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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Santo André

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Santo André
Outras Designações
Igreja de Santo André, paroquial de Mafra / Igreja Paroquial de Mafra (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja de Santo André, em Mafra, é um dos templos góticos mais ilustrativos do que foi a arquitectura paroquial no centro e litoral do país durante o final do século XIII e a primeira metade da centúria seguinte. Designado, genericamente, por Gótico dionisino, trata-se de um modelo de igreja paroquial, cujo núcleo mais expressivo se encontra, precisamente, na região da Estremadura, casos das igrejas de Santa Maria de Sintra, São Leonardo de Atouguia da Baleia, Santa Cruz de Santarém e Santa Maria da Lourinhã.
Em todas elas, encontramos um mesmo esquema planimétrico e de organização dos volumes, caracterizado por um corpo de três naves (normalmente de quatro tramos, com separação longitudinal efectuada através de arcadas de perfil quebrado), coberto por tecto de madeira, e uma cabeceira não tripartida, de capela-mor abobadada e de dois tramos, sendo o final poligonal; exteriormente, assume particular importância a fachada principal ad triangulum (com dois corpos laterais mais baixos e um central preponderante, que denuncia o interior em três naves), cujo corpo principal se organiza em dois andares: no primeiro, abre-se o portal, de arco quebrado com arquivoltas e inserido num gablete (ou num alfiz); o segundo é dominado por uma rosácea ou, nos casos, mais modestos, por um apertado óculo.
Estas são as características que marcam estilisticamente o templo mafrense, embora elas se possam testemunhar em grande parte da nossa arquitectura religiosa gótica e não sejam, por isso, elucidativas em termos cronológicos. A relativa rudeza da construção, com volumes relativamente baixos e suportes aparentemente mais espessos que o necessário, levou alguns autores a considerarem-na ainda do século XIII (GANDRA, 1989, p.55; e, em certa medida, P. PEREIRA, 1995, vol. I, p.385). Estudos mais recentes, porém, vieram relacionar a construção do templo com a acção de D. Diogo Afonso de Sousa, pelas décadas de 30 e 40 do século XIV (B. PEREIRA, 2000, p.22).
Neste novo contexto, reforça-se o arcaísmo da obra, praticamente contemporânea da elegante cabeceira da Sé de Lisboa, mas revelando, ainda, características de um tempo gótico anterior, de que são bom testemunho a escassa iluminação do interior, o perfil atarracado das suas arcadas e o aspecto geral compacto.
Concluída a igreja, a capela-mor transformou-se no lugar de enterramento dos seus promotores, D. Diogo Afonso (¿ 1344) e sua mulher, D. Violante Lopes Pacheco, em arcas tumulares decoradas com elementos heráldicos que Baptista Pereira aproximou estilisticamente do homogéneo e qualitativamente relevante foco de escultura tumular da Sé de Lisboa (IDEM, p.22).
Como principal templo da vila, e ponto central de toda a estrutura urbana até ao século XVIII, a igreja de Santo André foi objecto de numerosas campanhas construtivas e decorativas durante a época moderna. As escavações arqueológicas realizadas no seu adro identificaram vários compartimentos e enterramentos desta época, incluindo a Casa da Irmandade do Santíssimo, espaço referido em 1760 e que se adossava à cabeceira, pelo lado Sul (SOUSA, 1998, p.355).
Em ruínas nos finais do século XIX, os trabalhos de restauro iniciaram-se em 1903 mas foram logo interrompidos escassos três anos depois. Mesmo assim, foi o tempo suficiente para demolir a torre sineira barroca, que se localizava a Sudeste do templo, mas em relação com ele (SOUSA, 1998, p.282). Nova tentativa de restauro aconteceu em 1914, com uma diminuta equipa, que Vergílio Correia ainda viu no activo (CORREIA, 1919, p.131). Só com a criação da DGEMN foram reunidas condições para o avanço do projecto restauracionista, procedendo-se, então, a uma intervenção selectiva, que optou pela demolição de tudo quanto não fosse pretensamente original e pela regularização do adro para conferir maior monumentalidade ao edifício, assim como outras remoções não referidas no Boletim de restauro, mas mencionadas em periódicos locais.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 25 614, DG, I Série, n.º 161, de 15-07-1935 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 29-06-1948, publicada no DG, II Série, n.º 173, de 27-07-1948 (sem restrições)
Afectação 9913929
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Mafra / Mafra
Rua Pedro Julião
Mafra -
Polícia:
LATITUDE
38.936519
LONGITUDE
-9.337902
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1344
1344) e sua mulher, D.
1760
1760 e que se adossava à cabeceira, pelo lado Sul (SOUSA, 1998, p.355).Em ruínas nos finais do século XIX, os trabalh...
1903
1903 mas foram logo interrompidos escassos três anos depois.
1914
1914, com uma diminuta equipa, que Vergílio Correia ainda viu no activo (CORREIA, 1919, p.131).
1919
1919, p.131).
1935
1935 (ver Decreto) A igreja de Santo André, em Mafra, é um dos templos góticos mais ilustrativos do que foi a arquite...
1989
1989, p.55; e, em certa medida, P.
1995
1995, vol.
1998
1998, p.355).Em ruínas nos finais do século XIX, os trabalhos de restauro iniciaram-se em 1903 mas foram logo interro...
2000
2000, p.22).Neste novo contexto, reforça-se o arcaísmo da obra, praticamente contemporânea da elegante cabeceira da S...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. IV (O Gótico) DIAS, Pedro Edição 1986 Lisboa
"A Arquitectura (1250-1450)", História da Arte Portuguesa, dir. Paulo Pereira, vol. I, pp.335-433 PEREIRA, Paulo Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
"Carta do Património do Concelho de Mafra. 2 - Organaria", Boletim Cultural '97, pp.397-425 GANDRA, Manuel Joaquim Edição 1998 Mafra
Mafra. Da Reconquista ao foral de 1513 GANDRA, Manuel Joaquim Edição 1989 Mafra
"Cabeceiras de sepultura", Da Vida, da Morte e do Além, pp.106-109 GANDRA, Manuel Joaquim Edição 1996 Mafra
"6.1. D. Diogo de Sousa", Da vida, da morte e do além. Aspectos do sagrado na região de Mafra, catálogo de exposição, p.118 GANDRA, Manuel Joaquim Edição 1996 Mafra
"6.2. D. Violante Lopes Pacheco", Da vida, da morte e do além. Aspectos do sagrado na região de Mafra, catálogo de exposição, pp.118-119 GANDRA, Manuel Joaquim Edição 1996 Mafra
Monumentos e esculturas - séculos III-XVI CORREIA, Vergílio Edição 1924 Lisboa
Identidades. Património Arquitectónico do Concelho de Mafra FERNANDES, Paulo Almeida, VILAR, Maria do Carmo Edição 2009 Mafra
"O claustro da Sé de Lisboa: uma arquitectura «cheia de imperfeições»?", Murphy, nº1, pp.18-69 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2006 Coimbra
"A arquitectura e a escultura monumental na região de Mafra entre o Gótico e o Classicismo", Do Gótico ao Maneirismo. A arte na região de Mafra na Época dos Descobrimentos, pp.21-31 PEREIRA, Fernando António Baptista Edição 2002 Mafra
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira) AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de Edição 1963 Lisboa
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de Edição 1963 Lisboa
Mafra. Monografia LUCENA, Armando de Edição 1963 Lisboa
"Visitações de Santo André de Mafra: novos documentos a juntar ao estudo do Cónego Doutor Isaías da Rosa Pereira", Boletim Cultural '94, pp.127-148 GORJÃO, Sérgio, MACHADO, João Liberata Edição 1994 Mafra
Memórias e Memorialistas. 1. Memórias Paroquiais, Boletim Cultural '96, pp. 307-344 GORJÃO, Sérgio Edição 1997 Mafra
"Visitações de São Miguel de Sintra e de Santo André de Mafra: 1466-1523", Lusitania Sacra, pp.135-157 PEREIRA, Isaías da Rosa Edição 1978 Lisboa
"5. Igrejas e Capelas do Concelho de Mafra com enterramentos", Da Vida, da Morte e do Além, catálogo de exposição, pp.114-117 VILAR, Maria do Carmo Edição 1996 Mafra
Mafra. Efemérides do concelho ASSUNÇÃO, Guilherme José Ferreira de Edição 1967 Lisboa
"Campo arqueológico de Santo André (Mafra). 1. O adro da Igreja de Santo André: notícia preliminar dos trabalhos arqueológicos de 1997", Boletim Cultural '97, pp.277-358 SOUSA, Ana Catarina Edição 1998 Mafra
"Campo arqueológico de Santo André (Mafra). 1. O adro da Igreja de Santo André (Mafra): a necrópole medieval e moderna nos trabalhos arqueológicos de 1998", Boletim Cultural '98, pp. 359-419 SOUSA, Ana Catarina Edição 1999 Mafra
"Santo André de Mafra", Do Gótico ao Maneirismo - A Arte na Região de Mafra na Época dos Descobrimentos, pp. 57-63 SOUSA, Ana Catarina Edição 2000 Mafra
"Campo Arqueológico de Santo André (Mafra). 2. População inumada na igreja de Santo André: resultados preliminares", Boletim Cultural '97, pp.359-363 CARDOSO, Francisca, LOPES, Célia Edição 1998 Mafra
"Breve contributo para uma melhor identificação da azulejaria hispano-mourisca na igreja de Santo André: definição das formas e técnicas de fabrico", Boletim Cultural '97, pp.364-370 MIRANDA, Marta, PEREIRA, Nuno Edição 1998 Mafra
"A Igreja de Santo André", O Correio de Mafra, 3-17 de Dezembro de 1903 FERREIRA, Santos Edição 1903 Mafra

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