Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado a Norte da Igreja Matriz e do Castelo de Idanha-a-Nova, o Solar dos Marqueses da Graciosa implanta-se numa das praças mais importantes da vila, com raízes quinhentistas ocupando neste espaço uma posição de relevo tanto pela sua dimensão, como pelo tipo de arquitetura que ostenta.
Defronte à fachada principal observa-se um pequeno adro calcetado que se prolonga a toda a largura do imóvel sendo sustentado por um forte paredão que, no topo, é ornamentado por pináculos piramidais assentes em plintos, demarcando assim as entradas laterais e a escadaria de acesso.
Segundo alguns autores este imóvel poderia ter origens no século XV (CRESPO, p. 50 e 51), correspondendo, numa primeira fase, ao espaço da torre de três pisos em alvenaria de pedra à vista com merlões no topo. Esta estrutura, que marca o centro da fachada principal, corresponde também ao local da entrada principal. No entanto, analisando bem o aparelho construtivo da torre, observa-se que os silhares continuam para lá dos cunhais, ligando-se aos corpos laterais. Outro aspeto interessante é permanência dos agulheiros que marcam o nível dos andaimes que foram utilizados na construção.
O espaço de entrada no solar, fronteiro à escadaria, é marcado pela presença de quatro colunas lisas de pedra que sustentam a varanda de granito com balaustrada do primeiro piso, observando-se, também, um gradeamento em ferro forjado. A porta principal, ladeada por duas janelas de guilhotina, não apresenta nenhum elemento decorativo, possuindo apenas uma moldura lisa de pedra.
Além do torreão central, o edifício é composto por dois corpos assimétricos mais baixos subdivididos em três panos do lado Sul e dois do lado Norte. Estes corpos, por sua vez, surgem bem marcados por pilastras de aparelho isódomo. As coberturas são diferenciadas em telhados de três, e quatro águas, surgindo as fachadas rebocadas e pintadas a branco rematadas por cornija sob beiral saliente.
Os vãos são distintos conforme os pisos, com janelas de sacada com moldura lisa de granito e um pequeno ornamento na verga em forma de concha invertida no primeiro piso, sendo que, no piso térreo, as janelas são, na sua maioria, de guilhotina.
No cunhal Norte da fachada principal surge o brasão da família em pedra mármore.
A fachada posterior do Solar, antiga área de serviço, corresponde à atual entrada principal com passagem para um pátio interior e restante propriedade. O acesso é feito atravessando um portão rematado por fogaréus surgindo, no portal de entrada, um frontão com enrolamentos sobre o qual se abre um óculo, igualmente rematado por pequeno frontão ondulado. Junto a esta entrada observa-se uma lápide em latim datada de 1611.
No interior do solar, no átrio da antiga entrada principal virada à rua, existe uma escadaria dupla com varandim de acesso ao piso superior. É igualmente neste espaço que se estabelece a comunicação com a antiga cozinha que, por sua vez, se encontra ligada ao piso nobre através de uma escada de caracol. Ao nível do piso nobre é de destacar, pelo valor patrimonial que detêm, os tetos de caixotões e os lambris de azulejos dos séculos XVII a XIX.
A capela, de reduzidas dimensões, possuiu uma entrada lateral ligada ao exterior, destacando-se o seu teto piramidal, as balaustradas de madeira e o retábulo igualmente em madeira onde, ao centro, surge uma pintura da Virgem com o Menino.
História
Segundo a inscrição já referida, terá sido em 1458 que, Afonso Giraldes, fidalgo e vassalo de D. Afonso V instituiu o morgadio, iniciando-se, então, a construção do primeiro edifício (GUERRA, p. 157). Em 1611, ainda segundo o registo da lápide, Domingos Marques Giraldes irá proceder a grandes remodelações no imóvel conferindo-lhe a feição que ainda hoje apresenta. De notar que este notável exemplar da arquitetura de Idanha permanece, desde há mais de cinco séculos, na posse da mesma família.
Maria Ramalho/DGPC/2018.
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 107/2014, DR, 2.ª série, n.º 88, de 8-05-2014 (ver Anúncio)
Despacho de 9-04-2014 do Secretário de Estado da Cultura a aprovar a abertura de novo procedimento da classificação
Parecer favorável de 26-09-2013 da DGPC
Proposta de 12-07-2013 da DRC do Centro para abertura de novo procedimento de classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)Despacho de abertura de 1-06-2006 da vice-presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 21-05-2004 da DRde Castelo Branco
Proposta de classificação de 30-04-2002, do proprietário