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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Ruínas de São Miguel de Odrinhas

Arqueologia / Capela

Designação
Designação Atual
Ruínas de São Miguel de Odrinhas
Outras Designações
Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas / Ruínas de São Miguel de Odrinhas / Museu de São Miguel de Odrinhas (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Em Odrinhas existiu um relevante estabelecimento romano, de que se conserva um notável conjunto de inscrições, a maior parte delas referente à tribo Galéria. Dispersas pelas imediações da capela de São Miguel da localidade, foram objecto de recolha desde, pelo menos, o século XVI, aqui se foi constituindo um dos mais impressionantes núcleos de visibilidade da civilização romana do aro de Lisboa, que não passou despercebido aos nossos pioneiros investigadores de finais do século XIX e inícios do XX.
O mais importante vestígio do conjunto de ruínas, todavia, é o que resta de uma dependência de planta em ferradura, executada com aparelho substancialmente distinto do que as estruturas plenamente romanas. Os primeiros estudiosos que se dedicaram a esta estranha construção hesitaram entre uma catalogação romana e paleocristã (Cf. CORREIA, 1928, p.378). Na década de 50 do século XX, D. Fernando de Almeida, que efectuou escavações no conjunto, concluiu tratar-se da ábside de uma antiga basílica cristã edificada pelo século VI. No entanto, esta perspectiva não foi consensual e, nas últimas décadas, apareceram outras tentativas de caracterização, a maior parte das quais tentando inserir a estrutura no mundo tardo-romano (HAUSCHILD, 1986, p.151): um possível mausoléu, que repete formulários áulicos característicos do Centro do Império romano (MACIEL, 1995, p.115) ou a sala nobre da uilla tardo-antiga, como pensa José Cardim RIBEIRO. A discussão está longe de se encerrar e, enquanto não existirem dados mais rigorosos acerca das diacronias em presença, valerá a pena ter em consideração as palavras de Carlos Alberto Ferreira de ALMEIDA, 1986, p.9, que ponderou uma "atribuição mais tardia, sobre a época da Reconquista".
Independentemente deste debate, tudo leva a crer que o estabelecimento romano tenha sido cristianizado, com grande probabilidade ainda durante a Alta Idade Média. O facto de algumas sepulturas aparentemente romanas evidenciarem marcas de reutilização cristã é um aspecto fundamental para uma melhor caracterização da evolução cronológico-funcional deste sítio.
Desconhece-se o impacto que o mundo muçulmano teve na uilla, tendo-se identificado apenas um conjunto de inscrições moçárabes (REAL, 1995, p.60; BARROCA, 2000, pp.54-60) de uma igreja existente na vizinha localidade de Faião e recolhidas no Museu. A nova ordem cristã imposta pela Reconquista, determinou um renovado interesse pelo local e terá sido a partir de então que se edificou outro templo, antecessor da moderna capela de São Miguel. Dos séculos XII a XV são as numerosas cabeceiras de sepultura identificadas na necrópole anexa, bem como a imagem gótica de São Miguel, que tutelou a capela-mor do templo até ao século XX.
O renovado Museu de Odrinhas é herdeiro de uma longa tradição de salvaguarda dos vestígios antigos do local, verificando-se as primeiras iniciativas neste local em pleno Renascimento, ao abrigo do Humanismo e fascínio pelo passado romano do Ocidente europeu. Em 1955, a Câmara Municipal de Sintra lançou as bases modernas do museu, por intermédio de Joaquim Fontes, primeiro director da instituição, depois de uma tentativa frustrada de alguns eruditos em transportar o espólio para um grande museu nacional (cf. FONTES, 4ªed., 1979, p.12). O actual plano museológico iniciou-se em meados da década de 90 do século XX e teve como principal impulsionador José Cardim Ribeiro. Baseando o projecto na complexa realidade histórica local, "plurifacetada de muitas arqueologias" (RIBEIRO, SIMÕES e COELHO, 1999, p.151), o programa permite uma viagem a núcleos cronológicos e culturais distintos, que cobrem praticamente 6000 anos de História da região. Para além das colecções, o museu possui numerosas áreas complementares, como uma Biblioteca especializada, auditório e sala de exposições temporárias, tudo em procurada sintonia arquitectónica e espacial com as ruínas da uilla romana e altimedieval e com a capela de São Miguel.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 42 692, DG, I Série, n.º 276, de 30-11-1959 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 9-05-1959
Parecer de 15-05-1959 da 1.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 6-05-1959 da DGEMN
Número do Processo
Na estrada de Sintra- Ericeira
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 181502
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Sintra / São João das Lampas e Terrugem
Avenida Prof. Dr. D. Fernando de Almeida
São Miguel de Odrinhas -
Polícia:
LATITUDE
38.886961
LONGITUDE
-9.365983
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1928
1928, p.378).
1955
1955, a Câmara Municipal de Sintra lançou as bases modernas do museu, por intermédio de Joaquim Fontes, primeiro dire...
1959
1959 (ver Decreto) Despacho de homologação de 9-05-1959 Parecer de 15-05-1959 da 1.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a...
1979
1979, p.12).
1986
1986, p.151): um possível mausoléu, que repete formulários áulicos característicos do Centro do Império romano (MACIE...
1995
1995, p.115) ou a sala nobre da uilla tardo-antiga, como pensa José Cardim RIBEIRO.
1999
1999, p.151), o programa permite uma viagem a núcleos cronológicos e culturais distintos, que cobrem praticamente 600...
2000
2000, pp.54-60) de uma igreja existente na vizinha localidade de Faião e recolhidas no Museu.
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Inscrições existentes na Igreja de São Miguel de Odrinhas PEREIRA, Félix Alves Edição 1908
"Por caminhos da Ericeira (Notas arqueológicas e etnográficas)", O Archeologo Portuguez, nº19, pp.324-326 PEREIRA, Félix Alves Edição 1914 Lisboa
Roman Portugal ALARCÃO, Jorge Manuel N. L. Edição 1988 Warminster
Arte visigótica em Portugal ALMEIDA, Fernando de Edição 1962 Lisboa
Museu arqueológico de São Miguel de Odrinhas ALMEIDA, Fernando de, FONTES, Joaquim Edição 1979 Sintra
"Escavações em Odrinhas", Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, vol. 39, pp.11-25 ALMEIDA, Fernando de Edição 1958 Lisboa
"Inscrições paleocristãs do Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas", Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, vol. 39, pp.27-38 ALMEIDA, Fernando de Edição 1958 Lisboa
"Notícia de mosaicos romanos em Odrinhas", Revista de Guimarães, nº72 ALMEIDA, Fernando de Edição 1962 Guimarães
"Inovação e resistência: dados recentes sobre a antiguidade cristã no ocidente peninsular", IV Reunião de Arqueologia Cristã Hispânica (Lisboa, 1992), 1995, pp.17-68 REAL, Manuel Luís Edição 1995
"O novo Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas - um projecto arrojado?", O Arqueólogo Português, série IV, vol. 17, pp.151-156 RIBEIRO, José Cardim, SIMÕES, Teresa, COELHO, Catarina Edição 1999 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. 2 (Alta Idade Média) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
"Notícia de três inscrições lusitano-romanas de Janas e de S. Miguel de Odrinhas", Brotéria, vol. 61 FERREIRA, Fernando Bandeira Edição 1955 Lisboa
"Lápide romana de S. Miguel de Odrinhas, concelho de Sintra", Portucale, nº.13 VASCONCELOS, José Leite de Edição 1940 Lisboa
"Arte visigótica", História da Arte em Portugal, vol. I, 1986, pp.149-169 HAUSCHILD, Theodor Edição 1986 Lisboa
"300 Sítios arqueológicos visitáveis em Portugal", Al-madan RAPOSO, Jorge Edição 2001 Almada
"Novas inscrições romanas do Museu Arqueológico de Odrinhas", Revista de Guimarães, vol. 68, separata CARDOSO, Mário de Vasconcelos Edição 1958 Guimarães
"Novas inscrições lusitano-romanas do Museu de São Miguel de Odrinhas", Revista de Guimarães, vol. 71 CARDOSO, Mário de Vasconcelos Edição 1961 Guimarães
Catálogo das inscrições lapidares do Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas CARDOSO, Mário de Vasconcelos Edição 1956 Sintra
Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas, 3ªed. FONTES, Joaquim Edição 1975 Sintra
"A Época Clássica e a Antiguidade Tardia", História da Arte Portuguesa, vol. I MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1995 Lisboa
Antiguidade Tardia e paleocristianismo em Portugal MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1996 Lisboa
A Antiguidade Tardia no "ager" olisiponense : o Mausoléu de Odrinhas MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1999 Porto
"Arte visigótica", História de Portugal, dir. Damião Peres, Barcelos, Portucalense, 1928, pp.363-388 CORREIA, Vergílio Edição 1928
"Antiguidades romanas do termo de Cintra", Boletim da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses, vol. VI, pp.9-12 BARRETO, António Gomes Edição 1888 Lisboa
Velharias de Sintra, vol. IV AZEVEDO, José Alfredo da Costa Edição 1982 Sintra

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Fonte de Cabreia, também denominada «Fonte Velha»
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