Nota Histórico-Artistica
Considerado um dos mais imponentes solares do Norte do país, o palácio da Brejoeira beneficia, ainda, da mata e jardins envolventes, que lhe conferem um estatuto singular no campo da arquitectura civil portuguesa. Edificado no início do século XIX e concluído, ainda que parcialmente em relação ao projecto inicial, apenas 28 anos mais tarde, este imóvel reveste-se de especial importância por representar "o encontro entre dois estilos - o barroco e o neoclássico" (AZEVEDO, 1969, p. 122).
De acordo com as informações disponíveis, e a crer nas referências de Dora Wordsworth, aquando da sua passagem por Portugal em 1845, a construção deste imóvel ter-se-ia iniciado em data próxima de 1806, devendo-se a iniciativa da sua edificação a Luís Pereira Velho de Moscoso. A amplitude e arrojo do projecto, aliadas às despesas implicadas, terá retardado a sua conclusão, que se verificou, ao que tudo indica, cerca de 1834. Ainda assim, abandonou-se a planta quadrada, com quatro torreões e pátio central, para dar lugar a um palácio de planta em L, com duas fachadas e apenas três torreões. Não se sabe quem foi o autor do projecto, embora o nome do arquitecto bracarense Carlos Amarante surja, por vezes, associado a este imóvel (AZEVEDO, 1969, p. 121).
A fachada principal destaca-se pela monumentalidade dos seus torreões laterais, com mais um andar, e pelo corpo central, mais elevado. O alçado é aberto por janelas simétricas, de linguagem barroca, que ocupam toda a superfície. Remata o conjunto a platibanda que percorre, também, os torreões, estes últimos coroados por urnas (motivo neoclássico). O corpo central, mantendo o ritmo dos vãos (mas com espaçamentos diferentes entre as janelas), é elevado pela platibanda, característica já neoclássica, tal como outros elementos que fazem desta zona central o contraponto oitocentista ao gosto barroco, presente no recorte e disposição das molduras das janelas. Se estas tinham como objectivo animar a fachada, a verdade é que a solução resulta algo monótona e tradicional, numa tipologia de fachada longa, com torres nas extremidades, e que acentua a importância do corpo central. Em todo o caso, não deixa de ser um modelo empregue em composições neoclássicas, como o Palácio da Ajuda (IDEM, p. 97).
Da mesma forma, podemos entender o alçado lateral, marcado pelo frontão triangular, ao centro, que faz destacar as janelas de sacada que lhe correspondem.
No interior, ganha especial interesse a escadaria de acesso ao andar nobre, bem como a decoração neoclássica dos salões, conhecendo-se o nome de alguns dos artistas que aqui trabalharam, bem como do mestre que os dirigiu - Domingos Pereira, natural de Vila Nova de Cerveira (AZEVEDO, 1969, p. 122).
Já no século XX, o palácio foi objecto de intervenções, como é o caso dos azulejos do átrio, da autoria de Jorge Pinto, entre muitas outras, que alteraram a espacialidade original. Posto à venda em hasta pública em 1901, o imóvel foi adquirido pelo Conselheiro Pedro Maria da Fonseca Araújo, remontando a este período o teatro.
Actualmente, é nos seus terrenos agrícolas que se cultiva a casta nobre "Alvarinho", responsável pela produção de um dos mais importantes vinhos verdes da região.
(Rosário Carvalho)