Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizada sobre a ribeira de Quelfes, numa zona rural do interior do Sotavento algarvio, hoje pontuada por minifúndios ribeirinhos, a ponte que irá adotar a mesma designação da ribeira possuiu, na atualidade, um único arco de volta perfeita definindo uma curvatura levemente abatida e ultrapassada. O imóvel apresenta, igualmente, uma dupla rampa ascendente com o ponto máximo de elevação sobre o eixo vertical do arco que é composto, na sua parte inferior, por grandes silhares de pedra bem aparelhada e saliente nos pés-direitos. Nas imediações, com ligação à ponte, subsistem estruturas de escoamento das águas. O tabuleiro, por sua vez, apresenta-se totalmente calcetado com pedras de calcário de média dimensão sendo as guardas arredondadas no topo em alvenaria de pedra devidamente rebocada e caiada.
História
Segundo o investigador Fernandes Mascarenhas, o sistema de escoamento das águas da ponte seria de época romana (MASCARENHAS, 1974, p.21) o que, juntamente com o abundante material recolhido na zona com a mesma cronologia, designadamente um fragmento de inscrição de carácter religioso (IDEM, p.22), levaria a concluir que fosse esta uma obra romana. No entanto, existem indícios suficientes para considerar ter existido uma campanha construtiva posterior, nomeadamente de cronologia medieval. A dupla rampa ascendente, por exemplo, é uma característica que aponta para tal, assim como a curvatura levemente ultrapassada do arco, algumas secções de aparelho não-isódomo (recorrendo a cotovelos e a pedra de menor qualidade nas partes superiores). Em todo o caso não foi ainda elaborado um estudo rigoroso da ponte, nomeadamente com o recurso a uma análise arqueológica do imóvel e do seu entorno.
Em termos históricos a ponte de Quelfes adquiriu um carácter emblemático para a população local, dado que, a 18 de Junho de 1808, nas suas imediações, foi travada uma batalha entre os habitantes de Olhão e Moncarapacho com as tropas francesas. Os franceses acabaram por bater em retirada chegando mesmo a ser perseguidos até ao sítio da Meia-Légua localizado na planície ribeirinha entre Faro e Olhão. Em 1989, no contexto das comemorações das revoltas olhanenses contra as forças napoleónicas, foi ali colocada uma placa comemorativa da batalha, transformando assim, esta singela ponte, num importante monumento-memória da história local estreitamente ligado à própria génese da cidade de "Olhão da Restauração".
Atualmente a velha ponte de Quelfes encontra-se consolidada depois de uma intervenção que conseguiu travar o estado de ruína iminente resultado do impacto das cheias que, por vezes, assolam este território.
Paulo Fernandes/IPPAR/2004, atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2017 com o apoio de Sandra Romba/CMO.
Diploma de Classificação
Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível