Nota Histórico-Artistica
As referências mais antigas que se conhecem sobre a casa de Rodas remontam ao século XVI, quando era proprietária D. Genebra do Vale Palhares casada com Fernão Pita Ortigueira. Nesta época a casa tinha uma torre, implantada entre o edifício habitacional e a capela. Já no final desta centúria, o imóvel foi objecto de algumas intervenções que aumentaram a área edificada, que passou a formar um quadrado em torno de um pátio interior. Mais tarde, durante as Guerras da Independência, a casa foi incendiada, e a sua recuperação ocorreu somente no início do século XVIII, devido à iniciativa de Manuel Palhares Coelho. A capela data de 1767, e foi mandada construir por José Pita Palhares Antas Marinho, muito possivelmente, sobre as ruínas de uma outra. Até então conhecida como casa de Picoutos, foi nesta centúria que passou a ser designada por casa de Rodas. O século XIX trouxe consigo novas intervenções e em 1902 foi construído o corpo perpendicular ao edifício (SILVA, 1958, vol. III, p. 235).
A família Pita Palhares, proprietária da casa e da propriedade agrícola onde hoje se produz o vinho Alvarinho, gozava de grande prestígio principalmente no século XVIII, período que correspondeu à reedificação da casa, e ao controle de lugares tão significativos como os de chefia da Misericórdia de Monção, na gestão da qual desempenhou um importante papel (LOBO, 2004). Assim, a sua casa de habitação deveria reflectir a relevância social e política quer pela imponência e grandiosidade, quer pela exibição das armas familiares em lugar de destaque: sobre a entrada principal, interrompe a linha da cornija, e ocupa o tímpano do frontão triangular, este último ladeado por pináculos.
Não se sabe ao certo por que razão terá sido alterada a designação da casa, embora a tradição refira a recolha de crianças numa roda, como se fazia nos conventos, ou a não coabitação entre homens e mulheres trabalhadoras da quinta, sendo que estas últimas recebiam a comida pela roda sem entrar em casa onde os homens tomavam as refeições (SILVA, 1958, vol. III, p. 235).
A Casa de Rodas é um exemplo muito característico das transformações de que os imóveis foram objecto ao longo dos séculos, chegando à actualidade com todas essas memórias integradas no seu conjunto edificado. O modelo empregue foi o da casa comprida com a fachada num dos topos, bastante comum no século XVIII. Na generalidade, os vãos que se abrem nos alçados são de molduras simples, destacando-se na fachada principal as duas janelas do piso nobre com sacada. Ao centro, o portal em arco de volta perfeita é encimado pelo brasão de armas já referido. A capela, é definida por pilastras nos cunhais, encimados por pináculos, terminando em empena com cruz central. Ao centro, o portal de verga recta é sobrepujado por cornija e óculo quadrilobado. No interior, ganha especial interesse o tecto pintado em trompe l'oeil com quadro central alusivo a Nossa Senhora da Assunção.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível