O Palácio Nacional de Sintra é o único sobrevivente íntegro dos paços reais medievais em Portugal. Muito provavelmente, foi construído sobre a residência dos antigos wallis muçulmanos e desde o início da Monarquia os monarcas portugueses aqui tiveram um Paço. As principais campanhas de obras que lhe conferiram o aspecto actual devem-se a D. João I, que o reconstruiu, e a D. Manuel I, que acrescentou a hoje denominada ala manuelina.
Durante a Idade Moderna o Palácio não cessou de ser engrandecido, como o provam os elementos renascentistas do tempo de D. João III, a grande Sala dos Cisnes, a mais antiga Sala de aparato dos Palácios portugueses, e onde se encontram os retratos de D. Catarina de Bragança, de Carlos II de Inglaterra e de D. Pedro II, ou a Sala dos Brasões, cuja cúpula ostenta as armas de D. Manuel, de seus filhos, e de setenta e duas das mais importantes famílias da Nobreza, e cujo revestimento integral das paredes data do século XVIII, obra do ciclo dos Grandes Mestres da azulejaria lisboeta dessa altura.
Afectado pelo grande terramoto de 1755, foi logo reconstruído "à maneira antiga", e durante os séculos XIX e XX sofreu ainda outras obras que transformaram irremediavelmente algumas partes, como os edifícios que fechavam o Largo Rainha D. Amélia, que então foram destruídos. Convertido em museu a partir de 1940, na actualidade é objecto de um Programa de restauro e valorização da responsabilidade do IPPAR, que teve como primeira medida a recuperação das coberturas e fachadas, e que prosseguirá com a recuperação e restauro do património móvel e com a criação de uma nova dinâmica na interpretação e animação do monumento e respectiva envolvente.
A capela, reformulada na campanha de D. Manuel I, filia-se no estilo mudéjar, pelo tapete de azulejos hispano-mouriscos das paredes, de que subsistem muito poucos testemunhos em Portugal. Desses dois primeiros períodos, o principal destaque vai para a cozinha, com as suas duas chaminés de 33m de altura, a Sala Árabe, parcialmente revestida com azulejos de matriz geométrica, ou o magnífico pátio central, com os seus arcos geminados cairelados.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)
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Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, volume II
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O Paço Real de Sintra: novos subsídios para a sua história
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Sintra: A vila velha (ronda pelo passado)
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Cozinhas. Espaço e Arquitectura
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«Sobre a génese e a geometria das escadas em caracol do século XVI em Portugal: o processo conceptual», Artis - Revista do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa