Nota Histórico-Artistica
A fundação do Hospital e da Confraria da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso é relativamente recente, e deve-se à iniciativa de António Ferreira Lopes, importante personalidade e benemérito desta localidade. Nascido a 14 de Abril de 1845, no Lugar de Oliveira, situado na freguesia de Fontarcada, António Lopes cedo emigrou para o Brasil, onde se tornou sócio da firma em que trabalhava. Regressou, mais tarde, em 1888, a Póvoa do Lanhoso, onde começou por adquirir e recuperar o Palacete das Casas Novas, para sua residência particular. No mesmo largo onde se situa este imóvel, e que hoje tem o seu nome, António Lopes promoveu a construção de outros edifícios que estruturaram esta praça, dedicando-se, ainda, à instituição de diversos organismos de âmbito cultural e social, como o Teatro-Club, a corporação dos Bombeiros Voluntários e o hospital. Este último, e porventura o mais importante, foi instituído em 1913 e inaugurado em 1917, tendo sido inteiramente financiado pelo seu fundador, passando depois a administração para a Misericórdia. Na verdade, esta Confraria foi instituída a 22 de Dezembro de 1928, em cumprimento do testamento de António Lopes que assim assegurava a continuidade do hospital e a respectiva gestão (ASSIS; ENCARNAÇÃO, 01/07/2004).
Edificado entre 1913 e 1917, sob projecto do arquitecto portuense Rogério de Azevedo, o imóvel destaca-se pelos alçados abertos por janelas altas, com bandeira, envoltas por molduras de cantaria, que atingem a sua máxima expressão na zona central, coroada por frontão semicircular, que se eleva bem acima da linha da cornija.
Contudo, a classificação apenas diz respeito à portaria - um amplo vestíbulo de planta rectangular -, cujo eclectismo reflecte bem o gosto da época. É aberto por diversas portas de linhas rectas, altas e com bandeira, e decoradas por vidros de vários tons. O pavimento é de mosaico, e o tecto é pintado. Nas paredes, o revestimento azulejar de padrão geométrico no silhar e na sanca, enquadra os painéis figurativos, polícromos, que retratam a vida local, com apontamentos etnográficos de grande interesse, da autoria de Jorge Colaço (SANTOS, 1990, p. 63). O mobiliário é, também, da época, revelando um gosto ecléctico, comum ao restante espaço.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 8/83, DR, I Série, n.º 19, de 24-01-1983 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível