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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Bairro Azul

Arquitectura Civil / Bairro

Designação
Designação Atual
Bairro Azul
Outras Designações
Tipologia
Bairro
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Conjunto
Situado numa zona de expansão urbana da Lisboa dos inícios do século XX, o Bairro Azul surge como resultado do crescimento económico e demográfico que se verificou na cidade. Este conjunto denota, também, a fixação definitiva de uma linguagem Art Déco, que caracterizou a arquitetura deste período, nomeadamente os edifícios habitacionais da alta burguesia (FRANÇA, 1985, p. 238).
A organização do Bairro é delineada por três vias: Rua Fialho de Almeida, Avenida Ressano Garcia, e Avenida Ramalho Ortigão que são paralelas entre si, separadas por prédios de gaveto. Destacam-se, pela sua monumentalidade, os dois que definem a artéria central, e que determinam uma espécie de entrada, ou fachada nobre. Ambos exibem uma linguagem muito semelhante, com remate em frontão triangular, e galerias de cobertura suportadas por colunas. Por sua vez, os prédios que definem o início da Rua Fialho de Almeida e a Avenida Ramalho Ortigão apresentam uma mesma orgânica.
A implantação do bairro, efetuada em terreno de declive acentuado, não seguiu a racional linha de volumetria estanque, razão pela qual a diferenciação de cotas não foi disfarçada na altura conjunta dos prédios. A unicidade orgânica deste conjunto habitacional é sugestionada nos arruamentos, pela forma como os prédios se sucedem numa frente urbana, de 4 a 5 pisos onde as frontarias determinam a diferenciação dos imóveis, ainda que todas elas se pautem pelo geometrismo e linhas retas que caracterizam o gosto Art Déco. As fachadas tornaram-se, então, o elemento de maior modernidade e unidade no conjunto, utilizando elementos decorativos como baixos relevos, ou painéis cerâmicos, a par de outros como balaustradas, frontões, alpendres, e frisos, sem função estrutural (PEREIRA, BUARQUE, 1995, p. 415).
Um dos elementos de maior interesse neste conjunto urbano é a unidade e homogeneidade alcançada. A rápida execução dos edifícios, entre 1930 e 1937, terá contribuído, em muito, para esta coerência, tomando por modelo a linguagem Art Déco então em voga (FRANÇA, 1985). A estrutura das casas é outro dos elementos comuns, uma vez que o Bairro obedeceu à lógica mais racional da arquitetura do betão armado, que veio alterar não apenas a gramática formal, mas também a tipologia dos edifícios (TOSTÕES, 1999, p. 517).

História
Edificado nos anos 30 do século XX, e posteriormente ampliado, na década de 60, o Bairro Azul, assim designado devido à cor das persianas dos prédios não surge como um cato isolado, devendo antes ser integrado no âmbito dos estudos e projetos de desenvolvimento da Avenida da Liberdade e arranjo do Parque Eduardo VII que, desde a década de 1920, ocupavam arquitetos e urbanistas como J. C. Forrestier, os irmãos Mac Bride, ou Cristino da Silva (FRANÇA, 1985, p. 238). Para a zona da Palhavã, estava projetada também uma vasta urbanização, que dava pelo nome de Bairro de França, mas que nunca chegou a ser concretizada. Na verdade, apenas foram construídas as três ruas que estruturam o Bairro Azul, o que explica a sua implantação em triângulo , resultante de um isolamento que não estava previsto no plano inicial.
Sem a colaboração de arquitetos, o Bairro foi concebido por construtores e engenheiros civis, entre os quais se destaca A. J. Ávila Amaral, com outras obras conhecidas na capital (IDEM). Esta situação reflete a legislação emergente que apoiava os construtores civis, e que teve como consequência um "novo surto da construção privada para habitação", generalizando-se o emprego do betão armado aliado a uma arquitetura mais geometrizada (PEREIRA, 1994, pp. 499-500).

Rosário Carvalho/IPPAR/2005, atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2016
Diploma de Classificação
Edital n.º 22/2011 de 1-03-2011 da CM de Lisboa publicado no Boletim Municipal n.º 890 de 10-03-2011
Boletim Municipal n.º 814 (1.º Suplemento) de 24-09-2009
Deliberação n.º 71/AM/2009 de 15-09-2009 da AM de Lisboa
Deliberação n.º 535/CM/2009 da CM de Lisboa
Despacho de concordância de 20-06-2005, do presidente do IPPAR, por não ter valor nacional, com o consequente arquivamento do procedimento de classificação de âmbito nacional
Parecer de 1-06-2005 do Conselho Consultivo do IPPAR, a concordar com a classificação como CIM
Edital n.º 26/2005 de 15-03-2005 da CM de Lisboa publicado no Boletim Municipal n.º 583 de 21-04-2005
Despacho de 23-02-2005 da Vereadora da Cultura da CM de Lisboa a determinar a abertura do processo de classificação como CIM
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como CIM - Conjunto de Interesse Municipal

ZEP n/a
Afectação 9914631
Localização
Lisboa / Lisboa / Avenidas Novas
Avenida Ressano Garcia
Lisboa -
Polícia: 1-37 e 2-30
Avenida António Augusto Aguiar
Lisboa -
Polícia: 163- 207
Rua Fialho de Almeida
Lisboa -
Polícia: 1-17 e 2-30
Rua Ramalho Ortigão
Lisboa -
Polícia: 1-37 e 2-18
Rua Marquês de Fronteira
Lisboa -
Polícia: 8-12
LATITUDE
38.734809
LONGITUDE
-9.156063
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1920
1920, ocupavam arquitetos e urbanistas como J.
1930
1930 e 1937, terá contribuído, em muito, para esta coerência, tomando por modelo a linguagem Art Déco então em voga (...
1937
1937, terá contribuído, em muito, para esta coerência, tomando por modelo a linguagem Art Déco então em voga (FRANÇA,...
1985
1985, p.
1994
1994, pp.
1995
1995, p.
1999
1999, p.
2005
2005, do presidente do IPPAR, por não ter valor nacional, com o consequente arquivamento do procedimento de classific...
2009
2009 Deliberação n.º 71/AM/2009 de 15-09-2009 da AM de Lisboa Deliberação n.º 535/CM/2009 da CM de Lisboa Despacho de...
2011
2011 de 1-03-2011 da CM de Lisboa publicado no Boletim Municipal n.º 890 de 10-03-2011 Boletim Municipal n.º 814 (1.º...
2016
2016
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Prédios e vilas de Lisboa BUARQUE, Irene, PEREIRA, Nuno Teotónio Edição 1995 Lisboa
"Lisboa no século XX - o tempo moderno", O Livro de Lisboa, pp. 493-522 FERNANDES, José Manuel Edição 1994 Lisboa
A Arte em Portugal no Século XX FRANÇA, José-Augusto Edição 1985 Venda Nova
"Bairro Azul", in Dicionário da História de Lisboa SANCHEZ, Sebastião Formosinho Edição 1994 Lisboa
<i>Arquitectura Moderna e Obra Global a partir de 1900</i> TOSTÕES, Ana Edição 2009 Porto

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Palacete Leitão
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Casa de Ventura Terra, incluindo os elementos decorativos que a integram e o respectivo parque
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Edifício-Sede e Parque da Fundação Calouste Gulbenkian
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Conjunto de edifícios situados no Largo de São Sebastião da Pedreira, 46 a 53, tornejando para a Rua do Dr. António Cândido
Conjunto de edifícios situados no Largo de São Sebastião da Pedreira, 46 a 53, tornejando para a Rua do Dr. António Cândido

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