Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Implantado na margem direita da foz do Rio Lima, no extremo oeste de Viana do Castelo, o Forte de Santiago da Barra é uma estrutura de planta estrelada irregular, constituída por quatro baluartes: dois virados a terra designados de São Filipe e de São Pedro, um virado ao rio denominado de São Rafael, e o que se vira ao mar, o de São Gabriel. Estes são unidos por cortinas retas de aparelho de granito e reforçados por dois revelins, implantados a norte e a este. O acesso aos baluartes é feito por rampa com lajes de pedra.
Entre os baluartes de São Filipe e de São Gabriel estende-se a plataforma de São Tiago, onde se implanta a Torre da Roqueta (ver descrição complementar). Os ângulos são coroados por guaritas cilíndricas com cúpula rematada por pináculo com bola, que assentam sobre mísulas.
A entrada na fortaleza faz-se por uma ponte larga, suspensa sobre o fosso que circunda a estrutura, que conduz ao portal de volta perfeita ladeado por pilastras, encimado pelo brasão de D. João de Sousa, governador do forte em 1700, e rematado na cornija pelo escudo de Portugal.
No interior erguem-se os antigos quartéis da Cavalaria, do Sargento e do Governador, todos de planta rectangular mas de diferentes dimensões. No lado norte da praça de armas erguem-se o antigo paiol e ao lado deste situa-se a capela.
História
No século XV Viana da Foz do Lima (a antiga Viana do Castelo) tornou-se um dos portos marítimos portugueses mais importantes, mantendo uma rede comercial regular com outros centros mercantis da Europa, como Inglaterra, Flandres, França ou Galiza. Ao longo das décadas seguintes a vila e a sua rede comercial cresceram, e as muralhas medievais deixaram de ser suficientes para defender o porto, tornando-se evidente que era imprescindível defender a barra do rio Lima. Cerca de 1502 o rei D. Manuel I mandou construir a Torre da Roqueta, uma fortaleza abaluartada situada no extremo oeste da vila, que serviu a defesa da foz nas seis décadas seguintes.
Em 1567 iniciaram-se os estudos preparatórios de uma cerca rectangular que aproveitava a torre manuelina como cunhal sudoeste da sua muralha, da autoria de Simão de Ruão. As obras decorreram entre 1568 e 1572, sendo custeadas pela Coroa e pela população local.
Já durante o reinado de D. Filipe I a fortificação foi remodelada e ampliada. Em Dezembro de 1588, o engenheiro Filipe Terzi deslocou-se a Viana por ordem do monarca para estudar o forte aí existente e desenhar uma nova fortaleza. Em Outubro de 1589, Terzi terá regressado à Foz do Lima "com a planta e as instruções necessárias" para a edificação do Forte de Santiago (RIBEIRO: 2016, pp. 59-61). A obra, iniciada nesse ano de 1589, seria dirigida pelo mestre de campo Pedro Vermudez de Santisso, sendo possível que Tibúrcio Spannochi ou um dos irmãos Fratin tenham realizado alterações ao traçado, delineando o reforço do dispositivo defensivo inicialmente projectado. A empreitada durou até 1593, data em que o forte seria provido de artilharia pela primeira vez.
O Forte de Santiago voltou a receber obras de remodelação entre 1652 e 1654, construindo-se então o baluarte de São Pedro. Entre 1686 e 1703 foram realizadas obras de reforço e ampliação, com a edificação dos revelins e de alguns edifícios no interior da praça de armas, numa empreitada dirigida numa primeira fase por Miguel de Lescole e, a partir de 1693, por Manuel Pinto de Villalobos.
Entre o início do século XVIII e o último quarto do século XX a fortaleza de Viana manteve a actividade militar. Classificado como imóvel de interesse público em 1967, o edifício passou para a tutela do Ministério das Finanças em 1979. A partir de 1983 instalou-se no forte o organismo de Turismo da região, que aí se encontra sedeado até à atualidade. No espaço funciona também a Escola de Hotelaria de Viana.
Catarina Oliveira
DGPC, 2020
Diploma de Classificação
Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível