorporando a respetiva igreja, situa-se na freguesia de Pereira, em Barcelos. Localizado no lugar do Senhor da Fonte da Vida, o antigo cenóbio franciscano, também conhecido como Convento dos Frades, foi fundado no início do século XVI, tendo a construção do complexo sido iniciada cerca de 60 anos depois da fundação. O atual edifício data do início do século XVIII.
O espaço do convento dispõe-se em planta quadrangular, em torno do claustro central, com espaços ajardinados. A igreja, dedicada ao Senhor da Fonte da Vida, desenvolve-se numa planimetria retangular composta pelos volumes da nave e da capela-mor, à qual se adossam exteriormente, do lado direito, as dependências conventuais, que formam um U.
A fachada do templo, de gosto barroco, está demarcada por dois corpos distintos, que se separam por pilastras que emolduram os cunhais do frontispício. O principal, dividido em três registos, apresenta no piso térreo nártex com arcos alteados de volta perfeita, em granito, no interior do qual se rasga o pórtico da igreja; no registo intermédio abre-se, ao centro, uma janela de moldura recortada, ladeada por dois nichos com duas grandes esculturas de vulto representando São Francisco e Santo António. Acima destes estende-se um friso de granito a todo o comprimento do pano murário, sobre o qual se ergue o frontão contracurvado com pináculos e cruz cimeira que remata a fachada, com nicho central exibindo a imagem de Cristo crucificado e o escudo real.
O interior da igreja é um espaço de nave única, com um programa decorativo de gosto barroco. Possui coro-alto, púlpito e dois altares laterais dourados e policromados, cujas linhas formais indicam terem sido feitos na mesma campanha. Na capela-mor ergue-se um grande retábulo com trono central, de talha polícroma, que ocupa toda a parede testeira.
No exterior, o espaço do claustro divide-se entre o piso térreo, com arcadas de volta perfeita, e o piso superior, marcado pela abertura de janelas de sacada. Ao centro ergue-se um chafariz de tanque circular.
Junto à portaria do convento foi erguida uma fonte com a imagem de Cristo crucificado, aludindo ao orago da igreja, Senhor da Fonte da Vida.
O espaço do convento está atualmente adaptado a turismo de habitação, enquanto a igreja está adstrita ao culto.
História
O Convento da Franqueira, pertencente à Província da Soledade da Ordem Franciscana, foi fundado em 1505 por Dom Jaime I, 4.º Duque de Bragança. O cenóbio nasceu da doação que o duque fez da Ermida do Bom Jesus da Franqueira, fundada em 1429 por Vicente Pobre e Catarina Afonso, moradores no Porto, e ocupada em finais do século XV por Padres Claustrais.
Durante cerca de seis décadas depois da fundação, os Franciscanos habitaram a ermida e as casas que existiam em torno, e somente em 1563, D. Henrique de Sousa, comendatário do Mosteiro de Rendufe, mandou iniciar a obra de construção do complexo cenobial. Não se sabe quando terminou esta primeira campanha de obras, da qual pouco resta, uma vez que entre 1678 e 1708 o convento foi reformado e ampliado, datando dessa data um novo dormitório e a igreja, de traça barroca.
Depois da extinção das ordens religiosas, em 1834, o espaço do convento passou para propriedade privada, tendo parte dos terrenos agrícolas da cerca sido vendidos até meados do século XX. Em 1965, a família Gallie, de origem inglesa, adquiriu a cerca conventual, recuperando o espaço, que se encontrava então muito degradado. Mais tarde, em 1988 adaptaram o espaço a turismo de habitação. A Igreja do Senhor da Fonte da Vida é propriedade da paróquia de Pereira, mantendo-se aberta ao culto.
A Igreja e Convento da Franqueira está em vias de classificação desde 2016.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
Portaria n.º 152/2019, DR, 2.ª série, n.º 35, de 19-02-2019 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 23-08-2018 do subdiretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 82/2018, DR, 2.ª série, n.º 106, de 4-06-2018 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 4-04-2018 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 21-02-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 14-11-2016 da DRC do Norte para a classificação como MIP
Anúncio n.º 94/2014, DR, 2.ª série, n.º 76, de 17-04-2014 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 5-12-2013 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 2-12-2013 da DRC do Norte para a abertura de procedimento de classificação