Nota Histórico-Artistica
Limitado pelas Serras do Carvalho, da Cabreira e do Gerês, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Póvoa de Lanhoso está situado em importantes eixos de circulação, nomeadamente dos que ligam Braga a Chaves, através do Gerês, e Braga a Guimarães.
Uma centralidade que mereceu um interesse e uma procura da região desde tempos imorredouros, embora com especial incidência durante a Idade do Ferro e o período romano, e que não mais se desvaneceria dos seus horizontes, antes engrandecendo, à medida que se caminhava para a medievalidade, como testemunham edifícios filiados, por exemplo, no movimento estilístico românico.
É este o caso da "Igreja de Fonte Arcada (Lugar do Mosteiro)" que, na sua origem, integrava o Mosteiro (daí a designação pela qual é também conhecida) de S. Salvador, de frades beneditinos, aqui fundado, em 1067, por D. Godinho Fafes (ou Falifaz), pai do rico-homem e alferes-mor do conde D. Henrique (1057-114), a quem se deveu a edificação e a coutada de Fonte de Arcada, sobre cuja povoação se ergue o templo, implantado num terreiro.
A feição actual da igreja seria, contudo, adquirida mais tarde, entre finais de duzentos, inícios de trezentos, quando os beneditinos enfrentaram longas e aturadas disputas com fidalgos circunvizinhos por direitos e senhorios (GIL, J., 1988, p. 26), até que, em 1450, os privilégios do Mosteiro foram confirmados pelo Rei, cinco anos antes de o Arcebispo de Braga, D. Fernando Guerra (c. 1400-1457) decidir convertê-lo em arcediaconado.
Interiormente coberta por tecto de madeira, a igreja, de cantaria granítica, apresenta um espaço amplo e austero proporcionado pela nave única e cabeceira abobadada flanqueada por colunas com capitéis esculpidos e encimada por uma cornija de arcadas lombardas. A excepção a este ambiente de austeridade residirá na capela-mor, profusamente decorada, com cinco arcadas cegas apoiadas em colunas com capitéis lavrados com diferentes motivos predominantemente vegetalistas (ALMEIDA, J. A. F., 1976, p. 272).
No exterior, o templo exibe um pórtico de três arquivoltas apoiadas em seis colunelos com capitéis lavrados e ábacos salientes, sobrepujando-o uma rosácea, enquanto a torre sineira se encontra adossada ao alçado esquerdo.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível