Nota Histórico-Artistica
SIDERURGIA NACIONAL - Edifícios e estruturas de produção, armazenamento, administração, social
Aldeia de Paio Pires, Seixal
DEMAG (empresa Alemã), Arqtº Fernando Silva
1958, 1959, 1960
De escala urbana a vasta área industrial dedicada à fabricação do aço por via integrada desenvolve-se numa orgânica lógica produtiva e de circulação, integrando um diverso universo de soluções construtivas - formais dependentes da sua feição funcional ou produtiva. Aproveitando uma área natural junto do estuário do Tejo - importante via de circulação, onde se localizavam antigos moinhos de maré, a implantação da siderurgia nacional converteu e transformou este local num sítio de excelência industrial, que à época simbolizava a modernidade e progresso nacional, correspondendo a um modelo de auto-suficiência de produção de um bem que era sinónimo de riqueza - o aço - alimentando um conjunto de indústrias ou empresas contemporâneas - caminhos-de-ferro; construção civil; obras públicas, etc..
Elemento basilar no processo de fabricação do aço por via integrada, o alto forno organiza o processo siderúrgico a montante (todas as operações para o tratamento das diferentes matérias primas) e a jusante (fabricação dos diferentes produtos - longos, laminagem, etc.), representando simultaneamente o momento da fabricação da gusa e a estrutura mais carismática do recinto produtivo.
O alto forno (DEMAG) é a máxima expressão de um formalismo exclusivamente utilitário, ostentado no gigantismo da sua dimensão e na sua sintaxe plástica, representando um paradigmático hino à imagética máquina a que o espirito Bauhausiano procurou responder. Os sólidos edifícios da aciaria e da laminagem (DEMAG), grandes naves adaptáveis à circulação aérea de imponentes maquinismos, estruturam-se em pilares construídos a partir de um sistema modulado em betão armado. De feição ascética, estes geométricos edifícios despojados de qualquer elemento decorativo, valorizam-se no seu silêncio parietal só quebrado pela imperiosa necessidade de ventilação, ao nível do solo, e pelo seu ritmado sistema de coberturas semicirculares equacionado para uma iluminação zenital associada, mais uma vez, à circulação do ar.
É no edifício da administração (F. Silva) que a gramática utilizada se identifica, mais claramente, com o léxico modernista. Fortemente marcado por uma horizontalidade cortada por uma fenestração assumida por caixilhos verticais em alumínio, o paralelepipédico volume distingue-se por um oblíquo movimento, lembrando um perfil em "borboleta", que agarra os pilotis discretamente disfarçados pelo uso de materiais como o vidro ou a pedra, formando um recuado vão fechado e no qual se instalaram alguns serviços e a nobre entrada valorizada por escada helicoidal.
A fabricação do aço por via integrada finalizou no ano 2001. O alto forno foi substituído por um forno eléctrico que fabrica o aço aproveitando e reciclando sucata. De valor patrimonial inquestionável, o conjunto industrial da antiga siderurgia nacional encerra um ciclo técnico que se desenvolveu ao longo de vários séculos. O emblemático alto forno sintetiza e integra a máxima expressão técnica da produção do aço em Portugal no século XX.
Deolinda Folgado/ Docomomo Ibérico
Maio 2002
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-CO/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ver Portaria)
Anúncio n.º 6532/2012, DR, 2.ª série, n.º 62, de 27-03-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Parecer favorável de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 26-10-2011 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como MIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 27-03-2007 da vice-presidente do IPPAR, face ao valor inquestionável do conjunto
Processo instruído em 16-03-2007 pela DR de Lisboa
Proposta de classificação de 8-03-2001 da CM do Seixal
Número do Processo
Não disponível