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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Ruínas de Tróia

Arqueologia / Conjunto

Designação
Designação Atual
Ruínas de Tróia
Outras Designações
Ruínas romanas de Tróia / Povoado romano de Tróia (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Conjunto
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Sítio
O sítio arqueológico de Tróia localiza-se na península com o mesmo nome, numa restinga de areia que separa o estuário do Sado do Oceano Atlântico justificando-se assim esta implantação pela riqueza de recursos marinhos e fluviais existentes. A área integra-se numa paisagem dunar que sofreu profundas alterações ao longo do tempo sendo provável que, durante o período romano, este território possuísse um carácter insular.
As ruínas identificadas, entre as mais relevantes existentes no País, referem-se a um aglomerado urbano-industrial, integrando um grande complexo de produção de preparados de peixe distribuído por diferentes núcleos de oficinas, tendo até ao momento sido referenciadas 25 com os seus tanques (cetárias) num total de 182, bem como as respetivas estruturas hidráulicas associadas. Estas oficinas destinavam-se a produzir diferentes preparados de peixe (destacando-se o célebre garum), produtos estes que depois eram exportados para todo o Império Romano no interior de ânforas especialmente concebidas para o efeito. Uma destas oficinas, a oficina 1, é considerada uma das maiores existentes em todo o mundo.
Perto da oficina 2 foi construído um mausoléu datado dos finais do séc. II, inícios do séc. III d. C com uma planta quase quadrangular de 7,40m por 7,00m. Nas paredes deste edifício é visível o columbarium, conjunto de nichos destinados a albergar as urnas com as cinzas dos defuntos mas, ao nível do solo, surgem já sepulturas de inumação, uma prática introduzida em Tróia no séc. II d. C, reforçando assim o interesse arqueológico deste espaço. Também no exterior do mausoléu, por vezes mesmo sobre tanques de salga, subsistem sepulturas tardias já com uma orientação cristã (cabeça para noroeste) que deverão datar da segunda metade do século V d. C.
Do complexo arqueológico faz ainda parte uma basílica paleocristã dos finais do século IV, inícios do V, correspondendo a um edifício de grandes dimensões (21,7 x 11,5m) construído sobre uma oficina abandonada. Ostenta uma planta retangular com vestígios de 8 bases de colunas e arranques de 3 arcadas que segmentam o espaço interior em naves e cujas paredes da abside, localizada a Oeste, são pintadas a fresco com motivos vegetalistas e geométricos. Um relevo em mármore dedicado ao Deus Mitra descoberto neste espaço, parece indicar que este culto terá precedido o cristão.
O sítio arqueológico de Tróia conserva ainda as estruturas do aglomerado urbano com uma ocupação que se estende desde o século I ao VI d. C, com áreas residenciais destinadas certamente aos trabalhadores e proprietários da fábrica.
Junto à oficina de maiores dimensões subsiste um núcleo termal com as suas diferentes áreas de utilização.
Dentro do conjunto de materiais arqueológicos identificados, destacam-se os recipientes de armazenamento (dolium e ânforas) assim como as cerâmicas finas (terra sigillata).

História
Os vestígios arqueológicos de Tróia são conhecidos pelo menos desde o séc. XVI, tendo a primeira intervenção arqueológica sido realizado no século XVIII pela mão da futura rainha D. Maria I. Nos anos quarenta do século XIX, a investigação do sítio esteve a cargo da Sociedade Arqueológica Lusitana e, nas décadas de quarenta até aos anos 90 do século XX, pelo Museu Nacional de Arqueologia e pelo IPPAR respetivamente. Os trabalhos arqueológicos mais recentes inserem-se num projeto de valorização das ruínas promovido pela empresa Troia Resort, sendo a responsabilidade científica da arqueóloga Inês Vaz Pinto que conta ainda com uma equipa em permanência no terreno.

Maria Ramalho/DGPC/2019.
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Acede-se à península de Tróia por barco ou por Estrada, através de Alcácer do Sal, Grândola ou, ainda, Santiago do Cacém.
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Declaração de rectificação n.º 1699/2010, DR, 2.ª Série, n.º 164, de 4-08-2010 (corrige a planta anteriormente publicada, sem alterar a delimitação) (ver Declaração)
Portaria n.º 1170/2009, de 5-11-2009 (com ZNA)
Despacho de homologação de 22-09-2009 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 12-11-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de alteração de 25-07-2008 da Sonae Turismo
Portaria n.º 40/92, DR, I Série-B, n.º 18, de 22-01-1992
Portaria publicada no DG, II Série, n.º 155, de 02-07-1968
Afectação 9914630
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Setúbal / Grândola / Carvalhal
Península de Tróia
- -
Polícia:
LATITUDE
38.486283
LONGITUDE
-8.884651
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Sítio O sítio arqueológico de Tróia localiza-se na península com o mes...
2019
2019.
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Frescos da Capela Visigótica de Tróia, Setúbal", Actas do 2.º Congresso Nacional de Arqueologia MATOS, José Luís Martins de, ALMEIDA, Fernando de Edição 1971
Estação Romana de Tróia SOARES, Maria Joaquina Coelho Edição 1980
"Arte paleo-cristã da época das invasões", História da Arte ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986
"O problema da destruição da povoação romana de Tróia de Setúbal", Revista de Guimarães SILVA, Carlos Manuel Lindo Tavares da, CABRITA, Mateus Goncalves Edição 1966
Portugal Romano ALARCÃO, Jorge Manuel N. L. Edição 1988 Lisboa
"Estudos sobre algumas estações da época luso-romana nos arredores de Setúbal", O Arqueólogo Português COSTA, António Inácio Marques da Edição 1924
"Estudos sobre Tróia de Setúbal", O Arqueólogo Português APOLLINARIO, Maximiano Edição 1897
Possidónio da Silva e a Memória Histórica. Um Percurso na Arqueologia Portuguesa de Oitocentos MARTINS, Ana Cristina N. Edição 1999 Lisboa
Possidónio da Silva (1806-1896) e o Elogio da Memória. Um Percurso na Arqueologia de Oitocentos MARTINS, Ana Cristina Edição 2003 Lisboa

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