Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Implantado numa enseada localizada no extremo da Praia Norte, na freguesia da Areosa, em Viana do Castelo, o Fortim da Areosa corresponde a uma fortificação de planta estrelada de pequenas dimensões. A estrutura é composta por quatro ângulos, ou redentes. Na face virada a terra, os redentes são ligados por cortina de alvenaria de pedra, em ângulo invertido, onde foi rasgada a porta de acesso, de arco de volta perfeita. Na face virada ao mar os redentes flanqueiam a bateria, em forma de meia-lua, com plataforma a barbete. No espaço interior encontram-se vestígios de edificações e da rampa de acesso à bateria.
Atualmente, e apesar de ter sofrido danos na estrutura, o fortim integra um dos percursos ambientais dos arredores da cidade de Viana do Castelo.
História
O Fortim da Areosa foi erigido na última década do século XVII, por ordem do monarca D. Pedro II, para reforçar o sistema defensivo então existente na zona costeira do Alto Minho. Este pequeno reduto militar tinha como objetivo reforçar a defesa da barra do rio Lima e do porto de Viana da Foz do Lima, cruzando fogo com a Fortaleza de Santiago, localizada poucos quilómetros a sudeste. A edificação terá sido levantada entre os últimos anos de Seiscentos e 1701, data apontada por Figueiredo da Guerra para a sua conclusão (GUERRA: 1926, p. 689).
Esta estrutura defensiva integra-se num conjunto de fortificações construídas entre as zonas de Vila Praia de Âncora e Esposende, numa época posterior à Guerra da Restauração, cujas semelhanças planimétricas e o facto de terem sido erigidas no mesmo período permitem considerar que na última década de Seiscentos foi elaborado um plano construtivo de novas estruturas militares para reforçar a linha de defesa da fronteira noroeste do Reino. Na zona entre os rios Minho e Lima foram erigidos os fortes do Cão e da Lagarteira, e os fortins da Areosa e de Montedor, que viriam assim reforçar o poder de fogo das fortalezas já existentes no litoral minhoto, então considerado insuficiente.
Este fortim, também conhecido localmente como Forte da Vinha ou Castelo Velho, apresenta flagrantes semelhanças com o Forte do Cão, em Caminha, sendo possível que, à semelhança deste, integrasse baluartes nos vértices.
Depois da sua desativação militar, o Fortim da Areosa foi votado ao abandono. Foi classificado como de interesse público em 1970, poucoas anos depois da classificação do conjunto de fortes acima citados. A estrutura recebeu obras de consolidação e restauro em 1972, 1973 e 1978, realizadas pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. No ano de 1983 a afetação só espaço foi transferida para a alçada da Comissão Regional de Turismo do Alto Minho. Cerca do ano 2000, foi elaborado o projeto do Centro de Interpretação e Apoio a Percursos Ambientais, da autoria do arquiteto Luís Teles, para ser instalado nas imediações do fortim.
Catarina Oliveira
DGPC, 2020
Diploma de Classificação
Decreto n.º 251/70, DG, I Série, n.º 129, de 3-06-1970 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível