Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Lagar de Azeite do Pinhalzinho, situado numa quinta com o mesmo nome, encontra-se no perímetro urbano da Aldeia de Paio Pires. O imóvel insere-se hoje na propriedade da empresa de "Transportes Gama, S.A." que instalou, no espaço da antiga quinta, desde 1992, garagem, escritórios e serviços de apoio. Contudo, na envolvente direta do imóvel, subsistem vários exemplares do olival da antiga propriedade que deram origem à construção deste lagar segundo os processos tradicionais.
O edifício apresenta uma volumetria paralelepipédica e estrutura de paredes autoportantes em alvenaria de adobe e argamassa de cal, rebocada e pintada. Os vãos, emoldurados a cantaria, contêm arcos de ressalva, em tijolo maciço, sobre as vergas. A cobertura é de duas águas com estrutura em asnas de madeira e revestimento em telha-vã cerâmica, do tipo Marselha, com beirados em telha de meia-cana. Em termos de organização espacial, o lagar conserva as suas caraterísticas funcionais, organizando-se em dois espaços essenciais: o de laboração, de piso único, acolhendo a casa das tulhas, lagar e inferno e o espaço residencial, destinado ao proprietário ou arrendatário do engenho, de dois andares compartimentados em várias dependências e localizado num dos extremos do conjunto. No interior do imóvel, podemos encontrar também in situ , o equipamento principal de fabrico de azeite, que se enquadra nos processos de produção tradicionais: um moinho de três galgas cilíndricas, em granito, acionado por meio de tração animal, utilizado na trituração e moenda da azeitona e uma prensa de duas colunas e parafuso central em ferro, associada a sarilho (através do qual se procedia ao aperto), onde a massa da azeitona, depois de devidamente enseirada e encastelada, era prensada e espremida, extraindo-se o azeite. No mesmo espaço existe ainda uma estrutura, construída em tijolo cerâmico, com duas tarefas para decantação do azeite, fornalha e chaminé, estrutura parcialmente reconstruída aquando da última intervenção de reabilitação do imóvel, realizada pelo proprietário, entre 2008 e 2009. Permanece no lagar o vasilhame metálico para onde o azeite era vertido depois de depurado, bem como diversos utensílios de medida, entre outros objetos associados a esta atividade, também eles intervencionados pelo proprietário.
Do imóvel fazem parte outros compartimentos, como a abegoaria e dormitório (casa dos bois), e a casa do bagaço (adaptada a casa de habitação).
História
Não se conhece a data de fundação da quinta - denominada Quinta de Vale de Abelha e Quinta do Pinhalzinho - onde se insere este equipamento agrícola. O edifício, construído para albergar inicialmente um lagar de vinho do qual ainda subsistem alguns vestígios, deverá remontar ao século XIX, atendendo ao seu sistema construtivo, materiais da construção, morfologia das edificações e tipologia de equipamento.
Na sequência de venda da propriedade, o lagar de vinho terá sido deslocado para outro local, adaptando-se então o imóvel a lagar de azeite.
Em 1926, o lagar de azeite foi comprado a Pedro António Monteiro Barros, por José de Sousa e Maria do Rosário, tendo transitado para o seu filho, José de Sousa e família, que o manteve em atividade até 1956. De facto, foi sobretudo a partir da memória oral que se conseguiu efetuar a leitura e a interpretação do espaço de laboração do lagar, bem como de outros espaços associados e complementares àquela função.
O espaço foi recuperado em 2009 pela empresa "Transportes Gama, S.A", encontrando-se aberto esporadicamente, para visitas.
Maria Ramalho/DGPC/2016 com a colaboração de Fátima Afonso, Jorge Raposo, João Paulo Santos e Ana Luísa Duarte/Divisão de Património Histórico e Museus da C.M. Seixal.