Nota Histórico-Artistica
Através das Visitações realizadas pela Ordem de Cristo, é possível acompanhar a história da igreja matriz de Proença-a-Velha, dedicada a Nossa Senhora, desde os seus primórdios, ou seja, finais do século XIV. Assim, sabemos que em 1505, data da primeira Visitação conhecida, o templo era de alvenaria rebocada, com porta principal de arquivoltas e campanário afastado. Destacava-se o conjunto escultórico, de cariz tardo-gótico, formado por diversas imagens da época: no altar-mor figurava Nossa Senhora "já velha", no arco cruzeiro o Senhor Crucificado, Nossa Senhora e São João, ou seja, uma representação do Calvário que, de acordo com os visitadores, foi pintado de novo (HORMIGO, 1981, p. 22). Actualmente, encontra-se no Museu paroquial.
Existiam ainda outras imagens, e também pinturas, que decoravam os altares e capelas do corpo da igreja, bem como pinturas murais a fresco representando São Tiago, o Espírito Santo e São Cristóvão (HORMIGO, 1981, p. 22).
Cerca de 30 anos depois, os visitadores notavam que o cruzeiro era muito baixo, ordenando por isso que se levantasse. Referiam-se também novas pinturas e a um retábulo na capela-mor exibindo ao centro, a Anunciação, ladeada pelos painéis de São Pedro e de São João Baptista (HORMIGO, 1981, p. 23).
Todavia, a igreja que hoje conhecemos é fruto da campanha barroca ocorrida na segunda metade do século XVIII, conforme se pode verificar pela inscrição do portal principal, com o ano de 1764, datando, com certeza, o final das obras. As referências das Visitações não nos permitem definir com exactidão as alterações introduzidas por esta intervenção setecentista, que pensamos ter sido responsável pela ampliação e reforma do templo.
A fachada principal encontra-se adossada a uma torre com dupla sineira, num plano ligeiramente recuado. As suas dimensões contrastam com a frontaria do templo, que parece ainda mais reduzida. Esta, apresenta um portal com frontão semicircular, a que se sobrepõe um nicho, ladeado por duas janelas de sacada, suportadas por mísulas. Se os elementos centrais, se prolongam até à empena, acentuando o carácter vertical da composição, os vãos laterais acabam por diluir este efeito e, em última análise, tornam a fachada muito cheia e algo desproporcionada.
O interior mantém a modéstia que o caracterizou desde o século XVI, dispondo de coro alto e dois púlpitos de talha dourada. Os altares colaterais encontram-se dispostos em ângulo e, tal como os restantes, são definidos por um arco de volta perfeita, com retábulos de talha dourada. A capela-mor, mais baixa e estreita em relação à nave, apresenta, também, retábulo de talha dourada. Como já referimos, parte das imagens estão expostas no Museu paroquial.
(Rosário Carvalho)