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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Mosteiro de Santa Cruz, compreendendo os túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I

Arquitectura Religiosa / Mosteiro

Designação
Designação Atual
Mosteiro de Santa Cruz, compreendendo os túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I
Outras Designações
Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra / Mosteiro de Santa Cruz / Igreja de Santa Cruz (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Mosteiro
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Fundado em 1131 no exterior das muralhas de Coimbra, o Mosteiro de Santa Cruz foi a mais importante casa monástica nos primeiros tempos da monarquia portuguesa. Na posse da Ordem de Santo Agostinho, o Mosteiro somou benefícios papais e doações régias, o que permitiu a acumulação de um património considerável, ao mesmo tempo que consolidava a sua posição no plano político-institucional e cultural do país. A sua escola foi fundamental nestes tempos medievais e ponto de passagem obrigatória para as élites do poder e da intelectualidade. O seu scriptorium foi o responsável pela máquina de propaganda do rei D. Afonso Henriques, não estranhando, assim, que este tenha escolhido sepultar-se precisamente em Santa Cruz de Coimbra.
Do primitivo mosteiro românico pouco resta. A sua construção desenrolou-se ao longo de praticamente um século, de 1131 a 1228, tendo-se dado a sagração do altar em 1150. Sabemos que tinha uma só nave, contrafortada por duas incipientes naves laterais, estas organizadas em capelas abertas para a nave central, e uma alta torre na fachada, características das construções românicas agostinhas e, muito provavelmente, fruto de um arquitecto francês, da área borgonhesa, não sendo de excluir que possa ter sido Roberto, mestre das Sés de Lisboa e de Coimbra. No nartex formado pelo espaço térreo da torre ficaram os túmulos dos dois primeiros reis portugueses, sendo Santa Cruz de Coimbra o primeiro panteão régio nacional.
Como grande instituição monacal, o Mosteiro de Santa Cruz foi objecto de numerosas campanhas reformuladoras ao longo dos séculos. A principal, e que conferiu ao edifício o aspecto actual, data da primeira metade do século XVI, altura em que D. Manuel assumiu a tutela do cenóbio. Para tal recorreu a alguns dos melhores artistas que então trabalhavam no reino, Diogo de Castilho, Machim e João de Ruão, Cristóvão de Figueiredo e Vasco Fernandes, Boytac, Marcos Pires e Chanterenne.
A cenográfica fachada principal foi construída em duas campanhas sucessivas. Os robustos torreões, com contrafortes em quilha, datam dos primeiros anos do século, mais propriamente entre 1507 e 1513. O portal, elemento emblemático de toda a campanha quinhentista, foi concebido por Diogo de Castilho, mas a sua realização deve-se a Nicolau de Chanterenne, entre 1522 e 1526, escultor que realizou também as três esculturas de vulto que encimam a entrada.
Também os túmulos de D. Afonso Henriques e seu sucessor, D. Sancho I, foram reformulados e transferidos para a capela-mor em 1530, onde ainda hoje se encontram, inseridos numa obra escultórica da autoria de Nicolau de Chanterenne. O interior da igreja foi também profundamente alterado, tendo os trabalhos sido conduzidos primeiro por Boytac e depois por Diogo de Castilho. Ao primeiro deve-se o abobadamento da nave, e ao segundo o coro-alto, erguido c. 1530, com a sua abóbada estrelada.
A extensão das obras manuelino-renascentistas de Santa Cruz encontra-se ainda testemunhada em outras áreas. O claustro data de inícios do século e as obras principais sido dirigidas por Marcos Pires. Ainda no interior da igreja, o cadeiral manuelino do coro-alto é uma obra de referência e revela as tendências hispano-flamengas do seu construtor, Machim. Também o púlpito renascentista merece um especial destaque, pela carga mitológica da sua iconografia, já claramente renascentista.
A Sacristia maneirista, da autoria de Pedro Nunes Tinoco, foi construída entre 1622 e 1624, e nela se conservam algumas das pinturas mais antigas do mosteiro, como o Pentecostes de Vasco Fernandes. As obras barrocas não alteraram significativamente o conjunto e adaptaram-se ao pré-existente, como o provam os revestimentos azulejares da primeira metade do século XVIII, o órgão do espanhol Gomes Herrera, ou ainda o retábulo-mor, de talha imitando mármore.
A igreja foi reconhecida como Panteão Nacional pela Assembleia da República, em diploma publicado no DR, I Série, 22-08-2003, Lei n.º 35/2003
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (voltou a classificar, com a designação de Mosteiro de Santa Cruz, compreendendo os túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I) (ver Decreto)
Decreto de 10-01-1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (classificou com a designação de Igreja de Santa Cruz de Coimbra) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Despacho de 18-02-2010 do director do IGESPAR, I.P. a devolver o processo à DRC do Centro
Parecer de 20-01-2010 do Conselho Consultivo a propor que seja apresentada nova proposta
Proposta de 9-11-2009 da DRC do Centro para a ZEP dos imóveis classificados e em vias de classificação do Centro Histórico de Coimbra
Portaria de 25-01-1958, publicada no DG, II Série, n.º 44, de 21-02-1958 (sem restrições)
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Localização
Coimbra / Coimbra / Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)
Praça 8 de Maio
Coimbra -
Polícia:
LATITUDE
40.2112
LONGITUDE
-8.428352
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1131
1131 no exterior das muralhas de Coimbra, o Mosteiro de Santa Cruz foi a mais importante casa monástica nos primeiros...
1150
1150.
1228
1228, tendo-se dado a sagração do altar em 1150. S
1507
1507 e 1513.
1513
1513.
1522
1522 e 1526, escultor que realizou também as três esculturas de vulto que encimam a entrada.Também os túmulos de D. Afo
1526
1526, escultor que realizou também as três esculturas de vulto que encimam a entrada.Também os túmulos de D. Afo
1530
1530, onde ainda hoje se encontram, inseridos numa obra escultórica da autoria de Nicolau de Chanterenne.
1622
1622 e 1624, e nela se conservam algumas das pinturas mais antigas do mosteiro, como o Pentecostes de Vasco Fernandes.
1624
1624, e nela se conservam algumas das pinturas mais antigas do mosteiro, como o Pentecostes de Vasco Fernandes.
1907
1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (classificou com a designação de Igreja de Santa Cruz de Coimbra) (ver Decreto) Funda...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (voltou a classificar, com a designação de Mosteiro de Santa Cruz, compreendendo os ...
2003
2003, Lei n.º 35/2003 PAF
68
IMAGENS
20
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Coimbra, Arte e História DIAS, Pedro Edição 1988 Coimbra
Coimbra - guia para uma visita DIAS, Pedro Edição 2003 Coimbra
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
A Arquitectura do Ciclo Filipino SOROMENHO, Miguel Edição 2009 Vila Nova de Gaia
"O Românico português na perspectiva das relações internacionais", Românico em Portugal e na Galiza, pp.30-48 REAL, Manuel Luís Edição 2001 Lisboa
"A organização do espaço arquitectónico entre beneditinos e agostinhos no século XII", Arqueologia, nº6, pp.118-132 REAL, Manuel Luís Edição 1982 Porto
A Obra Silvestre e a Esfera do Rei PEREIRA, Paulo Edição 1990 Coimbra
Novas Hipóteses acerca da Arquitectura Românica de Coimbra GONCALVES, António Nogueira Edição 1938 Coimbra
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
A arte em Coimbra e arredores. FONSECA, Vergílio Correia da Edição
Coimbra e Região BORGES, Nelson Correia Edição 1987 Lisboa
Coimbra, paisagem , arte e tradições. FRIAS, César de Edição
Coimbra, Roteiro da Cidade. MACHADO, Manuel Aires Falção Edição
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
A Arquitectura "ao Romano" CRAVEIRO, Maria de Lurdes Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Património Edificado com Interesse Cultural - Concelho de Coimbra Câmara Municipal de Coimbra - Departamento de Cultura Edição 2009 Coimbra
Monasterio de Santa Cruz de Coimbra Edição 2001 Lisboa
"Santa Cruz de Coimbra e Santa Maria de Alcobaça. Um caso de rivalidade cultural?", A historiografia portuguesa anterior a Herculano, pp.87-101 Edição
Igreja de Santa Cruz de Coimbra. História, Conservação e Restauro da Fachada e Arco Triunfal Obra

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