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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de São Tiago de Palmela, compreendendo o túmulo de D. Jorge de Lencastre

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de São Tiago de Palmela, compreendendo o túmulo de D. Jorge de Lencastre
Outras Designações
Igreja de Santiago de Palmela / Igreja de Santiago do Castelo / Convento e Igreja de Santiago de Palmela (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A importância da igreja de Santiago de Palmela ultrapassa, em muito, a esfera da Ordem de Santiago, a cuja instituição se deve a sua edificação. Como provou Vieira da SILVA, 1989, p.47, o monumento apresenta uma simplificação estrutural e uma linearidade construtiva que encontra eco em outras tendências europeias e contemporâneas do Gótico internacional, em particular na Alemanha. O despojamento desta arquitectura tem sido, justamente, um dos aspectos mais focados, facto que lhe confere o estatuto de monumento "de maior monumentalidade" saído da corrente linear inaugurada com o claustro afonsino do Mosteiro da Batalha (IDEM, p.45).
A sua construção relaciona-se com o estabelecimento definitivo da sede da Ordem em Palmela, "que era la caveça de la encomienda mayor" da instituição (FERNANDES, 2004, cit. Fr. Jeronimo Román), facto que ocorreu na viragem para a década de 40 do século XV. O período de maior incremento terá ocorrido durante o mestrado de D. Fernando (DIAS, 1994, p.166), pai de D. Manuel, que geriu os destinos dos santiaguistas entre 1460 e 1470. Finalmente, em 1482, consumou-se a transferência total das estruturas da Ordem, data que se admite coincidir com o final, ou uma etapa já bastante avançada, das obras na igreja.
Volumetricamente, o templo compõe-se de dois espaços justapostos, correspondentes ao corpo e à capela-mor. Aquele é tripartido e seccionado em cinco tramos, com nave central mais larga e alta que as laterais, embora exista uma tendência clara para a uniformização espacial. Este facto coloca o edifício num lugar de destaque no caminho que levará às igrejas-salão manuelinas, verificando-se aqui um passo prévio a essa realidade, ainda que relativamente longe pela robustez dos pilares, a pouca elevação dos pilares ou a não unificação das três linhas de abóbadas (SILVA, 1997, pp.70-71), a que se poderia juntar a sensação de túnel que a nave central adquire na orientação do olhar rumo à capela-mor, que assim subalterniza as colaterais (PEREIRA, 1995, vol. II, p.29). A cabeceira era originalmente de dois tramos abobadados e dotada de contrafortes escalonados.
A fachada principal denuncia a austeridade e o despojamento que encontraremos depois no interior. A sua organização pode considerar-se habitual, em empena triangular de três panos, tendo o central dois registos, com portal principal inscrito em gablete, no inferior, e óculo circular, no superior. O portal principal, todavia, é diferente da maioria das entradas monumentais góticas, uma vez que não possui quaisquer capitéis ou impostas salientes, constituindo assim o principal elemento da "iconofobia" com que Paulo PEREIRA, 1995, vol. II, p.29 se lhe refere, autor que reconhece também nesta total ausência de decoração e tendência para a austeridade, um "revivalismo das formas puras e rigoristas" da arquitectura cisterciense dos séculos XII e XIII.
Após a conclusão das obras, devem ter-se realizado melhoramentos quase imediatamente. Assim o sugere Paulo Pereira (IDEM, p.28), ao atribuir o coro-alto, que ocupa o primeiro tramo da igreja, à década de 70 do século XV, "quase por certo o primeiro a ser construído em Portugal". Durante a primeira metade do século XVI, sob o impulso de D. Jorge, filho de D. João II, a igreja foi objecto de várias alterações. A principal diz respeito à capela-mor, a que se acrescentou mais um tramo e o coroamento com ameias. Por essa altura, o interior do templo servia de local de enterramento dos mestres da Ordem, e foi aqui que D. Jorge escolheu sepultar-se, em arca prismática dentro de arcossólio cairelado, na nave lateral Norte.
Ao longo da época moderna, identificam-se algumas alterações importantes: de ambos os lados rasgaram-se duas capelas, em particular a do Santíssimo Sacramento, que rompia, pelo lado Norte, a simetria do conjunto; na capela-mor abriram-se janelões barrocos e de 1700 datava o antigo retábulo-mor, obras suprimidas no restauro efectuado pela DGEMN na década de 30 do século XX.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 62/2010, DR, 2.ª Série, n.º 12, de 19-01-2010 (com ZNA) (fixou nova ZEP e revogou o diploma anterior) (ver Portaria)
Edital N.º 01/DP/07 de 20-03-2007 da CM de Palmela
Despacho de homologação de 26-02-2007 da Ministra da Cultura
Despacho de concordância de 18-07-2006 da vice-presidente do IPPAR
Parecer favorável de 28-06-2006 do Conselho Consultivo do IPPAR
Informação favorável de 25-11-2005 da DR de Lisboa
Nova proposta de alteração de 7-06-2005 da CM de Palmela
Poposta de alteração de 31-11-1999 da CM de Palmela, para corrigir os limites urbanos da mesma
Portaria n.º 944/85, DR, I Série, n.º 288, de 14-12-1985 (fixou a ZEP do Castelo de Palmela, da Igreja de Santiago e do Pelourinho de Palmela) (ver Portaria)
Edital de 22-02-1984 da CM de Palmela
Despacho de homologação de 17-05-1975 do do Secretário de Estado da Cultura e Educação Permanente
Parecer favorável de 2-05-1975 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE
Em 22-03-1975 a DGEMN enviou a planta retificada, de acordo com o parecer da JNE
Despacho de homologação de 24-01-1975 do Secretário de Estado da Cultura e Educação Permanente
Parecer de 24-01-1975 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a alteração da ZEP proposta
Proposta de 7-12-1974 da DGEMN
Afectação 9913729
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Localização
Setúbal / Palmela / Palmela
- no interior do Castelo de Palmela
Palmela -
Polícia:
LATITUDE
38.565662
LONGITUDE
-8.901206
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1460
1460 e 1470.
1470
1470.
1482
1482, consumou-se a transferência total das estruturas da Ordem, data que se admite coincidir com o final, ou uma eta...
1700
1700 datava o antigo retábulo-mor, obras suprimidas no restauro efectuado pela DGEMN na década de 30 do século XX.PAF
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) A importância da igreja de Santiago de Palmela ultrapassa, em muito, a...
1989
1989, p.47, o monumento apresenta uma simplificação estrutural e uma linearidade construtiva que encontra eco em outr...
1994
1994, p.166), pai de D.
1995
1995, vol.
1997
1997, pp.70-71), a que se poderia juntar a sensação de túnel que a nave central adquire na orientação do olhar rumo à...
2004
2004, cit.
17
IMAGENS
14
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Palmela: programa de recuperação e animação do Castelo e intervenção arqueológica", Al-Madan, 2ª Série, nº2, pp.134-135 FERNANDES, Isabel Cristina Ferreira Edição 1993 Almada
O Castelo de Palmela. Do islâmico ao cristão FERNANDES, Isabel Cristina Ferreira Edição 2004 Palmela
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. IV (O Gótico) DIAS, Pedro Edição 1986 Lisboa
O fascínio do fim SILVA, José Custódio Vieira da Edição 1997 Lisboa
O Tardo-Gótico em Portugal, a Arquitectura no Alentejo SILVA, José Custódio Vieira da Edição 1989 Lisboa
"As grandes edificações", História da Arte Portuguesa, vol. II, pp.11-113 PEREIRA, Paulo Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
A Arquitectura Gótica em Portugal CHICÓ, Mário Tavares Edição 1981 Lisboa
O castelo e a Ordem de Santiago na história de Palmela, catálogo de exposição PEREIRA, Fernando António Baptista Edição 1990 Palmela
Notas de uma visita ao castelo de Palmela e seu convento LANDEIRO, José Manuel Edição 1959 Setúbal
"As inscrições do Castelo de Palmela", Revista de Arqueologia, vol. III, separata, pp.3-14 SOUSA, J. M. Cordeiro de Edição 1937 Lisboa
Monografia de Palmela FORTUNA, António Matos Edição 1982 Palmela

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