Nota Histórico-Artistica
Localizados entre Mafra e Torres Vedras, o Povoado da Serra do Socorro e a Capela de Nossa Senhora do Socorro encontram-se implantados no topo da Serra do mesmo nome, de forma destacada e com excelente visibilidade sobre toda a região envolvente.
O povoado fortificado da Idade do Ferro apresenta forma ovalada, ocupando uma área total com cerca de trezentos metros no seu eixo maior e cem no menor, delimitada por amuralhado erguido com blocos de basalto, cujo acesso interior era realizado através de duas entradas, uma das quais lajeada. E apesar de ainda não se ter procedido a um estudo mais profundo e sistematizado deste sítio arqueológico, o material recolhido até ao momento permitirá confirmar o seu prolongamento ocupacional já em plena época romana e medieval. Alguns dos artefactos colhidos encontram-se presentemente expostos ao público no Museu Municipal de Torres Vedras, que ostentao nome de Leonel Trindade, um dos primeiros investigadores a prospectar o local.
Embora não se conheça exactamente as suas origens, e apesar da tradição popular fazer remontar a sua utilização primeva ao período da ocupação árabe, quando teria sido fruída como mesquita, posteriormente convertida em templo cristão por D. Afonso Henriques (1109-1185), a capela que se ergue actualmente no centro do primitivo povoado proto-histórico resultará de uma campanha gótico-manuelina executada no século XVI na ermida com o orago de N. Sra. do Socorro, construída entre os séculos XII e XIII. Nesta altura, terão sido construídas algumas habitações em seu redor, designadamente para albergar os romeiros que afluíam em grande número ao local, ainda hoje objecto de significativa devoção, confirmada, aliás, pelas festividades anuais (a cinco de Agosto), que contemplam missa solene, procissão e arraial, cujo terreiro era, até 1668, arrematado, revertendo o valor assim obtido a favor da ermida.
Por conseguinte, foi entre quinhentos e seiscentos que a capela adquiriu as características construtivas manuelinas presentemente visíveis, beneficiando-se o seu interior ao longo dos séculos subsequentes, embora o aspecto geral hoje patenteado resulte das campanhas efectuadas já nas primeiras décadas do século XIX, até que, em 1996, um incêndio deflagrou na sala das velas, consumindo o coro e enegrecendo parte significativa da nave e da capela-mor, tendo-se já procedido a algumas intervenções de conservação.
Precedida de galilé com abóbada de berço, a capela, de nave única, é coberta por abóbada de cruzaria de ogivas, de nervuras chanfradas com bocetes decorados assentes sobre colunas com capitéis alusivos a elementos náuticos. De planta quadrada, a capela-mor apresenta-se cortada aos cantos por nichos, forrada lateralmente com painéis azulejares, executados a azul e branco evocativos, dos quatro Evangelistas (Mateus, Marcos, Lucas e João) e coberta por abóbada de nervuras. No altar-mor, de talha pintada e dourada, sobressai, sobre o sacrário, a imagem de Nossa Senhora do Socorro com o menino nos braços, ladeada por três nichos ostentando as imagens de São Joaquim e de Santa Ana.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 26-A/92, DR, I Série-B, n.º 126, de 1-06-1992 (ver Decreto)
Edital N.º 261/90 de 23-07-1990 da CM de Mafra
Edital N.º 69/90 de 20-07-1990 da CM de Torres Vedras
Despacho de concordância de 27-11-1989 da Secretária de Estado da Cultura
Parecer favorável de 6-11-1989 do Conselho Consultivo do IPPC, propondo a análise em conjunto com o processo de classificação da capela gótico-manuelina de Nossa senhora do Socorro
Proposta de 7-07-1989 de técnico do IPPC para a classificação como IIP do Povoado da Serra do Socorro
Número do Processo
Serve de divisória entre os concelhos de Mafra e Torres Vedras e 3 freguesias, Enxara do Bispo, Turcifal e Dois Portos)