Nota Histórico-Artistica
Fundado em 1585, a expensas de Gaspar de Mattos e sua mulher, Beatriz de Mattos, o Convento de Nossa Senhora da Conceição, de frades Recoletos da Ordem de São Francisco, foi a primeira instituição religiosa deste âmbito activa em Castelo de Vide (VIDEIRA, 1908, p. 137).
As obras da igreja e dependências conventuais prolongaram-se durante cerca de quatro anos, durante os quais foi necessária a licença de construção do então rei Filipe I, e o acordo do Bispo de Portalegre, que parece ter colocado alguns entraves ao bom andamento dos trabalhos (TRINDADE, 1979, p. 96). A história desta fundação encontra-se bem documentada no Livro de Tombo, através do qual sabemos que, em 1589, os frades já habitavam o convento. No entanto, em 1590, a instituição surge com a designação de Convento de Nossa Senhora da Conceição, a quem teria sido dedicado. Por sua vez, a administração do mesmo foi concedida ao povo, à Câmara e vereadores, pertencendo o senhorio à Santa Sé (TRINDADE, 1979, p. 96).
A igreja que hoje conhecemos, com nave e capela-mor de planta rectangular, sofreu nova campanha de obras em meados do século XVIII, como atesta a data de 1748 patente no portal. A fachada do templo foi, com certeza, remodelada nesta época, dado que a sua composição revela uma linguagem de características barrocas, presente no portal, ladeado por pilastras de capitéis coríntios, e remate superior em aletas, com nicho central, a partir do qual nasce o amplo janelão encimado por uma vieira e pináculos laterais.
O alçado deste do templo confina directamente com o claustro do convento, de planta quadrada e arcaria de volta perfeita. Também neste espaço se fez sentir a intervenção do século XVIII, uma vez que o pequeno átrio, através do qual se acede ao claustro, e ao interior do convento, foi revestido por azulejos setecentistas, com certeza de oficina lisboeta. Com datação próxima de 1748, estes painéis representam cenas da Vida de Santo António ( Milagre do burro e Salvação do pai ) e, nos cantos que envolvem o nicho e a estrutura de madeira que o suporta, anjos com instrumentos de martírio.
Mais tarde, já depois da extinção das Ordens Religiosas, em 1834, o convento foi adquirido pelo irmão do Dr. João Diogo Juzarte de Sequeira Sameiro, que em 1856 havia instituído o Asilo dos Cegos, para aí funcionarem as instalações desta instituição (GORDO, 1935, p. 117). A planimetria conventual foi facilmente adaptada às necessidades dos invisuais, ficando no pavimento inferior os dormitórios, o refeitório, o gabinete da Direcção, a secretaria, e as aulas de instrução primária, secundária, e de música. Já no primeiro andar, situavam-se as dependências das mulheres, com a enfermaria, a cozinha, a dispensa e a sala de visitas. Os jardins, a Sul, foram aproveitados como local de passeio. No final do século XIX (1895) foram criadas oficinas de fabrico de canastras, por forma a dotar os invisuais de meios de subsistência próprios, que lhes permitissem sair do Asilo e viver integrados no seio da sociedade (GORDO, 1935, p. 122).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 513/2014, DR, 2.ª série, n.º 123, de 30-06-2014 (ver Portaria)
Procedimento (indevidamente) prorrogado até 31-12-2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de homologação de 26-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 23-02-2001 da DR de Évora para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 14-01-1997 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 3-01-1997 da DR de Évora