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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Mértola

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Mértola
Outras Designações
Castelo e cerca urbana de Mértola (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
Itinerários Arqueológicos do Alentejo e Algarve
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Desde as origens que Mértola teve importantes condições de defesa, implantando-se num alto rochosos na confluência da Ribeira de Oeiras com o rio Guadiana. Os inícios da fortificação encontram-se na época islâmica, período em que a cidade foi um importante porto fluvial entre Mérida e o Atlântico. Não obstante equacionar-se uma primitiva muralha tardo-romana (TORRES e outros, 1991, p.13), só no século IX encontramos as primeiras notícias documentais acerca da relevância militar da cidade, numa conjuntura de revolta de alguns senhores locais contra Córdova.
É de presumir que a grande campanha construtiva militar tenha acontecido durante o Califado omíada (930-1031), época de maior centralização estatal e de notáveis avanços no domínio da guerra por parte do Islão peninsular. Nas décadas de 30 e 40 do século XI, Mértola foi uma efémera capital taifa, conquistada pelo vizinho reino de Sevilha, em 1044. Um século depois, durante nova fragmentação do bloco islâmico peninsular, a cidade proclamou-se uma vez mais independente. Nesta altura, é de admitir que tenham existido melhoramentos no sistema militar, pois a "excelência das suas fortificações" não passou despercebida ao geógrafo Edrisi (IDEM, p.15).
Mas foi no final do século XII, no contexto da reacção almóada face ao avanço cristão, que se conhecem referências mais concretas ao castelo, com a construção de uma torre, muito provavelmente, da cisterna e, ainda, a feição geral da entrada no recinto (com arco ultrapassado que daria acesso a um corredor em cotovelo), bem como de parte do torreão cilíndrico que se lhe adossa (IDEM, p.16).
No entanto, terá sido uma "população (...) francamente empobrecida", sem meios de defesa adequados, que os cavaleiros de Santiago encontraram em 1238, altura em que conquistaram Mértola (BOIÇA e BARROS, 2001, p.579, contra opinião de TORRES e outros, 1991, p.17). A importância militar do local, com natural ligação ao Algarve, fez com que os Espatários escolhessem a cidade como sede da Ordem em Portugal, estatuto que manteve até 1316. Durante este período, dois factos importantes aconteceram: em 1254, D. Paio Peres Correia passou foral; de 1292 é uma inscrição que dá conta da construção da torre de menagem, por patrocínio de D. João Fernandes, mestre santiaguista.
O ano de 1292 tem servido para datar genericamente a obra gótica do castelo e deve inserir-se no "processo de autonomização do ramo português da Ordem de Santiago, alcançada e ratificada nos anos de 1288 e 1290" (IDEM, 2001, p.579). Apesar das múltiplas transformações por que passou, é ainda possível reconstituir a sua estrutura básica, reveladora de uma racionalização arquitectónica e espacial característica dos anos do Gótico.
A fortaleza é de planta quadrangular, ligeiramente trapezoidal, com ângulos defendidos por torres. A principal é a Torre de Menagem, que se eleva a quase 30 metros de altura. A sua implantação na face mais desnivelada do conjunto, obrigou a que o primeiro piso fosse "um robusto e elevado embasamento" (IDEM, p.580), sobre o qual se elevam dois andares: o primeiro, com acesso a partir do adarve, pela porta gótica sobrepujada pela inscrição de 1292, tem tecto de cruzaria de ogivas de oito tramos, possuía lareira e era iluminado por três frestas; o andar superior, muito transformado, deveria ter servido de residência, mas não restam vestígios dessa função. No extremo ocidental, situava-se a Torre da Carocha que, como o nome indica, terá desempenhado funções de prisão (IDEM, p.583). A entrada, voltada à vila, era feita por um corredor em cotovelo, com duas portas, e era defendida por torreões circulares.
Sem grandes alterações nos séculos seguintes (à excepção da casa do alcaide, edificada nos finais do século XV e que ocupou toda a muralha Norte), o castelo perdeu a sua função estratégica no século XVIII e entrou em decadência, travada apenas pelo restauro de 1948-50 e pelas mais recentes iniciativas de reconversão museológica.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 38 147, DG, I Série, n.º 4, de 5-01-1951 (revogou a anterior classificação e classificou como MN) (ver Decreto)
Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (classificou como IIP) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 16-01-1970, publicada no DG, II Série, n.º 37, de 13-02-1970 (sem restrições) (ZEP do castelo e Igreja matriz de Mértola)
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Beja / Mértola / Mértola
- na parte antiga da vila
Mértola -
Polícia:
LATITUDE
37.638042
LONGITUDE
-7.664506
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1031
1031), época de maior centralização estatal e de notáveis avanços no domínio da guerra por parte do Islão peninsular....
1044
1044.
1238
1238, altura em que conquistaram Mértola (BOIÇA e BARROS, 2001, p.579, contra opinião de TORRES e outros, 1991, p.17). A
1254
1254, D.
1288
1288 e 1290" (IDEM, 2001, p.579).
1290
1290" (IDEM, 2001, p.579).
1292
1292 é uma inscrição que dá conta da construção da torre de menagem, por patrocínio de D. João F
1316
1316.
1943
1943 (classificou como IIP) (ver Decreto) Desde as origens que Mértola teve importantes condições de defesa, implanta...
1948
1948-50 e pelas mais recentes iniciativas de reconversão museológica.PAF
1951
1951 (revogou a anterior classificação e classificou como MN) (ver Decreto)Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, d...
1991
1991, p.13), só no século IX encontramos as primeiras notícias documentais acerca da relevância militar da cidade, nu...
2001
2001, p.579, contra opinião de TORRES e outros, 1991, p.17).
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IMAGENS
28
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses ALMEIDA, João de Edição 1948 Lisboa
O Livro das Fortalezas de Duarte Darmas (edição anotada) ALMEIDA, João de Edição 1943 Lisboa
"Alimentação de origem animal em regime islâmico - Alcaria Longa e Casa II da Alcáçova de Mértola", Arqueologia Medieval, nº4, pp.267-276 ANTUNES, Miguel Telles Edição 1996 Porto
"As «arrábidas» de Mértola e Juromenha", Anais da Academia Portuguesa de História, 2ª série, vol. 27 GONCALVES, José Pires Edição 1981 Lisboa
"O criptopórtico-cisterna da Alcáçova de Mértola", II Congresso de Arqueologia Medieval, pp.618-626 OLIVEIRA, José Carlos, TORRES, Cláudio Edição 1987 Madrid
Terras da Moura encantada MACIAS, Santiago, TORRES, Cláudio, GOMEZ, Susana Edição 1999
Mértola islâmica - estudo histórico-arqueológico do Bairro da Alcáçova (séculos XII-XIII) MACIAS, Santiago, GONÇALVES, Iria Edição 1996 Mértola
O legado islâmico em Portugal MACIAS, Santiago, TORRES, Cláudio Edição 1998 Lisboa
"A mesquita de Mértola", Mértola. Mesquita \ Igreja Matriz, pp.9-33 MACIAS, Santiago, TORRES, Cláudio Edição 2002 Mértola
IBN Qasi, rei de Mértola e Mahdi luso-muçulmano BORGES, Artur Goulart de Melo Edição 2003 Mértola
Estudo de Arqueobotânica no Castelo de Mértola QUEIROZ, Paula Fernanda, LEEUWAARDEN, Wim Van Edição 2001 Lisboa
Mértola - vila museu TORRES, Cláudio, SILVA, Luís Alves da Edição 1989 Mértola
Museu de Mértola - I - Núcleo do Castelo (Catálogo) TORRES, Cláudio Edição 1991 Mértola
"Mértola. Campo arqueológico", Informação arqueológica, nº1, p.106 TORRES, Cláudio Edição 1994 Lisboa
"Mértola - Alcáçova, 1982", Informação arqueológica, nº5, p.42 TORRES, Cláudio Edição 1985 Lisboa
"Mértola - Alcáçova, 1983", Informação arqueológica, nº5, p.43 TORRES, Cláudio Edição 1985 Lisboa
"Campo arqueológico de Mértola", Informação arqueológica, nº7, pp.15-16 TORRES, Cláudio Edição 1986 Lisboa
"Alcáçova de Mértola. História e arqueologia urbana", Arqueologia, nº6, pp.86-95 TORRES, Cláudio Edição 1982 Porto
Mertole almoravide et almohade TORRES, Cláudio Edição 1988 Marrocos
Castelos de Portugal MATTOSO, José Edição 1988 Lisboa
Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal GIL, Júlio, CABRITA, Augusto Edição 1986 Lisboa
"O Castelo de Mértola - estrutura e organização espacial (Sécs. XIII a XVI )" in Actas do Simpósio Internacional sobre Castelos BARROS, Maria de Fátima Rombouts, BOIÇA, Joaquim Manuel Ferreira Edição 2000 Palmela
As Comendas de Mértola e Alcaria Ruiva. As Visitações e os Tombos da Ordem de Santiago (1482-1607) BARROS, Maria de Fátima Rombouts, BOIÇA, Joaquim Manuel Ferreira Edição 1996 Mértola
"Estudo do armamento islâmico procedente da escavação na encosta do castelo e na alcáçova de Mértola", Arqueologia Medieval, nº6, pp.123-132 RAFAEL, Lígia Edição 1999 Porto
À descoberta de Mértola. Os caminhos do tempo e da terra OLIVEIRA, Rosário, REVEZ, Jorge, ABRANCHES, Filipe, TORRES, Nádia, PALMA, Odete, AIVECA, Gabriela Edição 1993 Mértola
"As casas do Alcaide-Mor de Mértola no início do século XVI", Bracara Augusta, vol. 31, separata SANTOS, Vítor dos Pavão Edição 1977 Braga
Subsídios para o Património HIstórico e Cultural do concelho de Mértola ELIAS, Mário Edição 1997 Mértola
Mértola Edição 1997 Mértola

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Igreja matriz de Mértola
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Ponte de Mértola
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Cerro do Castelo de Santa Justa
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