Nota Histórico-Artistica
Embora se desconheça a data exacta da sua fundação, o primitivo templo de São Bartolomeu era uma pequena ermida, comenda da Ordem de São Bento de Avis, fundada possivelmente no século XV (ESPANCA, Túlio, 1978), e agregada à Igreja de Nossa Senhoral de Soveral. No ano de 1590 Filipe II instituiu o curado de São Bartolomeu, com sede na pequena ermida medieval, e em 1596 aquele era elevado a priorado.
Nessa época decidiu-se edificar um novo templo, uma vez que a ermida não se adequava às novas funções, pelas suas dimensões reduzidas. Esta profunda reforma estrutural, que deu origem a um novo templo edificado de raiz, foi executada pelo mestre João Fernandes (Idem, ibidem), prolongando-se pelos primeiros anos do século XVII.
O actual templo apresenta uma estrutura de gosto clássico e linhas austeras, cuja planimetria rectangular está implantada longitudinalmente, sendo composto por nave única coberta por abóbada de nervuras de três tramos, e capela-mor.
A fachada do templo é marcada pela disposição de dois contrafortes, apresentando ao centro portal quinhentista composto por moldura rectangular ladeada por duas colunas jónicas de fuste estriado que assentam sobre bases onde foram gravados, em relevo, elementos alusivos ao martírio de São Bartolomeu. Infelizmente, este conjunto foi truncado pela abertura de uma janela no século XVIII, amputando o remate do portal, executado por um nicho com a imagem do padroeiro.
Sendo no século XVI o maior templo edificado no centro da vila de Borba, uma vez que a matriz estava implantada fora do perímetro urbano, a Igreja de São Bartolomeu acabaria por ser elevada a sede de paróquia no ano de 1609. Por este motivo, no ano seguinte foram realizadas obras de renovação e embelezamento do espaço interior, que conferiram grande riqueza decorativa ao espaço.
Desta forma, o espaço interior foi coberto, nas paredes laterais, com azulejos de tapete, de padrão de maçarocas, executados nessa época. O elemento de maior destaque é o magnífico conjunto de pinturas maneiristas de brutesco que decoram os espaços da abóbada da nave, composto por medalhões alusivos à vida de São Bartolomeu e adornos de ferroneries composições de gosto flamengo.
A capela-mor, de planta quadrada, era originalmente decorada com painéis de azulejo semelhantes aos que forram as paredes da nave. No entanto, uma campanha de obras executada cerca de 1730 alterou o programa decorativo deste espaço. Os azulejos seiscentistas foram retirados, e o espaço foi preenchido com telas alusivas a passagens do Antigo Testamento e do Novo Testamento. Foi também colocado um novo retábulo de talha dourada, executado e edificado em 1733 por Manuel Nunes, um entalhador lisboeta radicado em Vila Viçosa (Gabinete Técnico Local de Borba).
Catarina Oliveira
GIF/ IPPAR/ 2005
Diploma de Classificação
Portaria n.º 107/2014, DR, 2.ª série, n.º 30, de 12-02-2014 (ver Portaria)
Procedimento (indevidamente) prorrogado até 31 de Dezembro de 2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30 de Dezembro (ver Despacho)
Despacho de homologação de 29-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 19-09-2002 da DR de Évora para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 18-02-2002 do vice-presidente do IPPAR
Informação favorável de 14-02-2002 da DR de Évora
Proposta de classificação de 3-12-2001 da CM de Borba
Número do Processo
Não disponível