Nota Histórico-Artistica
Situado no topo da Serra do Louro, o "Castro de Chibanes" revelou, durante as sucessivas campanhas de escavação, uma sequência estratigráfica que confirma a sua construção e utilização entre o Calcolítico e a época da presença romana nesta região do actual território, constituindo, também por isso, um dos seus principais interesses em termos de investigação arqueológica, ao apresentar um dos conjuntos mais completos de dados relativos ao Calcolítico e à Idade do Ferro da zona particularmente fértil em múltiplos recursos cinegéticos onde foi implantado, ou seja, na Arrábida.
As escavações colocaram a descoberto um sítio que abarca uma área de cerca de um hectare exposta a Norte, com um acentuado domínio visual sobre toda a planície aluvial do Tejo e o vale dos Barris, com evidentes potencialidades agrícolas. Os dados coligidos até ao momento permitem afirmar que o arqueossítio assistiu a duas grandes fases ocupacionais, marcadas por uma considerável e permanente conflitualidade entre diferentes grupos existentes nas proximidades. Terá sido na sequência de ocorrências desta natureza que as suas, já de si, razoáveis condições naturais de defesa foram reforçadas com a edificação de fortificações ao longo das suas reutilizações.
Quanto ao espólio encontrado durante as investigações conduzidas neste povoado de cumeada, destacar-se-á a recolha de fragmentos de cerâmica pertencentes ao Horizonte Campaniforme de tipo Palmela, como vasos com decoração pontilhada ou incisa, cuja emergência terá ocorrido em simultâneo à "A pulverização das comunidades calcolíticas em novos agrupamentos, quiçá organizados segundo diversos padrões sociais, poderá ter-se verificado, em certas áreas, por volta de 1800 a. C. (marco cronológico hipotético) [...]." (JORGE, S. O., 1990, p. 186), numa evidência da receptividade deste povoado calcolítico tradicional à penetração de novas formas cerâmicas (JORGE, V. O., 1990, p. 216).
Da fortificação calcolítica já foram identificados troços de dois panos de muralha, posteriormente reutilizados, já durante a II Idade do Ferro (sécs. IV/III - I a.C.) e o período proto-romano - também designado por "romano-republicano" - (sécs. II-I a.C.), do qual fará parte uma fortificação bastante mais complexa, contemplando muralhas, torres e baluartes, associada, por sua vez, a três bem definidas fases construtivas correspondentes a diferentes formas de organização do espaço edificado dentro do perímetro do castro.
Deste último período ocupacional foram, na verdade, exumados vários testemunhos, com realce para os fragmentos de ânforas romanas, a sugerirem a sua associação a um "[...] mercado geográfica e socialmente vasto para os produtos da Itália e do Sul da Península Ibérica [...]." (ALARCÃO, Jorge Manuel N. L., 1990, p. 436), bem como a paulatina consolidação de novos hábitos alimentares. Com efeito, este povoado "[...] é igualmente importante para o conhecimento da 1.ª fase da presença romana do nosso território, das relações comerciais estabelecidas com a Península Itália e com Cartago." (Arqueologia em Palmela, 1993, p. 10).
[AMartins]
Diploma de Classificação
Portaria n.º 420/2011, DR, 2.ª série, n.º 54, de 17-03-2011 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 16-12-2010 do Secretário de Estado da Cultura
Edital N.º 72/DAF-DAG/2008 de 4-11-2008 da CM de Palmela
Parecer de 1-10-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. a propor a classificação como IIP
Proposta de 13-07-2007 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para reapreciação da classificação
Despacho de homologação de 30-12-1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar
Parecer de 30-12-1970 da JNE a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 7-10-1970 de Victor Manuel dos Santos Gonçalves
Número do Processo
A partir de Palmela o acesso faz-se por um caminho que no sentido NE-SW, percorre parte da cumeada da Serra do Louro. A partir do entroncamento desta via com a estrada Quinta do Anjo-Palmela o percurso é pedestre.