Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O núcleo edificado da Agolada de Cima localiza-se a Norte da vila de Coruche, próximo da Estrada Nacional nº 114, integrando-se numa herdade com o mesmo nome. Este conjunto integra a casa de habitação dos proprietários, alguns dos edifícios onde moravam os trabalhadores, a igreja, a cavalariça, a adega entre outros imóveis de apoio à atividade agrícola e florestal da herdade.
A casa principal corresponde a um edifício de planta retangular de dois pisos e cobertura de quatro águas, sendo que no topo Sul surge um corpo com três pisos e varandim ao qual se acede por uma escadaria. O imóvel destaca-se pela sua grande dimensão e distribuição de volumes horizontais e pelo seu estilo apalaçado de inspiração pombalina. Apesar de ter sido construído, segundo se sabe, nos inícios do século XX, terá sofrido, ao longo dos tempos diversas alterações.
A capela situa-se junto ao edifício principal, correspondendo a um pequeno edifício de planta retangular onde se destaca, junto à fachada principal, um alpendre formado por colunas. O alçado principal, onde se abre um portal e duas janelas quadrangulares apresenta uma empena triangular rematada por cruzeiro e pilastras coroadas por pináculos.
No geral este conjunto representa um bom exemplo do que eram as construções típicas de uma grande herdade ribatejana até pelo menos ao terceiro quartel do século XX, onde o programa arquitetónico se encontrava intrinsecamente ligado à estratificação social e ao tipo de atividade desenvolvida.
História
Correspondendo a uma das maiores propriedades ribatejanas, o Monte da Agolada possuía, antes de 1961, altura em que foi dividido em duas parcelas, a uma herdade de 5.500 hectares.
A herdade pertence à família Sommer de Mello com origens na Westfália - Alemanha. A proveniência desta família remonta a Henrique Francisco Luis von Sommer que veio para Portugal para integrar o exército liberal.
Em 1908 a propriedade sofreu uma grande alteração ao se iniciar nos seus terrenos a plantação de eucaliptos, espécie que se destinava, sobretudo, à produção de papel e de óleo. Apesar disso, e tendo em conta a dimensão do terreno, na propriedade era também extraída cortiça, fabricado carvão, para além da produção de gado.
Refira-se ainda que, no início do século XX, a propriedade chegou a ser aproveitada para a recuperação de doentes atingidos pela malária.
Tratando-se de uma propriedade de tão grandes dimensões era necessária a participação de muitos trabalhadores que aqui se fixavam com as suas famílias (número que chegou a atingir as 1500 pessoas). Tratava-se de uma comunidade bastante autónoma existindo na herdade vários estabelecimentos como uma escola destinada aos filhos dos trabalhadores, uma loja denominada "Loja do Monte" onde eram feitas compras de diversos produtos, para além de uma capela onde, aos domingos, se celebrava missa.
A estrutura hierárquica era rígida figurando à cabeça o proprietário, logo seguido do feitor e do capataz. Nos meses de julho e agosto os filhos dos trabalhadores eram colocados em colónias de férias situadas na Nazaré e em São Martinho do Porto
Atualmente a herdade, para além de manter a sua atividade ligada a agricultura e pecuária, é utilizada como estabelecimento hoteleiro, sobretudo vocacionado para a caça turística.
Maria Ramalho, com base no processo de classificação (C.S.96147) da DGPC/2016
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 51/2015, DR, 2.ª série, n.º 56, de 20-03-2015 (ver Anúncio)
Deliberação de 11-02-2015 da CM de Coruche a aprovar a decisão final de classificação como CIM
Despacho de 30-09-2014 do diretor-geral da DGPC a determinar o arquivamento do procedimento de âmbito nacional
Pedido de parecer da CM de 24-07-2014 sobre a classificação como CIM
Aviso n.º 8218/2013, DR, 2.ª série, n.º 121 de 26-06-2013 (ver Aviso)
Deliberação de 5-06-2013 da CM de Coruche.a determinar a abertura do procedimento de classificação como CIM
Número do Processo
Não disponível