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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Casa da Rua da Alfândega Velha

Arquitectura Civil / Casa

Designação
Designação Atual
Casa da Rua da Alfândega Velha
Outras Designações
Tipologia
Casa
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Em 1120 o casario junto à Sé do Porto, juntamente com várias isenções e propriedades anexas, foi doado por D. Teresa ao bispado da diocese, separada cinco anos antes da metrópole bracarense. O burgo portuense pertencia desde então à Mitra, que dominava igualmente o comércio marítimo e fluvial em torno da movimentada zona ribeirinha. Ao longo do século XIII, a Coroa manifestaria uma tendência natural para, em marcada oposição ao Bispado, assumir o rendoso senhorio aduaneiro do Porto, começando pela tentativa de instalar infra-estruturas régias em áreas limítrofes dos domínios eclesiásticos - caso de Vila Nova de Gaia, a partir de 1255, ou, já no século XIV, em casas junto à ermida de São Nicolau, perto da Fonte Taurina, então Fonte Aurina. E é justamente na sequência deste movimento que D Afonso IV manda erguer, em 1354, uma imponente casa da Alfândega, na margem direita do Douro, onde funcionaria também a Casa da Moeda, já laborando no reinado de D. Fernando, embora apenas em 1406 D. João I tenha ordenado o acrescentamento do anexo a esta destinado.
Os estudos recentes e as escavações arqueológicas realizadas no complexo alfandegário revelam uma estrutura primitiva constituída por dois torreões unidos através de um pátio central, claro modelo medieval de edifício urbano de "prestígio" (REAL, GOMES, TEIXEIRA, 1992) entretanto radicalmente alterado por obras de ampliação sucessivas desde o século XV. Para além de alfândega e armazém de mercadorias, o edifício serviria ainda para albergar os funcionários régios, e possivelmente também o rei e a família real durante as suas estadias no burgo, inclusivamente por ser este o primeiro imóvel régio do Porto, e o mais importante prédio civil, permanecendo durante a época medieval como símbolo da afirmação do poder real na cidade. A descoberta da zona habitacional parece confirmar a tradição segundo a qual nesta casa terá nascido, em 1394, o Infante D. Henrique, donde a designação de Casa do Infante.
O "almazém" régio foi ampliado no século XV, devido ao crescimento do comércio marítimo na cidade, que continuaria a acentuar-se ao longo dos séculos seguintes. Em 1656 foram realizadas obras das quais pouco se conhece, e a partir de 1677, por ordem de D. Pedro II e execução do marquês da Fronteira, vedor da Fazenda, a Casa da Alfândega foi praticamente reedificada. Manteve-se o pátio interior, mas as torres quatrocentistas foram substituídas por alpendres cobertos, e a cota dos novos pavimentos foi uniformizada. Os armazéns interiores foram unidos num espaço organizado em três naves com arcarias, e a fachada principal, que em 1462 já avançara em direcção à rua, recebeu mais dois pisos, passando a dominar de forma ainda mais marcante o espaço público. Neste corpo principal funcionavam então os serviços deslocados das torres, e aí foi construída uma larga escadaria central de acesso à zona de habitação do segundo piso.
Até finais do século XIX não foram realizadas obras de grande significado, embora se tenham aberto portas de ligação com um edifício contíguo, para ampliar os serviços. Com a construção da nova Alfândega em Miragaia, em funcionamento a partir de 1869, as antigas instalações foram progressivamente abandonadas, e o corpo posterior foi arrendado. Já em meados do século XX, cessado o arrendamento, o conjunto sofreu importantes obras de conservação; as escavações arqueológicas em curso a partir de 1991 permitiram identificar, para além das estruturas medievais, também os vestígios de uma grande construção romana, com pavimentos em mosaico, datável do Baixo-Império. As mesmas escavações permitiram conhecer o mestre arquitecto das obras medievais, João Eanes Melacho, cujo nome consta de uma inscrição quatrocentista num cunhal do edifício. Actualmente, funcionam aí os serviços do Arquivo Histórico Municipal. Destacam-se o escudo de armas de D. João I, no nº 47, e o portal setecentista da entrada da Rua do Infante D. Henrique, no nº 53. Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR, IP
Diploma de Classificação
Decreto n.º 9 888, DG, I Série, n.º 146, de 2-07-1924 (ver Decreto)
Número do Processo
Rua da Alfândega e Rua do Infante, Nº 47 a 53
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 9-01-1960, publicada no DG, II Série, n.º 27, de 2-02-1960 (com ZNA)
Afectação 12737527
Localização
Porto / Porto / Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
Rua da Alfândega
Porto -
Polícia:
Rua Infante D. Henrique
Porto -
Polícia: 47-53
LATITUDE
41.140738
LONGITUDE
-8.614561
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1120
1120 o casario junto à Sé do Porto, juntamente com várias isenções e propriedades anexas, foi doado por D. Tere
1255
1255, ou, já no século XIV, em casas junto à ermida de São Nicolau, perto da Fonte Taurina, então Fonte Aurina. E é
1354
1354, uma imponente casa da Alfândega, na margem direita do Douro, onde funcionaria também a Casa da Moeda, já labora...
1394
1394, o Infante D.
1406
1406 D.
1462
1462 já avançara em direcção à rua, recebeu mais dois pisos, passando a dominar de forma ainda mais marcante o espaço...
1656
1656 foram realizadas obras das quais pouco se conhece, e a partir de 1677, por ordem de D.
1677
1677, por ordem de D.
1869
1869, as antigas instalações foram progressivamente abandonadas, e o corpo posterior foi arrendado. J
1924
1924 (ver Decreto) Em 1120 o casario junto à Sé do Porto, juntamente com várias isenções e propriedades anexas, foi d...
1991
1991 permitiram identificar, para além das estruturas medievais, também os vestígios de uma grande construção romana,...
1992
1992) entretanto radicalmente alterado por obras de ampliação sucessivas desde o século XV. Pa
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Casa do Infante. Uma história a refazer", Oceanos, nº 12, Lisboa, Novembro de 1992, pp. 17 - 22 REAL, Manuel Luís, GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes Edição 1992 Lisboa
A Tradicional Casa do Infante, Catálogo da Exposição Henrique, O Navegador, Porto, 1994, p. 135 - 196 REAL, Manuel Luís, GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes Edição 1994 Porto
Intervenção Arqueológica na Casa do Infante (Porto). Avaliação do Projecto em Dezembro de 1994, 1º Congresso de Arqueologia Peninsular, Actas VII, Trabalhos de Antropologia e Etnologia, vol. 35 (3), Porto, 1995 REAL, Manuel Luís, GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes, MELO, Maria do Rosário Edição 1995 Porto
"O centro de serviços da coroa na cidade do Porto", Henrique, o Navegador, pp.137-149 REAL, Manuel Luís Edição 1994 Porto
"Sobre o local de nascimento do Infante D. Henrique", Henrique, o Navegador, pp.161-168 REAL, Manuel Luís Edição 1994 Porto
"O contributo da arqueologia para o estudo da Casa do Infante", Henrique, o Navegador, pp.151-159 GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes, MELO, Maria do Rosário Edição 1994 Porto
"A arqueologia medieval e moderna na região do Porto. Breve balanço e algumas reflexões críticas", Al-Madan GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes, SILVA, António Manuel S. P., RODRIGUES, Miguel Carlos Lopes Brandão Areosa Edição 2000 Almada
"Intervenção arqueológica na Casa do Infante. Dezassete séculos de História na zona ribeirinha do Porto", Al-madan, 2ª sér., nº9, pp.132 e 134 GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes Edição 2000 Almada
Inventário Artístico de Portugal - Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre, Porto e Santarém SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 2000 Lisboa
"A Casa do Infante. Elementos para o estudo da sua reconstituição", Boletim Cultural, 22 (1 - 2), Porto, Março / Junho 1960, pp. 264 - 290 AZEVEDO, Rogério de Edição 1960 Porto
Casa da Rua da Alfândega Velha, Porto, Boletim da DGEMN, Nº 103, Porto, 1961 AZEVEDO, Rogério de Edição 1961 Porto
Porto a Património Mundial - Processo de Candidatura da Cidade do Porto à Classificação pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade LOZA, Rui Ramos Edição 1993
"As obras da Praça da Figueira. O caso do Convento de Cristo e da Casa do Infante", Pedra & Cal, Revista do Grémio das Empresas de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, Nº6, Abril / Maio / Junho 2000 Edição 2002 Lisboa
A alfândega do Porto e o despacho aduaneiro, catálogo de exposição Edição

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