Nota Histórico-Artistica
A Quinta da Abelheira pertencia, no século XVIII, a Inês de Castelo Branco e seu marido, João Guedes de Vilhegas. Foi no seguimento deste casamento que a casa e a capela conheceram profundas transformações, encontrando-se o casal sepultado nesta última, dedicada a Nossa Senhora do Socorro.
Contudo, a permanência nesta área dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, do Mosteiro de S.Vicente de Fora, em Lisboa (a quem algumas terras da região haviam sido doadas por D. Afonso Henriques), levou a que à Quinta da Abelheira se juntasse, em 1751, a Quinta dos Arrais, pertença da família Castelo Branco desde o último quartel do século XV.
Os Cónegos de São Vicente terão levado a cabo uma nova campanha de obras na Abelheira, possivelmente após o terramoto de 1755, quando se mudaram para a Quinta. Cremos que a azulejaria da capela remonta a esta intervenção, uma vez que, apesar da manutenção do azul e branco, as molduras com concheados apontam para uma cronologia claramente rococó.
O edifício foi, assim, sendo objecto de sucessivas intervenções arquitectónicas e decorativas, mantendo-se, contudo, o seu traçado setecentista. A planta quadrada, aberta por pátio central, não se encontra entre as soluções mais comuns desta época. O mesmo não se pode afirmar no que diz respeito à composição dos alçados, com vãos simétricos e regulares em ambos os pisos, cuja diferenciação é acentuada por um friso que percorre a casa. No alçado Sul, dois lanços de escadas convergem, no andar nobre, numa varanda alpendrada, assente sobre modilhões. No piso térreo, abre-se uma porta em arco de volta perfeita, com moldura.
O acesso à capela faz-se através de uma porta encimada por frontão triangular. No seu interior, ganha especial interesse o conjunto de azulejos que reveste os panos murários, bem como o retábulo, com uma tela representando a padroeira, Nossa Senhora do Socorro.
Tendo funcionado como casa agrícola na segunda metade do século XVIII, a Quinta conserva algumas das dependências e anexos utilizados para este fim. Os jardins, desenvolvidos em socalcos, apresentam o equipamento paisagístico próprio da época - vasos e outros elementos escultóricos -, que convidavam à fruição destes espaços.
Já no século XIX instalou-se aqui uma fábrica de papel - Fábrica de Papel da Abelheira -, mantendo-se em funções até 1970. Mais recentemente, o PDM correspondente a esta zona prevê a sua reconversão para fins turísticos (CMLoures, 2001).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Declaração de rectificação n.º 9-J/98, DR, I Série-B, n.º 100 (suplemento), de 30-04-1998 (rectificou a designação para Palácio da Quinta da Abelheira, seus jardins e envolvente florestada) (ver Declaração)
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (classificou a Quinta da Abelheira, seus jardins e envolvente florestada) (ver Decreto)
Edital de 29-11-1993 da CM de Loures
Despacho de concordância de 28-08-1989 do Secretário de Estado da Cultura
Informação de 24-08-1989 do Conselho Consultivo do IPPC a juntar planta com a delimitação do bem que foi mandado classificar como IPP
Despacho de homologação de 3-01-1989 da Secretária de Estado da Cultura
Informação de 29-12-1988 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP do Palácio da Quinta da Abelheira, seus jardins e envolvente florestada
Processo iniciado em 1978 na DGPC
Número do Processo
Não disponível