Nota Histórico-Artistica
Sítio
A quinta do Ervedal implanta-se na base da vertente sul da Serra da Gardunha. A nascente corre a Ribeira de Alpreade. A dispersão dos vestígios abarca sensivelmente uma área de dez hectares.
Os dados recolhidos nas escavações arqueológicas realizadas permitem identificar este local como um vicus com uma ocupação balizada entre o início do século I d.C. e o século VI/VII.
A norte/noroeste, numa distância inferior a 1 km, conhecem-se diversos sítios arqueológicos com uma cronologia coeva, nomeadamente Ervedal II, IV, VI e VII. Registam-se, igualmente, vários troços de estradas, as designadas vias romanas de Alpedrinha a Castelo Novo. Joana Bizarro e João Mendes Rosa, responsáveis pelas intervenções arqueológicas, consideram a hipótese de se tratar do vicus Talabara presente em duas epígrafes recolhidas nas imediações.
Até à data, foram postos a descoberto dois complexos termais, separados por trinta metros, que terão funcionado simultaneamente. Estes revelam características distintas, exibindo o mais pequeno - balneum I, indícios de uma estrutura privada, integrado numa domus, enquanto que o balneum II, corresponderá a um equipamento público. Foi ainda definida uma área destinada a atividades oficinais, onde foi exumada uma grande quantidade de escória, pingos de fundição e fragmentos de um cadinho.
O balneum I revelou cinco fases de ocupação, com diversas funcionalidades. Da primeira fase estão patentes silhares almofadados atribuíveis a um edifício anterior à sua construção. A edificação do balneário corresponde à segunda fase, e a sua restruturação, talvez no século II, constitui a terceira. A reutilização de alguns espaços para a armazenamento e arrumos que, no entanto, não comprometia a sua função de balneário, define a quarta fase, possivelmente no decurso do século III. Finalmente, o espaço do hypocaustum foi utilizado para a colocação de uma sepultura, situação recorrente na Antiguidade Tardia, sem ossadas ou espólio associados. O balneário apresenta hypocaustum com alveus, tepidarium, frigidarium, vestibulum e apodyterium. A última divisão terá sido pavimentada com mosaico de motivos geométricos.
As termas públicas, balneum II, apresentam igualmente algumas salas com piso em mosaico, uma construção mais cuidada, tendo sido escavadas quatro salas aquecidas.
História
A existência de uma ocupação romana na área meridional da Serra da Gardunha é referida em várias publicações desde o século XVIII, nas quais é referida a existência de uma "cidade", embora a sua localização fosse incerta. O Padre Luís Cardoso indica Carvalhal Redondo, secundado por outros eruditos, como Pinho Leal e José Germano da Cunha. A recolha de uma inscrição funerária, no final do século XIX, constituiu o primeiro indício de um possível sítio arqueológico neste local. Em 1935, o proprietário da Quinta do Ervedal, ofereceu ao Museu Tavares Proença Júnior, um depósito da Idade do Bronze Final, composto por machados de talão, braceletes, lingotes, fragmentos de diversos objetos incluindo armas e escórias, que terá exumado nos seus terrenos, junto à ponte sobre a Ribeira de Alpreade. Nos anos 80 do século passado, numa visita efetuada à Quinta do Ervedal, Helena Frade, identificou à superfície, cerâmica atribuível à Época Romana assim como fragmentos de colunas. Os trabalhos de prospeção realizados no âmbito da realização da Carta Arqueológica do Fundão confirmaram a concentração de materiais à superfície. A escavação sistemática realizada por Joana Bizarro João Mendes Rosa, desde 2007, revelou o vicus, sendo expectável, com a continuação da intervenção, o aparecimento de novas estruturas e contextos.
Ana Vale
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
Portaria n.º 150/2023, DR, 2.ª série, n.º 64, de 30-03-2023 (com restrições) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 9-02-2023 da subdiretora-geral da DGPC
Edital n.º 125/2023, DR, 2.ª série, n.º 14, de 19-01-2023 (ver Edital)
Deliberação de 16-12-2022 da CM do Fundão a aprovar o arquivamento do procedimento de classificação como MIM, dado estar a ser conduzido um procedimento de classificação de âmbito nacional
Anúncio n.º 216/2022, DR, 2.ª série, n.º 202, de 19-10-2022 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 14-09-2022 do diretor-geral da DGPC
Proposta favorável de 8-06-2022 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 2-07-2020 da DRC do Centro para a classificação como SIP
Em 15-06-2020 a CM do Fundão informou nada haver a opor relativamente à proposta
Em 19-05-2020 a DRC do Centro enviou à CM do Fundão proposta de classificação como SIP e respetivo conteúdo com pedido de parecer
Anúncio n.º 220/2019, DR, 2.ª série, n.º 243, de 18-12-2019 (ver Anúncio)
Despacho de 8-08-2019 da diretora-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de classificação de ãmbito nacional
Proposta de 27-05-2019 da DRC do Centro para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Pedido de parecer de 3-11-2017 da CMF sobre a intenção de classificar as ruínas
Edital n.º 774/2017, DR, 2.ª série, n.º 191, de 3-10-2017 (ver Edital)
Deliberação de 31-07-2017 da CM do Fundão a determinar a abertura do procedimento de classificação como MIM
Número do Processo
Não disponível