Nota Histórico-Artistica
Imóvel
A Casa de Chá da Boa Nova implanta-se sobre os rochedos do extremo oeste da praia da Boa Nova, em Leça da Palmeira, perto de uma pequena ermida que antecede o miradouro entre aquela praia e a Praia Azul, e a alguns metros do Farol de Leça.
Erigido no início dos anos 60 do século XX, este imóvel desenvolve-se em planta retangular irregular, composta por três volumes distintos, assentes sobre uma maciça plataforma de betão armado. As frontarias, que se destacam pouco no volume do edifício, estando parcialmente cobertas pelos penedos que as rodeiam, são rematadas por cornijas de madeira e telhados de beiral simples. Os frontispícios voltados ao mar são rasgados por grandes composições de vidro com moldura de madeira, e as fachadas opostas, viradas à estrada e formadas por paredes brancas sem aberturas, estão parcialmente enterradas. O corpo principal, que se ergue no centro destas fachadas, é antecedido por um conjunto de degraus, muros e pavimentos brancos integrados nas rochas, projetados em sentido ascendente até ao alpendre rebaixado que antecede a porta principal, com beiral de madeira.
O espaço interior apresenta pavimentos e tetos em madeira, com um pequeno bar à entrada, ao qual se segue o antigo salão de chá. Este último espaço, agora transformado em restaurante, tem vista total sobre o mar através das grandes portas de vidro e de claraboias.
História
Foi em 1956 que a Câmara de Matosinhos abriu concurso para a construção de uma casa de chá na Praia da Boa Nova, junto ao farol e à pequena capela que aí existem. O projeto vencedor foi apresentado pelo gabinete do arquiteto Fernando Távora, sendo a direção do mesmo entregue a um jovem arquiteto que iniciava então a sua carreira, Álvaro Siza Vieira. A versão final do projeto foi terminada em 1958 e a construção concluída em 1963, tornando-se a Casa de Chá da Boa Nova "um dado qualitativamente novo, quer na obra de Álvaro Siza quer na arquitectura portuguesa" (Almeida: 1997, p. 238).
Os volumes da casa foram concebidos por forma a serem integrados na paisagem e na topografia envolventes, "numa minúcia que tenta deixar imaculadas as rochas, com a construção a contorcer-se, distender-se no sítio." (Ibidem).
Por seu turno, o espaço interior define-se através das portas de vidro, criando um espaço com "forte relação interior/exterior, um lugar onde se avista, intencionalmente, uma envolvente específica, filtrada por aberturas minuciosamente estudadas para obter um determinado enquadramento e uma relação sensorial muito forte, com a envolvente." (Martins: 2009, p. 87).
Nesta obra emblemática, é evidente a influência de Alvar Aalto, nomeadamente dos edifícios da Câmara de Säynätsalo e da Maison Carrée, construídos pelo arquiteto finlandês em 1952 e 1959, respetivamente (Ibidem).
A Casa de Chá da Boa Nova foi classificada como monumento nacional em 2011.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
Decreto n.º 16/2011, DR, 1.ª série, n.º 101, de 25-05-2011 (ver Decreto)
Procedimento prorrogado até 31-12-2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de homologação de 30-11-2010 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 28-10-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Deliberação de 26-07-2006 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como MN
Despacho n.º 20/2004, de 5-02-2004 do presidente do IPPAR a determinar a abertura da instrução do processo de classificação
Número do Processo
Não disponível