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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Convento e Basílica de Mafra

Arquitectura Civil / Palácio

Designação
Designação Atual
Convento e Basílica de Mafra
Outras Designações
Real Edifício de Mafra - Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada / Palácio Nacional de Mafra / Convento e Basílica de Mafra / Museu de Escultura Comparada (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Tapada de Mafra (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Palácio
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O monumento mais importante do reinado de D. João V, que tanto influenciou a arquitectura portuguesa subsequente, inscreve-se numa lógica complexa, assente sobre princípios que pretendiam legitimar a autoridade do monarca a nível interno e externo. Na realidade, esta duplicidade de políticas esteve sempre presente nas opções do Magnânimo, condicionada pelas escolhas de D. Pedro II, mas plenamente assumida e defendida no decorrer do seu reinado. Se a imposição do seu poder no interior do país era importante, a denominada política romana visava impor Portugal no mapa europeu, ao nível das mais importantes nações, como eram França e Espanha (PIMENTEL, 1992, p.24). A Mafra (formado pelo conjunto Palácio Real, Basílica e Convento) "simbólica e imensurável, caber-lhe-ia fornecer a ilustração visual e retórica de um poder absoluto, que alcançara fundir no seu corpo gigantesco a totalidade das referências que polarizam a lealdade da Nação" (IDEM, p.18 e 225).
Os estudos de A. Filipe Pimentel, que temos vindo a seguir, permitiram que, hoje, sejam relativamente claras as fases de evolução da ideia e das obras deste imenso complexo arquitectónico. As fontes nacionais parecem concordar em relação ao voto sucessório feito por D. João V, em consequência do qual o monarca autorizou, em 1711, a edificação de um convento franciscano em Mafra. Todavia, nos anos que medeiam entre 1711 e 1717, data do lançamento da primeira pedra, ocorreu uma primeira alteração de planos, e os alicerces abertos em 1716 tinham já em vista um convento de 80 monges e não de 13, como estava originalmente previsto. O risco deste primeiro templo é, actualmente, atribuído, sem grande contestação, ao arquitecto João Frederico Ludovice, natural da Suábia e que viera para o nosso país, em 1701, como ourives.
Os trabalhos desta fase prolongar-se-iam até aos primeiros anos da década de 1720 (1721-1722), quando D. João V reformulou por completo a sua ideia para Mafra, ampliando o convento de forma a poder receber 300 monges. A esta modificação de planos não deverá ser estranho o ainda mal esclarecido abandono do projecto da Patriarcal (em 1719), que o rei pretendia construir na capital, sob o risco do italiano Juvara. O facto da igreja estar já num estado bastante avançado implicou a sua manutenção, adaptando-se e ampliando-se o restante plano, ainda sob a responsabilidade de João Frederico Ludovice. As obras avançaram a um ritmo extraordinário e, de todos os pontos do reino chegaram trabalhadores, transformando Mafra num dos maiores estaleiros que o nosso país conheceu. Sagrada a igreja em 1730, o restante complexo ainda demoraria a ficar totalmente concluído, por aqui passando uma série de arquitectos, cuja obra é, ainda, mal conhecida (Custório Vieira que se sabe ter desenhado a escadaria dupla da portaria-mor do convento; Manuel da Maia; João Pedro Ludovice), e todo um conjunto de artistas (pintores, escultores, entalhadores...), boa parte dos quais italianos (o escultor Vicenzo Foggini, ou os pintores Agostino Masucci e Corrado Giaquinto), e o francês Claude Laprade, que imprimiram uma magnificência extraordinária aos interiores do palácio, de que destacamos a Basílica e a Biblioteca, esta última numa fase mais tardia.
Sobre os modelos arquitectónicos muito se tem discutido, embora seja consensual a influência romana (principalmente de São Pedro), germânica e ainda a persistente tradição nacional, bem visível nos ritmos uniformes. A igreja axial une os palácios do Rei e da Rainha, papel que a biblioteca desempenha no extremo oposto, envolvendo ainda o convento, estruturado em torno de um pátio (IDEM, 1991, p.37). Nestas componentes áulicas, eclesiásticas, militares e de saber, se estrutura a ideia de D. João V, materializada num edifício que pela sua imponência e imenso estaleiro haveria de influenciar de forma inequívoca toda a produção arquitectónica e artística posterior, assinalando "a penetração definitiva do barroco" no nosso país (GOMES, 1988, p.13). RC
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Decreto de 10-01-1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 178/92, DR, II Série, n.º 127, de 2-06-1992 (com ZNA) (rectificou o perímetro da ZEP) (ver Decreto)
Portaria de 13-04-1965, publicada no DG, 2.ª série, de 5-05-1965 (substitui a portaria anterior)
Portaria de 18-05-1948, publicada no DG, 2.ª série, de 29-06-1948
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Mafra / Mafra
Terreiro de D. João V
Mafra -
Polícia:
LATITUDE
38.936929
LONGITUDE
-9.325882
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1701
1701, como ourives.Os trabalhos desta fase prolongar-se-iam até aos primeiros anos da década de 1720 (1721-1722), qua...
1711
1711, a edificação de um convento franciscano em Mafra. T
1716
1716 tinham já em vista um convento de 80 monges e não de 13, como estava originalmente previsto. O
1717
1717, data do lançamento da primeira pedra, ocorreu uma primeira alteração de planos, e os alicerces abertos em 1716 ...
1719
1719), que o rei pretendia construir na capital, sob o risco do italiano Juvara.
1720
1720 (1721-1722), quando D.
1721
1721-1722), quando D.
1722
1722), quando D.
1730
1730, o restante complexo ainda demoraria a ficar totalmente concluído, por aqui passando uma série de arquitectos, c...
1907
1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (ver Decreto) O monumento mais importante do reinado de D.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)Decreto de 10-01-1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (ver Decreto) O monume...
1988
1988, p.13).
1991
1991, p.37).
1992
1992, p.24).
78
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
O Barroco SERRÃO, Vítor Edição 2003 Lisboa
"O barroco do século XVIII", História da Arte Portuguesa, vol.3 PEREIRA, José Fernandes Edição 1995 Lisboa
A Escultura de Mafra PEREIRA, José Fernandes Edição 2003 Lisboa
"O Real Edifício de Mafra. A grandeza do pormenor". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 6-27 PEREIRA, Mário Edição 2017 Lisboa
"João Frederico Ludovice. Um arquiteto para El-Rei". Revista Monumentos, n..º 35, pp. 52-67 PEREIRA, Paulo Edição 2017 Lisboa
Joanni V Magnifico. A Pintura em Portugal ao Tempo de D. João V 1706-1750 SALDANHA, Nuno Edição 1994 Lisboa
"<i>Roma Triumphans</i>. A pintura joanina para Mafra (1717-1733)". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 108-121 SALDANHA, Nuno Edição 2017 Lisboa
"Iconografia do Monumento de Mafra (desenho, pintura, gravura, até 1900)", Boletim Cultural '97, pp. 219-256 GANDRA, Manuel Joaquim Edição 1998 Mafra
"Memórias e Memorialistas. 2. A obra de Cirilo Volkmar Machado no Palácio Nacional de Mafra, apresentada pelo próprio", Boletim Cultural '95, pp. 309-330 GANDRA, Manuel Joaquim Edição 1996 Mafra
Identidades. Património Arquitectónico do Concelho de Mafra FERNANDES, Paulo Almeida, VILAR, Maria do Carmo Edição 2009 Mafra
A cultura arquitectónica e artística em Portugal no séc. XVIII GOMES, Paulo Varela Edição 1988 Lisboa
"Sete estátuas e um relevo. As obras de Carlo Monaldi na Basílica de Nossa Senhora e Santo António de Mafra". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 84-93 VALE, Teresa Leonor Edição 2017 Lisboa
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira) AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de Edição 1963 Lisboa
D. João V e a arte do seu tempo CARVALHO, Aires de Edição 1962 Lisboa
"O Real Edifício de Mafra. Valor cultural de exceção". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 156-171 GORJÃO, Sérgio Edição 2017 Lisboa
"Mafra, a «alameda» e o canal da Ericeira". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 28-37 MOREIRA, Rafael Edição 2017 Lisboa
"Absolutismo, Corte e Palácio Real - em torno dos palácios de D. João V", Arqueologia do Estado - 1as jornadas sobre formas de organização e exercício dos poderes na Europa do Sul sécs. XIII-XVIII PIMENTEL, António Filipe Edição 1988 Lisboa
O Real Edifício de Mafra: arquitectura e poder PIMENTEL, António Filipe Edição 1992 Coimbra
"Real Basílica de Mafra : Salão de Trono e Panteão de Reis", Boletim Cultural '93 PIMENTEL, António Filipe Edição 1994 Mafra
"Do Convento de Mafra ao <i>Real Edifício</i>". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 38-51 PIMENTEL, António Filipe Edição 2017 Lisboa
"Carta do Património do Concelho de Mafra. 1. Análise preliminar da evolução histórico-urbanística do <i>Terreiro de D. João V</i> em Mafra", Boletim Cultural 2006, pp. 393-418 PAGARÁ, Ana Edição 2007 Mafra
"A Real Obra de Mafra. Da escolha do sítio à urbanização de uma «cidade efémera»". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 74-83 PAGARÁ, Ana Edição 2017 Lisboa
"Carta do Património do Concelho de Mafra. 1 - Lavabos de Sacristia", Boletim Cultural '97, pp.371-396 VILAR, Maria do Carmo Edição 1998 Mafra
A escola de escultura de Mafra, sep. da revista Belas Artes, n.º 19 CARVALHO, Ayres de Edição 1964 Lisboa
"Carta do Património do Concelho de Mafra. 4. Plantas anotadas do Monumento de Mafra", Boletim Cultural '94, p. 333-339 PIRES, Lemos Edição 1995 Mafra
"Carta do Património do Concelho de Mafra. 5. Subsídios para a História do Palácio Nacional de Mafra", Boletim Cultural' 94, pp. 340-351 MONTENEGRO, Maria Margarida, OLIVEIRA, Isabel M. Yglesias de, SANTOS, M. Fernanda Monteiro dos, CORDEIRO, Maria Gabriela Edição 1995 Mafra
"A Aula de Escultura de Mafra". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 94-107 SALDANHA, Sandra Costa Edição 2017 Lisboa
"A <i>Livraria</i> de Mafra". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 126-133 AMARAL, Teresa Edição 2017 Lisboa
"O sítio sineiro de Mafra". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 134-141 CARVALHO, João Soeiro Edição 2017 Lisboa
"O Jardim do Cerco e a Tapada Real de Mafra". Revista Monumentos, n.º 35, pp. 142-155 CASTEL-BRANCO, Cristina Edição 2017 Lisboa
"Memórias e Memorialistas. 1. Carta sobre as coisas notáveis do Edifício de Mafra: Um relato inédito de 1805", Boletim, Cultural '95, pp. 296-308 BARATA, Paulo J. S. Edição 1996 Mafra

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