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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Trechos da Igreja de Paderne

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Trechos da Igreja de Paderne
Outras Designações
Trechos da Igreja de São Salvador de Paderne / Igreja e Convento de Paderne / Igreja Paroquial de Paderne / Igreja do Divino Salvador (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A história da igreja românica de Paderne é particularmente complexa, em especial a que se relaciona com as suas origens. Na primeira metade do século XII, o local foi sede de um mosteiro feminino, comunidade a que D. Afonso Henriques passou carta de couto (1141), em agradecimento pelo auxílio das monjas na tomada do castelo de Castro Laboreiro. Outras fontes asseguram que o primitivo cenóbio foi sagrado em 1130 (cf. ALVES, 1982, p.124), mas a verdade é que pouco ou nada sabemos acerca dessa primeira instalação.
Dois elementos em calcário - um fragmento de friso e um capitel - (que claramente nada têm que ver com a construção em granito do século XIII), parecem ser os únicos vestígios da igreja do século XII. Este último é especialmente importante, uma vez que se trata do único capitel historiado do conjunto. Representando a Descida de Cristo aos limbos, onde resgata um homem da boca de um monstro (RODRIGUES, 1995, p.194), seria "provavelmente a escultura mais representativa" dessa igreja, cuja relevância simbólica e artística fez com que fosse reaproveitado, em lugar de destaque, na construção do século XIII: o "ângulo nordeste do cruzeiro" (REAL e ALMEIDA, 1990, p.1487).
Se as origens de Paderne são, assim, uma enorme incógnita - existindo mesmo autores que negam a existência de vestígios materiais do século XII (ROSAS, 1987, vol.1, pp.55-57; ALMEIDA, 2001, p.89) -, o processo de transferência do mosteiro para as mãos dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho é igualmente enigmático. Sabemos que eles já habitavam o local em 1225 e que, anos mais tarde, a comunidade era orientada pelo prior D. João Pires, homem a quem se atribui um papel importante na construção da igreja que actualmente existe. Com efeito, foi no seu tempo que se concluíram as obras e se sagrou do novo templo, cerimónia que teve lugar em 1264, conforme inscrição colocada à esquerda do portal principal (BARROCA, 2000, p.920).
De um ponto de vista planimétrico, a solução empregue neste mosteiro é única entre nós, na medida em que, a uma cabeceira tripartida, quadrangular, corresponde apenas uma nave, relativamente curta; paralelamente, a noção de espaço longitudinal é quebrada pela existência de um desenvolvido transepto, cujo braço Norte integra um portal virado a poente. Praticamente todos os autores que se dedicaram a este conjunto manifestaram a sua estranheza quanto à existência deste portal e quanto às suas grandes dimensões. A semelhança desta opção para com a de outros mosteiros galegos foi já notada, mas a sua funcionalidade permanece por explicar. A hipótese mais consensual é a que o relaciona com um conteúdo funerário, pois diante de si, inscrita na parede virada para este recanto, existe a única inscrição funerária medieval do conjunto, identificadora de um enigmático R. Garcia, com grande probabilidade o mestre responsável pela reforma da igreja (ALMEIDA, 1986, p.55).
Do final dessa campanha data o portal principal, uma obra considerada já proto-gótica e realizada sob a distante influência da arte de Mestre Mateo de Compostela (ROSAS, 1987, p.58). Este facto, a par das características dominantes da escultura do interior - realizada à base de uma "decoração vegetal simplificada e pouco volumosa" (ALMEIDA, 2001, p.89) -, provam a construção tardia do monumento e o seu afastamento estilístico em relação ao rico foco de influência galega (em particular tudense) da segunda metade do século XII e primeiros anos do XIII, que tão bem caracteriza as igrejas de Ganfei, Longos Vales e Friestas.
Ao longo dos séculos, foram escassas as alterações por que o conjunto passou. A principal reforma aconteceu no século XVIII, numa empreitada modesta que pretendeu actualizar esteticamente o interior do templo, através da colocação de um retábulo-mor, de painéis de azulejos e de um órgão. No século XX, as diversas fases de restauro incidiram mais sobre os telhados e os pavimentos, sem alterarem significativamente a estrutura original medieval.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9823125
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Melgaço / Paderne
Lugar do Convento
Paderne -
Polícia:
LATITUDE
42.08966
LONGITUDE
-8.273944
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1130
1130 (cf.
1141
1141), em agradecimento pelo auxílio das monjas na tomada do castelo de Castro Laboreiro.
1225
1225 e que, anos mais tarde, a comunidade era orientada pelo prior D.
1264
1264, conforme inscrição colocada à esquerda do portal principal (BARROCA, 2000, p.920).De um ponto de vista planimét...
1487
1487).Se as origens de Paderne são, assim, uma enorme incógnita - existindo mesmo autores que negam a existência de v...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) A história da igreja românica de Paderne é particularmente complexa, e...
1982
1982, p.124), mas a verdade é que pouco ou nada sabemos acerca dessa primeira instalação.Dois elementos em calcário -...
1986
1986, p.55).Do final dessa campanha data o portal principal, uma obra considerada já proto-gótica e realizada sob a d...
1987
1987, vol.1, pp.55-57; ALMEIDA, 2001, p.89) -, o processo de transferência do mosteiro para as mãos dos Cónegos Regra...
1990
1990, p.1487).Se as origens de Paderne são, assim, uma enorme incógnita - existindo mesmo autores que negam a existên...
1995
1995, p.194), seria "provavelmente a escultura mais representativa" dessa igreja, cuja relevância simbólica e artísti...
2000
2000, p.920).De um ponto de vista planimétrico, a solução empregue neste mosteiro é única entre nós, na medida em que...
2001
2001, p.89) -, o processo de transferência do mosteiro para as mãos dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho é igualm...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Influências da Galiza na arte românica portuguesa", Actas das II Jornadas luso-espanholas de História Medieval, vol. IV, pp.1483-1526 REAL, Manuel Luís, ALMEIDA, Maria José Perez Homem de Edição 1990 Porto
"La sculpture figurative dans l'art roman du Portugal", Portugal roman, vol. I, pp.33-75 REAL, Manuel Luís Edição 1986
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
"Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa", Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1972 Porto
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
"O cartório e a livraria do Mosteiro de Paderne em 1770", Boletim Cultural de Melgaço, nº1, pp.9-92 MARQUES, José Edição 2002 Melgaço
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
"Mosteiro de São Salvador de Paderne: Alto Minho", separata de Theologica, nº2 PINTOR, Manuel Bernardo Edição 1957 Braga
"Os azulejos do Mosteiro de Paderne, um revestimento integrado num monumento românico", Monumentos PINTO. Luís de Magalhães Fernandes Edição Lisboa
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
O Minho Pittoresco VIEIRA, José Augusto Edição 1887 Lisboa
"A igreja da Senhora da Ourada", Boletim da Academia Nacional de Belas Artes, nº8, pp.21-28, republ. Dispersos, 1980, pp.280-285 MONTEIRO, Manuel Edição 1941 Lisboa
Portugal roman, vol. II GRAF, Gerhard N. Edição 1986
A escultura românica das igrejas da margem esquerda do Rio Minho, 2 vols. ROSAS, Lúcia Maria Cardoso Edição 1987 Porto
"Igrejas e capelas românicas da Ribeira Minho", Caminiana, ano IV, nº6, pp.105-152 ALVES, Lourenço Edição 1982 Caminha
Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols. ALVES, Lourenço Edição 1987 Viana do Castelo
"O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção", Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80 ALVES, Lourenço Edição 1987 Caminha
"Afonso Henriques e a fronteira noroeste: contornos de uma estratégia" (1996), A construção medieval do território, pp.75-86 ANDRADE, Amélia Aguiar Edição 2001 Lisboa

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