Nota Histórico-Artistica
Imóvel
As Caldas de Vizela organizaram-se, desde a sua fundação, em torno de importantes nascentes de águas sulfurosas especialmente adequadas ao tratamento de doenças reumáticas, respiratórias e dermatológicas.
O complexo termal propriamente dito localiza-se nas margens do rio Vizela, afluente do rio Ave, integrando-se num extenso parque localizado a sudeste.
Junto à margem esquerda do rio, muito próximo da ponte D. Luís e com um acesso arborizado em calçada (rua do Mourisco), situa-se um pequeno edifício de um só piso denominado "Banhos do Mourisco". Apresenta planta em L, com coberturas diferenciadas em telhados de três águas, sendo que outrora esta cobertura era enriquecida por um belo lanternim. A fachada principal é em cantaria de pedra à vista observando-se, ao nível do embasamento, um soco alto e destacado. Ao nível superior a fachada termina numa cornija saliente sobre a qual se destacam ameias decorativas igualmente em cantaria. O pano central, de um conjunto de três, é mais saliente encontrando-se aí a porta de entrada. O que mais se destaca neste imóvel, para além das ameias, é um conjunto de vãos neogóticos em arco apontado que, desde a sua origem, eram graciosamente preenchidos por caixilharias com bandeira, salientando-se a do portal em vitral algo que, muito recentemente, foi totalmente adulterado. As restantes fachadas são rebocadas e pintadas de branco, sendo que apenas a fachada lateral esquerda possui um vão idêntico aos do frontispício enquanto todas as outras janelas são simples e de formato retangular.
História
O reconhecimento da importância das águas de Vizela remonta ao período romano (inícios do século I a C.), ficando desde logo patente a importância das águas sulfurosas no nome da povoação que aí existia: Oculis Calidarum ou seja, "olhos de água quente".
Em escavações realizadas no século XVIII foram encontradas piscinas destinadas aos banhos, bem como diversos materiais romanos.
Em 1841 foi encontrada, na área onde mais tarde se irá construir o "Banho Mourisco", uma epígrafe dedicada ao deus Bormânico (CUNHA, 2012). Importa destacar que todo este espólio encontra-se hoje exposto no Museu da Fundação Martins Sarmento. Igualmente em 1996, na Praça da Republica, foram exumadas áreas de um complexo termal romano, nomeadamente o praefurnium, o caldarium e vestígios de pavimentos com mosaicos.
Apesar do reconhecimento da importância destas águas, será apenas em 1785 que surgem as primeiras "Instalações Termais", ainda que muito precárias, limitando-se a simples construções cobertas de colmo.
Em 1876, numa época em que o termalismo ganhava uma enorme expressão por toda a Europa, é criada a primeira "Companhia de Banhos de Vizela", sendo então construído o primeiro edifício termal, obras estas dirigidas pelo engenheiro Cesário Augusto Pinto.
O Banho Mourisco foi desenhado pelo engenheiro Pedro Ignacio Lopes em 1877, ficando concluído um ano mais tarde. Inicialmente possuía 6 quartos de banho equipados com tinas de zinco sendo que, em 1889, foi necessário efetuar obras de melhoramento acrescentando-se uma nova sala de espera e leitura. Entre 1884 e 1886 foi igualmente criado um importante parque, elemento fundamental em todas as áreas termais. Na construção desta área verde, com um lago de relevantes dimensões ao centro, estiveram envolvidos José Marques Loureiro horticultor e Jerónimo Monteiro da Costa jardineiro e projetista, ambos responsáveis por diversos jardins do Porto. Nos anos 90 do séc. XX realizaram-se diversas obras nas estruturas balneares mas, em 2009, as termas acabaram por fechar sendo que a poluição do Vale do Ave muito terá contribuído para o sucedido. Depois de uma década de abandono o complexo termal das Termas de Vizela foi reinaugurado em 2019 verificando-se algumas alterações que, em termos de desenho, não conseguiram respeitar a traça original.
Maria Ramalho/DGPC/2020.
Diploma de Classificação
Edital n.º 1069/2016, DR, 2.ª série, n.º 241, de 19-12-2016 (ver Edital)
Deliberação de 24-11-2016 da CM de Vizela a aprovar a classificação como MIM
Edital n.º 936/2016, DR, 2.ª série, n.º 208, de 28-10-2016 (ver Edital)
Deliberação de 29-09-2016 da CM de Vizela a aprovar a classificação como IIM
Edital n.º 252/2016, DR, 2.ª série, n.º 52, de 15-03-2016 (ver Edital)
Deliberação de 11-02-2016 da CM de Vizela a aprovar a abertura do procedimento de classificação como de IM
Número do Processo
Não disponível