Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Edificado no topo da povoação que lhe dá nome, sobranceiro a um vale entre as ribeiras de Alcaide e de Lucefécit, o castelo de Terena é uma fortaleza cuja planta se desenvolve num pentágono irregular a que se associam quatro torres circulares, dispostas assimetricamente, das quais apenas uma protege um ângulo da muralha.
A torre de menagem, de planta quadrangular dividida em dois pisos, localiza-se a meio de um dos panos da cerca e implanta-se sobre a porta principal, protegendo-a por meio de pequena barbacã dominante dotada de adarve e terraço ameado. A entrada principal, em cotovelo, é acedida por dois amplos arcos de volta perfeita, com impostas marcadas e decoradas com bolas e entrelaçados. No lado oposto à entrada situa-se a Porta do Campo, também designada por Porta do Sol, que, apesar de ter sido entaipada no século XVII, mantém a estrutura original de arco apontado, ladeada por dois torreões circulares, numa estrutura simétrica de gosto gótico.
História
Embora se desconheça a data exata de construção do Castelo de Terena, a análise das suas características morfológicas e dos indícios documentais aponta para que a sua fundação remonte ao reinado de D. Afonso IV, "altura em que se terá erguido a maior parte da sua estrutura fortificada. A sua construção terá sido entretanto suspensa (talvez devido a dificuldades económicas), tendo recebido mais tarde um derradeiro fôlego quando, em 1380, D. Fernando determinou a conclusão da barbacã e do fosso" (Barroca: 2006, p. 49).
Em 1482, D. João II nomeou Nuno Martins da Silveira como alcaide e, nas primeiras décadas do século XVI, o reduto foi objeto de uma ampla campanha de obras, que deixou marcas visíveis na estrutura. Efetivamente, data do início de Quinhentos uma parte substancial da estrutura da fortaleza que chegou até ao presente, atribuindo-se a Francisco de Arruda a responsabilidade pela obra; o arquiteto terá laborado em Terena cerca de 1514, sendo responsável pela alteração da entrada principal e da própria torre, dotando-a de um interior apalaçado.
Durante as Guerras da Restauração, e ao contrário do que sucedeu com tantas fortificações de fronteira, esta fortaleza não foi beneficiada pela Coroa, que envidou todos os esforços financeiros e de engenharia na Praça de Elvas. Terena seria contemplada, apenas, com o reforço de uma pequena parte da estrutura, nomeadamente a Porta das Sortidas, ou do Campo, pelo que em 1652 o castelo foi ocupado pelas tropas castelhanas.
Os séculos seguintes determinaram um progressivo abandono da fortificação, registando-se alguns estragos provocados pelo terramoto de 1755.
A consolidação da estrutura chegou apenas no século XX, por intermédio da DGEMN, que aqui efetuou uma primeira campanha de obras em 1937, incluindo a reconstrução de um pano de muralha e a reinvenção de ameias. Alguns anos depois, em 1946, o Castelo de Terena era classificado como monumento nacional.
Na década de 80, realizaram-se diversos trabalhos na torre de menagem, de que importa destacar a reconstrução de abóbadas e uma série de adulterações aos elementos originais.
Paulo Almeida Fernandes (2005) e Catarina Oliveira
DGPC, 2018
Diploma de Classificação
Decreto n.º 35 443, DG, I Série, n.º 1, de 2-01-1946 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível