Casa da Moeda e Valores Selados
Avenida João Crisóstomo, Lisboa
Arq.º Jorge Segurado 1933-1941
A leitura de uma das mais singulares obras do primeiro modernismo, a Casa da Moeda, é reveladora da evolução da década de 30 e das situações levantadas no decorrer da obra pela procura de um racionalismo construtivo e de um funcionalismo programático. Trata-se de uma construção singular a vários níveis: pelo programa misto que integra o edifício da administração com desejado carácter de representação e o corpo de oficinas que programaticamente se aproxima do carácter utilitário; pelo empenho construtivo que uma obra desta importância reclamou; finalmente pelo facto de revelar pioneiramente uma abordagem inovadora que se afastava do quadro ortodoxo definido pelo Movimento Moderno de estilo internacional, assim se aproximando das experiências holandesas desenvolvidas em contextos não radicais e menos divulgadas no nosso país.
O conjunto edificado redesenha a forma rectangular do quarteirão aberto no interior formando um extenso pátio. O edifício da administração forma o topo norte ligando-se aos três corpos em U das oficinas através de dois corpos de passagem elevados sobre pilotis. A cobertura em terraço que remata todo o conjunto é ocasionalemnte substituída em certas zonas fabris por uma cobertura em "shed" permitindo a entrada directa da luz norte, mas também por áreas de terraço preenchidas pelo tijolo de vidro cilindrico, de utilização tâo comum nas obras modernistas dos anos 30.
A obra do edifício da Administração estaria praticamente concluída em Setembro de 1936 quando surge a polémica a propósito do topo poente do edifício e da sua linguagem moderna. A Secção de Belas Artes da Junta Nacional de Educação pretendia que fosse realizado um "projecto de embelezamento do alçado poente". Ao que o autor contrapoz, reivindicando o "paradigma racional e na necessidade de o edifício responder à funcionalidade interior".
Em Agosto de 1937 é lançada a concurso a 3ª e última empreitada destinada à construção do edifício das oficinas. Também a leitura deste processo coloca questões úteis ao entendimento da expressão modernizante que empenhadamente os arquitectos propunham e difundiam. E o parecer que o Conselho Central de Obras Públicas pronuncia em Dezembro de 1938 é bem esclarecedor desta situação, admitindo à partida tratar-se de um estabelecimento de carácter industrial, e que por isso "as razões de ordem prática devem naturalmente sobrelevar a tudo mais". Admitindo-se então que "os grandes panos de parede, a proporção larga das janelas, a lisura da composição - são tudo feições adequadas aos edifícios fabris".
Marcação de um paradigma de qualidade na construção, revela o amadurecimento do austero expressionismo do seu autor na articulação sábia dos vários volumes que formam o quarteirão, assumidos com presença e funções diferentes e onde se destacam as duas entradas: monumentalizante no edifício da administração e, articulada com outra liberdade, a entrada reentrante do corpo de esquina das oficinas jogando com o relógio, o baixo-relevo, e o revestimento texturado dos tijolos esmaltados de verde dos panos entre pilares.
Ana Tostões/ Docomomo Ibérico
Agosto 2002
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-ET/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 29-10-2012 do diretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 13401/2012, DR, 2.ª série, n.º 176, de 11-09-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Despacho de concordância de 10-10-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 10-10-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 15-07-2011 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como MIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Devolvido em 26-08-2010 à DRC de Lisboa e Vale do Tejo para formalizar proposta de ZEP
Proposta de 20-05-2010 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como MIP
Edital N.º 70/2007 de 23-08-2007 da CM de Lisboa a rectificar a planta do edital anterior
Edital N.º 80/2004 de 17-12-2004 da CM de Lisboa
Despacho de abertura de 27-08-2004 do presidente do IPPAR
Proposta de 23-08-2004 do Departamento de Estudos do IPPAR para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público
ZEP
Portaria n.º 740-ET/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (sem restrições) (ver Portaria) Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 29-10-2012 do diretor-geral da DGPC Anúncio n.º 13401/2012, DR, 2.ª série, n.º 176, de 11-09-2012 (ver Anúncio) Despacho de concordância de 10-10-2011 do diretor do IGESPAR, I.P. Parecer favorável de 10-10-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura Proposta de 15-07-2011 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo
Afectação
12737527
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Lisboa / Avenidas Novas
Avenida António José de Almeida
Lisboa -
Polícia:
Avenida João Crisóstomo
Lisboa -
Polícia:
Avenida Defensores de Chaves
Lisboa -
Polícia:
Rua Filipa de Vilhena
Lisboa -
Polícia:
LATITUDE
38.73705
LONGITUDE
-9.142929
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1936
1936 quando surge a polémica a propósito do topo poente do edifício e da sua linguagem moderna. A
1937
1937 é lançada a concurso a 3ª e última empreitada destinada à construção do edifício das oficinas. Também
1938
1938 é bem esclarecedor desta situação, admitindo à partida tratar-se de um estabelecimento de carácter industrial, e...
2002
2002
2004
2004 de 17-12-2004 da CM de Lisboa Despacho de abertura de 27-08-2004 do presidente do IPPAR Proposta de 23-08-2004 d...
2007
2007 de 23-08-2007 da CM de Lisboa a rectificar a planta do edital anterior Edital N.º 80/2004 de 17-12-2004 da CM de...
2010
2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)Devolvido em 26-08-2010 à DRC de Lisboa e Vale do Tejo para...
2011
2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma) Despacho de concordância de 10-10-2011 do diretor do IGESPAR...
2012
2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (ver Portaria)Relatório final do procedimento aprovado por d...
9
IMAGENS
4
BIBLIOGRAFIAS
Acesso Móvel
Aponte a câmara do telemóvel para aceder a esta
ficha no
imediato.
Partilhar Património
Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
A Arte em Portugal no século XX
FRANÇA, José-Augusto
Edição
1991
Lisboa
"Monumentalidade, Obras Públicas e Afirmação da Arquitectura do Movimento Moderno: O Protagonismo da DGEMN na Construção dos Grandes Equipamentos Nacionais", in Caminhos do Património
TOSTÕES, Ana Cristina
Edição
1999
Lisboa
Arquitectura Moderna Portuguesa 1920-1970. Um Património a Conhecer e Salvaguardar
AA.VV.
Edição
2004
Lisboa
"Casa da Moeda", in Dicionário da História de Lisboa