Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Cais d'El-Rei foi, tal como toda a construção vetusta na zona ribeirinha de Tancos, lançado à base de granito, certamente explorado em pedreiras junto de Almourol. A estrutura atualmente visível tem quase 80 m de comprimento, formando um largo tabuleiro empedrado que resultará da reedificação de c. 1840. A parede exterior tem dois lanços duplos de escadas convergentes embebidas no paramento, dos quais apenas os lanços a nascente proporcionam ainda acesso à água, uma vez que os lanços a poente se encontram truncados nos terços superiores. As estruturas visíveis não apresentam atualmente vestígios quinhentistas evidentes, mas conservam a largueza da dimensão original da construção manuelina, por todos os cronistas tida como magnífica, e da qual ainda restarão certamente diversos silhares e outros materiais construtivos.
Merece igualmente destaque o seu enquadramento urbanístico e paisagístico, quer devido à sua localização na vila, cujo desenvolvimento urbano decorreu em função e em torno do cais, quer devido à sua íntima relação com o Tejo e o Castelo de Almourol, a cujos pés se espraia este troço do rio, em privilegiada disposição cénica.
História
A vila de Tancos situa-se naquele que foi um local estratégico do território em diversos períodos da história nacional. Esta fronteira raiana do nascente reino de Portugal, denominada Linha do Tejo, já antes alvo de prováveis assentamentos castrejos, foi entregue à Ordem do Templo durante o período da Reconquista, assistindo então à reedificação do emblemático Castelo de Almourol, antigo sítio fortificado que se estima ter sido sucessivamente ocupado desde a época pré-romana. Durante todo o processo da Reconquista cristã, as povoações da região foram de importância fundamental para a manutenção das terras conquistadas; é assim que Tancos terá recebido de D. Gualdim Pais o seu primeiro foral, outorgado logo em 1171. À facilidade de passagem do rio em Tancos, e à localização estratégica daquele troço do médio Tejo, veio juntar-se a utilização do rio como principal eixo de ligação comercial com Lisboa.
O atual cais de Tancos terá, portanto, origem anterior à sua conhecida reconstrução quinhentista, feita possivelmente sobre outros embarcadouros que ao longo dos séculos medievais terão assentado sobre uma suposta, mas muito plausível, estrutura romana. Em data seguramente próxima de 1517, ano da concessão do foral manuelino de Tancos, o local foi dotado do cais fluvial que, embora muito reconstruído, chegou ainda aos nossos dias na sua dimensão original. Estas iniciativas de D. Manuel foram completadas, nos anos seguintes, com a construção da igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, sendo o foral, o cais e a matriz manuelinos bons testemunhos da importância da povoação e da sua relação com o rio.
O porto e cais de Tancos continuaram a constituir um importante entreposto comercial durante alguns séculos, fazendo parte de um extenso e próspero complexo portuário fluvial que ligava os produtos vindos do interior do reino a Lisboa e à foz do Tejo. A decadência de Tancos ocorre no início do século XIX, quando Abrantes passou a ocupar o lugar de entreposto na região. Em 1810, data do início da terceira incursão napoleónica em Portugal, o cais de Tancos foi dinamitado, seguindo-se, em c. 1840, uma reconstrução de extensão indeterminada.
Hoje em dia, o cais de Tancos serve essencialmente a travessia turística do Tejo em direção ao Castelo de Almourol, facto que não deixa de honrar a história local e a relação milenar entre a estrutura defensiva, o rio, e este local privilegiado das suas margens.
Sílvia Leite
DGPC
2018
Diploma de Classificação
Aviso n.º 5204/2023, DR, 2.ª série, n.º 50, de 10-03-2023 (ver Aviso)
Edital N.º 292/06, de 5-09-2006 da CM de Sintra (classificação)Deliberação de 14-12-2022 da CM de Vila Nova da Barquinha e deliberação de 28-12-2022 da AM de Vila Nova da Barquinha a aprovar a classificação como MIM
Declaração de Retificação n.º 893/2022, DR, 2.ª série, n.º 205, de 24-10-2022 (retificou a categoria em que está "em vias de classificação" para MIM) (ver Declaração)
Em 22-09-2022 foi dado conhecimento à CM de Vila Nova da Barquinha de que a DGPC mantinha o entendimento de que o cais não tinha valor patrimonial de âmbito nacional, e de que não existindo a categoria de IIM não poderia ser considerado "em vias de classificação"
Edital n.º 1296/2022, DR, 2.ª série, n.º 167, de 30-08-2022 (ver Edital)
Pedido de parecer de 10-08-2022 da CM de Vila Nova da Barquinha sobre a classificação como de IIM
Edital n.º 42/2022 de 10-08-2022 da CM de Vila Nova da Barquinha
Deliberação de 8-06-2022 da CM de Vila Nova da Barquinha e deliberação de 30-06-2022 da AM de Vila Nova da Barquinha a determinar a abertura do procedimento de classificação como IIM
(Aguarda esclarecimentos da CM sobre o procedimento, para decidir sobre o registo da classificação)
Deliberação de 12-09-2018 da CM de Vila Nova da Barquinha a classificar o cais como de IM
Em 31-08-2018 foi dado conhecimento do despacho à CM de Vila Nova da Barquinha
Despacho de 29-08-2018 do subdiretor-geral da DGPC a determinar o arquivamento do pedido de abertura de orocedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de arquivamento de 29-08-2018 da Divisão do Património Imóvel, Móvel e Imaterial da DGPC, por não possuir um valor cultural de âmbito nacional
Requerimento de classificação de 19-12-2017 da CM de Vila Nova da Barquinha, que deu entrada em 27-12-2017
Número do Processo
Não disponível