Nota Histórico-Artistica
O Palácio de Santo Antão do Tojal, tal como o conhecemos hoje, é o resultado da intervenção setecentista, patrocinada pelo primeiro patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, e à qual se encontra indissociavelmente ligado o nome do arquitecto italiano Antonio Canevari. Este, permaneceu no nosso país entre 1727 e 1732, trazendo consigo um "barroco classicizante e congelado, aberto à decoração rococó e a qualquer evolução ecléctica" (GOMES, 1988, p. 23). A intervenção em Santo Antão do Tojal é considerada uma das suas obras mais significativas. Seguindo, com certeza, os desejos de D. Tomás de Almeida, Canevari modificou profundamente os edifícios, mas sempre com uma preocupação urbanística, criando assim uma espécie de cidade ideal hipotética (PEREIRA, 1999, p. 150) e "um dos mais conseguidos trechos de urbanismo barroco de sabor romano do Portugal setecentista" (HORTA CORREIA, 1989, p. 509).
As primeiras referências a esta Quinta surgem na documentação do século XIII, com a designação de Quinta de Pêro Viegas. Não sabemos em que época se construíram a igreja e palácio, mas em 1554 já necessitavam de obras, que foram realizadas pelo então Bispo de Lisboa, D. Fernando de Menezes e Vasconcelos, e concluídas por D. Miguel de Castro (CLARA, p. 20). Como já referimos, a grande intervenção que transformou esta propriedade de cariz rural em quinta de recreio, ocorreu em 1730, e foi uma iniciativa de D. Tomás de Almeida, que em 1717 havia sido elevado à categoria de Patriarca (e em 1737 à de Cardeal). Santo Antão do Tojal ficava na estrada que ligava Lisboa a Mafra, pelo que as obras empreendidas tinham, entre outros objectivos, dotar a antiga propriedade do necessário conforto para acolher o Rei, sempre que este aqui pretendesse descansar, durante o percurso entre a capital e o novo palácio-convento.
Assim, ao primitivo palácio de planta em L, foi acrescentado um corpo, que formava um U, fechado por um muro alto, onde se abre o imponente portão coroado pelas armas dos Almeidas. No seu interior, as salas do piso nobre são revestidas por painéis de azulejo com temática muito variada, atribuídos a Bartolomeu Antunes ou a um artista próximo. Por sua vez, os painéis das escadarias, onde se destacam as figuras de convite, podem ter sido executados por Nicolau de Freitas.
A antiga igreja, ligada ao palácio, viu o seu espaço interno unificado e revestido por azulejos e talha dourada, com as armas patriarcais pintadas no tecto. Do lado esquerdo ergue-se a torre, e o terraço a partir do qual D. Tomás de Almeida podia passar do palácio à Sala das Bênçãos, sempre à vista da população. Esta sala abria-se simultaneamente para a igreja e para a praça, através de um balcão, à maneira de Mafra ou de São Pedro de Roma (PEREIRA, 1999, p. 150).
Na fachada italianizante da igreja, com as imagens de São Bruno, Rainha Santa Isabel e Imaculada Conceição, desembocava a artéria de acesso a Santo Antão. Do lado esquerdo desenvolvia-se surpreendentemente, a praça, delimitada pelo já referido solar e, ao centro, pelo novo palácio e fonte, da autoria de Canevari. Este chafariz monumental é uma composição barroca, antecedida por escadaria e enquadrada pelos braços do palácio, que concentra em si uma forte carga visual e cenográfica, acentuada pela água, que cai em diversos níveis, transformando o espaço numa praça verdadeiramente monumental. Esta fonte era abastecida pelo aqueduto, que trazia água de Pintéus e que havia também sido concebido pelo arquitecto italiano. Os seus arcos bem visíveis, na última parte do percurso, abasteciam também a população, através de um outro chafariz, enquadrando-se numa política de melhoria das condições da população, defendida pelo arcebispo (PEREIRA, 1999, p. 150).
Para além destes elementos, recordemo-nos que faziam ainda parte deste ambicioso projecto os jardins de recreio, com todo um equipamento próprio da época (bancos, fontes...).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-AH/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ampliou a classificação, alterou a designação e alterou a categoria de classificação para MIP) (ver Portaria)
Edital de 20-01-2010 da CM de Loures
Despacho de homologação de 21-12-2009 da Ministra da Cultura
Parecer favorável de 12-11-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 1-10-2008 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a ampliação da classificação
Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (classificou como IIP o Palácio da Mitra, com os seguintes anexos: a antiga igreja, o chafariz monumental, o aqueduto, o pombal existente na quinta do Palácio, com os seus azulejos decorativos, e o portão que dá entrada directa à quinta e que se encontra à direita e um pouco distanciado da igreja) (ver Decreto)
Decreto n.º 30 838, DG, I Série, n.º 254, de 1-11-1940 (ver Decreto) (suspendeu o diploma anterior quanto aos imóveis que fossem propriedade particular, até que se cumprisse o disposto no art.º 25.º do Decreto n.º 20 985, DG, I Série, n.º 56, de 7-03-1932 (ver Decreto)
Decreto n.º 30 762, DG, I Série, n.º 225, de 26-09-1940 (classificou como IIP o Palácio da Mitra, com os seguintes anexos: a antiga igreja, o chafariz monumental, o aqueduto e ainda o pombal existente na quinta do Palácio, com os seus azulejos decorativos, e o portão que dá entrada directa à quinta e que se encontra à direita e um pouco distanciado da igreja) (ver Decreto)
Despacho de homologação de de 13-03-1940 do Ministro da Educação Nacional
Parecer de 12-01-1940 da JNE a propor a classificação como IIP
Número do Processo
Não disponível