Nota Histórico-Artistica
A Irmandade da Misericórdia de Tancos terá sido fundada na década de oitenta do século XVI, por iniciativa de D. Francisco Manoel de Ataíde, 1º Conde da Atalaia. O templo da irmandade ficou concluído em 1585, segundo data inscrita no portal, que indica que na época D. Francisco de Ataíde era o provedor. O programa decorativo do espaço interior foi executado nas décadas seguintes, contemplando o revestimento azulejar e o retábulo maneirista, com pinturas da autoria de Simão Rodrigues (SERRÃO, Vítor, 1970).
A proximidade geográfica das margens do rio Tejo ditou a progressiva degradação do templo, uma vez que as sistemáticas inundações deram origem à sua ruína. No ano de 1937, devido à ruína da estrutura e à impossibilidade de executar uma campanha de restauro, a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais decidiu remover os painéis de azulejos seiscentistas, de forma a serem reaproveitados noutros templos que estavam então a ser restaurados, como a Igreja de Jesus de Setúbal. Posteriormente, o templo era ocupado pelo Exército.
Actualmente a estrutura do templo, nomeadamente o espaço interior, encontra-se muito alterada, devido às sucessivas transformações de que a igreja foi objecto. Nos anos 80 do século XX a Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha executou um projecto de adaptação do espaço, com a construção de um anfiteatro, para ali ser instalado o Centro Cultural da Freguesia de Tancos. Na época, o retábulo-mor foi transferido para a igreja matriz da vila.
De planta rectangular disposta longitudinalmente, possui corpo principal delimitado por cunhais, apresentando na fachada principal portal rasgado ao centro, inserido numa estrutura retabular, encimado por dois janelos rectangulares e um óculo. Enquadrando a pedra de armas do Conde de Atalaia, o portal de arco pleno é ladeado por duas colunas toscanas e rematado por entablamento. Sobre este foi aberto um nicho de frontão triangular ladeada por aletas, onde estava inserida uma imagem da Mater Omnium . Esta estrutura deriva do modelo de portal-retábulo concebido por João de Ruão, que a arquitectura maneirista acabaria por adoptar, embora lhe desse formas mais depuradas ao nível ornamental.
O interior, de nave única, encontra-se totalmente despojado da decoração original. Era revestido por painéis de azulejos enxaquetados azuis e brancos, e o arco que abre para a capela-mor apresenta vestígios de policromia. O antigo retábulo maneirista de talha dourada, que se encontra actualmente integrado no acervo da Matriz de Tancos, é composto por oito tábuas dispostas à volta do sacrário, com os temas da Visitação , Flagelação , O beijo de Judas , A Última Ceia , O Senhor da Cana Verde , Ecce Homo , Calvário e Cristo a caminho do Calvário .
Catarina Oliveira
IPPAR/2005
Diploma de Classificação
Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)
Edital de 14-03-1984 da CM de Vila Nova da Barquinha
Edital de 13-02-1984 da CM de Vila Nova da Barquinha
Despacho de homologação de 4-01-1984 do Ministro da Cultura
Parecer de 3-01-1984 da Assessoria Técnica do IPPC a propor a classificação como IIP
Em 20-05-1983 a CM de Vila Nova da Barquinha manifestou o seu interesse no prosseguimento do processo de classificação
Proposta de classificação de 9-06-1976 da DGPC
Número do Processo
Não disponível