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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Lourosa

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Lourosa
Outras Designações
Igreja de São Pedro de Lourosa / Igreja de São Pedro, matriz de Lourosa / Igreja Paroquial de Lourosa / Igreja de São Pedro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja de São Pedro de Lourosa tem sido um dos mais incompreendidos monumentos pré-românicos em território nacional. Depois de, na primeira metade do século XX, ter sido objecto de variadíssimos estudos e referências em obras de síntese, tanto portuguesas, como espanholas, e de, mais importante, ter contado com três distintos projectos de restauro, as últimas décadas acentuaram os pretensos provincianismo, ruralidade e pouca relevância estilística da obra, percurso historiográfico descendente que, na verdade, está bem longe de corresponder à realidade.
São Pedro de Lourosa é um dos mais importantes monumentos peninsulares do século X (datado epigraficamente de 912), e o facto de ter sido construído numa área teoricamente periférica (distante dos dois grandes centros civilizacionais da altura, León e Córdoba) não deve constituir indicador de menor importância.
São vários os pontos de interesse desta igreja. A sua planta (ou o que podemos reconstituir do seu plano original) é uma derivação extremamente fiel dos modelos áulicos asturianos do século IX, com narthex (possivelmente de compartimento único correspondendo apenas ao prolongamento da nave central), corpo de três naves, separadas entre si por arcarias triplas de arco em ferradura, nave transversal com cruzeiro dominante, este separado da nave central por uma desaparecida eikonostasis (de que restam ainda os vestígios do suporte), e cabeceira presumivelmente tripartida, embora seja impossível definir, com exactidão, o traçado fundacional desta parte do templo.
Este vínculo ao mundo asturiano (de que Lourosa é um dos últimos capítulos artísticos), é reforçado por outros elementos artísticos, como a presença de modilhões de rolos (relacionáveis com os que suportam os telhados da igreja ovetense de San Julián de los Prados), um medalhão circular de decoração geométrica, o aximez moldurado que decora o alçado ocidental da nave central e, principalmente, um altar decorado com a típica cruz asturiana, peça resgatada aquando dos trabalhos de restauro mas que, posteriormente, veio também a desaparecer.
Outro ponto de interesse é a sua organização em altura, nomeadamente com a existência de uma torre sobre o cruzeiro, possivelmente com tecto interior de madeira e telhado de quatro águas, e ornamentada com um friso de arcos cegos que integraria um aximez axial (REAL, 1995), solução praticamente idêntica à que vemos em São Frutuoso de Montélios, onde ainda existem os arcos, mas cujo friso integral, descoberto aquando do restauro, nunca chegou a ser reconstruído. Embora estas torres existam no mundo cristão asturiano, os seus paralelos mais imediatos situam-se na arquitectura islâmica peninsular, confirmando-se, por esta via, a contaminação de elementos andaluzes na arquitectura do Norte cristão na viragem para o século X.
Finalmente, Lourosa evidencia-se ainda pelo seu ar classicizante, uma opção estética que, ao contrário do que tem sido repetido, não resulta unicamente da reutilização de materiais provenientes da antiga cidade romana de Bobadela. Pelo contrário, na obra do século X refizeram-se muitos materiais (aduelas almofadadas, frisos canelados, portas com lintel recto e arco de descarga de volta perfeita, etc.), ao abrigo de uma tendência estilística recuperadora do passado clássico, característica da arquitectura peninsular cristã dos séculos IX a XI e que conta com notáveis exemplos em território português: a controversa mesquita-catedral de Idanha-a-velha, ou as igrejas de Balsemão, Montélios e do Prazo, entre outros.
Profundamente remodelada nos anos 30 do século XX, altura em que Baltazar de Castro refez integralmente a cabeceira e o narthex, Lourosa não é, pois, a modesta construção moçárabe que sucessivos historiadores da arte entenderam (e entendem ainda). Ela é uma obra de vulto, dotada de um programa planimétrico e volumétrico ambicioso, devido, certamente, ao estabelecimento de colonos asturianos na bacia do rio Alva (FERNANDES, 2002).
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 2 445, de 14-06-1916, publicado no DG, I Série, n.º 118,de 14-06-1916 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913929
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Coimbra / Oliveira do Hospital / Lourosa
-- -
Lourosa -
Polícia:
LATITUDE
40.31746
LONGITUDE
-7.931947
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1916
1916, publicado no DG, I Série, n.º 118,de 14-06-1916 (ver Decreto) A igreja de São Pedro de Lourosa tem sido um dos ...
1995
1995), solução praticamente idêntica à que vemos em São Frutuoso de Montélios, onde ainda existem os arcos, mas cujo ...
2002
2002).PAF
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Inventário Artístico de Portugal: distrito de Coimbra GONCALVES, António Nogueira, CORREIA, Vergílio Edição 1952 Lisboa
Estudos de História da Arte medieval GONCALVES, António Nogueira Edição 1980 Coimbra
Terras da Moura encantada MACIAS, Santiago, TORRES, Cláudio, GOMEZ, Susana Edição 1999
O legado islâmico em Portugal MACIAS, Santiago, TORRES, Cláudio Edição 1998 Lisboa
"O convento da Costa (Guimarães): notícia e interpretação de alguns elementos arquitectónicos recentemente aparecidos", Congresso Histórico de Guimarães e sua Colegiada, 1981, vol. 4, pp.461-475 REAL, Manuel Luís Edição 1981 Guimarães
"Inovação e resistência: dados recentes sobre a antiguidade cristã no ocidente peninsular", IV Reunião de Arqueologia Cristã Hispânica (Lisboa, 1992), 1995, pp.17-68 REAL, Manuel Luís Edição 1995
"Portugal: cultura visigoda e cultura moçárabe", Visigodos y Omeyas. Un debate entre la Antiguedad Tardia y la Alta Edad Media, pp.21-75 REAL, Manuel Luís Edição 2000 Madrid
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. 2 (Alta Idade Média) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
Coimbra e Região BORGES, Nelson Correia Edição 1987 Lisboa
Necrópoles e sepulturas medievais de Entre-Douro-e-Minho: séculos V a XV BARROCA, Mário Jorge Edição 1987 Porto
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
"Contribuição para o estudo dos testemunhos pré-românicos de Entre-Douro-e-Minho ajimezes, gelosias e modilhões de rolos", Actas do Congresso Internacional, IX Centenário da Dedicação da Sé de Braga, Vol. I, pp.101-145 BARROCA, Mário Jorge Edição 1990 Braga
A arquitectura pré-românica em Portugal. São Pedro de Balsemão e São Pedro de Lourosa PESSANHA, José Edição 1927 Coimbra
Monumentos e esculturas - séculos III-XVI CORREIA, Vergílio Edição 1924 Lisboa
A igreja de Lourosa da Serra CORREIA, Vergílio Edição 1912 Lisboa
"A vila e a igreja de Lourosa", Excursões no centro de Portugal, pp.25-30 CORREIA, Vergílio Edição 1939 Coimbra
A igreja pré-românica de São Pedro de Lourosa, Dissertação de Mestrado em Arte, Património e Restauro FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2002 Lisboa
A Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2001 Lisboa
"Eclectismo. Classicismo. Regionalismo. Os caminhos da arte cristã no Ocidente peninsular entre Afonso III e al-Mansur", Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (sécs. VIII a XIII), pp.293-310 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2005 Palmela
"Reconstituição, reintegração, restauro: os projectos de intervenção na igreja pré-românica de Lourosa (1929-1934)", Revista Estudos / Património, nº9, pp.150-158 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2006 Lisboa
"Antes e depois da Arqueologia da Arquitectura: um novo ciclo na investigação da Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha", Artis, nº5, pp.49-72 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2006 Lisboa
A igreja de São Pedro de Lourosa BARREIROS, Manuel de Aguiar Edição 1934 Porto
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal LACERDA, Aarão de Edição 1942 Porto
"L'art pre-roman au Portugal", XVI Congrès International d'Histoire de l'Art, pp.125-140 MONTEIRO, Manuel Edição 1949 Lisboa
"Ensaio sobre a architectura romanica em Portugal, IV-VI - Presbyterio de Lourosa", Arte, nº82 (Out. 1911), pp.75-80; nº83 (Nov. 1911), pp.82-88; nº87 (Mar. 1912), pp.25-28 VASCONCELOS, Joaquim de Edição 1912 Porto
A arte romanica em Portugal VASCONCELOS, Joaquim de Edição 1918 Porto
Concelho de Oliveira do Hospital: subsídios para a sua História HALL, Tarquínio Edição 1998 Oliveira do Hospital
Iglesias mozárabes GÓMEZ-MORENO, Manoel Edição 1919 Madrid
A 3ª invasão francesa e as terras do concelho de Oliveira do Hospital CAETANO, Laurindo Marques Edição 1989 Oliveira do Hospital
L'art mozarabe FONTAINE, Jacques Edição 1977 Yonne
Comunas ou Concelhos, 2ªed COELHO, António Borges Edição 1986 Lisboa
"A Sé Catedral da Idanha", Arqueologia Medieval, nº1, pp.169-178 Edição

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