Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Imóvel afeto a habitação multifamiliar - prédio de rendimento -, construído em 1933-1934, de autoria do arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior, em estilo Art Déco, com sistema construtivo misto (transição de gaioleiro para a 1.ª fase do betão armado,Vera Higino, 2013), mantém a integridade tipológica e funcional, tanto ao nível exterior, quanto nas áreas comuns.
O elevador, colocado posteriormente, aproveitando o desvão da escada, não interfere com a coerência tipológica do imóvel. Em termos funcionais, a distribuição dos espaços segue uma planta quadrangular, com escadas em U, com 11 assoalhadas, onde todos os compartimentos possuem iluminação e ventilação natural, devido aos pátios central e lateral esquerdo, bem como, ao afastamento da extrema da edificação que existia no n.º 73-75. O logradouro tardoz contém uma escada de emergência cujo acesso se faz pelas varandas. Em termos estéticos a edificação está genericamente em conformidade com o projeto original.
A fachada distribui-se em 7 panos verticais, que se repetem simetricamente, a partir do pano central, mais faustuoso. O frontão da porta de entrada, em estilo barroco complexo, variante de lanços/ou ondulado, apresenta baixo relevos com motivos florais. Praticamente todas as janelas possuem frontões com formas variadas, mais ou menos trabalhados nos baixos-relevos. Os varandins das janelas existentes nos panos laterais, mais próximos ao central, são "suportados" por mísulas com formatos variáveis. A cimalha foi subdividida seguindo a divisão da fachada composta por três frontões-caixa vazados sobrelevados e 4 painéis, sendo os 2 mais próximos do centro similares e decorados com figuras estilizada em baixo-relevo, numa simulação das métopas da arquitetura grega. O conjunto decorativo do painel contém 7 figuras humanas, tendo ao centro a imagem de uma figura imponente montado num cavalo alado, ladeado por 6 figuras femininas em pé, 3 de cada lado, com posturas não simétricas, portando ramos e instrumentos musicais. Pressente-se, tanto na porta de ferro e vidro da entrada quanto no gradeamento dos varandins, uma evidente inspiração arte nova.
Este edifício apresenta características que o tornam bastante relevante no âmbito da produção do arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior relativamente às suas obras em estilo Art Déco.
Autor
Manuel Joaquim Norte Júnior projetou diferentes espaços funcionais cuja componente decorativa de aprimorada elegância é a sua característica principal. As 150 obras referenciadas de sua autoria, comprovam o seu talento como artífice, conseguindo variedade tanto nos vocabulários decorativos quanto em soluções estruturais dos espaços que projetou, sendo o estilo eclético aquele que o define por excelência.
Local
A Avenida da República foi inaugurada em 1904. Anteriormente havia sido denominada Avenida das Picoas e posteriormente Avenida Ressano Garcia (em homenagem ao responsável pela notável renovação e expansão da cidade de Lisboa no seculo XIX). Mudou de nome para Avenida da República a 5 de novembro de 1910, um mês depois da implantação da República em Portugal. Esta avenida, de 1 550m de comprimento e aproximadamente 60m de largura, tem início em Entrecampos, terminando na praça do Saldanha. É uma das mais importantes avenidas nacionais, integrando diversas sedes empresariais, edifícios hoteleiros, comércio.
O eixo viário definido pela Avenida da República - absolutamente retilíneo - assume-se como rutura no tecido urbano que apesar da base reticular teve em consideração as pré-existências. Em termos arquitetónicos a substituição e descaracterização de que vem sendo alvo nos tempos mais recentes, determinou uma amálgama de tipologias estilísticas, construtivas e volumétricas, apesar de ainda subsistirem alguns exemplares de qualidade como é o caso deste imóvel.
Lucinda Caetano/DGPC/2022
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 357/2025, DR, 2.ª série, n.º 229, de 26-11-2025 (ver Anúncio)
Despacho de 31-10-2025 do presidente do Património Cultural, IP, a determinar que se proceda à audiência dos interessados
Parecer favorável de 10-12-2024 da SEPPAAI do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 9-08-2024 do Departamento dos Bens Culturais do Património Cultural, IP para a classificação como MIP
Despacho de 25-07-2024 da Secretária de Estado da Cultura a prorrogar o prazo, até 8-01-2025
Em 17-07-2024 os proprietários denunciaram a mora
Anúncio n.º 88/2022, DR, 2.ª série, n.º 93, de 13-05-2022 (ver Anúncio)
Despacho de 12-04-2022 do diretor-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 1-04-2022 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Requerimento de classificação de 11-01-2018 dos Vizinhos das Avenidas Novas
Número do Processo
Não disponível