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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Forte de São João Baptista e os arcos que o ligam à ilha Berlenga

Arquitectura Militar / Forte

Designação
Designação Atual
Forte de São João Baptista e os arcos que o ligam à ilha Berlenga
Outras Designações
Forte da Berlenga / Forte de São João Baptista (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Forte
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Forte de São João Baptista, ou Forte da Berlenga, está implantado na Ilha da Berlenga Grande, ao largo da costa de Peniche. A fortaleza foi erigida sobre um ilhéu junto à enseada da ilha e a ela ligado por uma ponte de alvenaria.
A estrutura do forte desenvolve-se como um maciço polígono octogonal irregular, que se adapta à morfologia do ilhéu onde está implantado. O portal principal rasga-se na face virada a noroeste, composto por um vão retangular com frontão de aletas rematado por escudo coroado com lápide no tímpano integrando inscrição. As fachadas viradas a norte e a oeste apresentam-se rasgadas por várias pequenas janelas de moldura redonda, dispostas irregularmente em dois registos. Nas fachadas sul e este, viradas ao mar, foram abertas as canhoeiras, dispostas a intervalos regulares. No interior da praça foram edificadas diversas construções de planta rectangular, no centro do forte e adossadas a dois dos alçados. Adossadas às muralhas exteriores foram edificadas as antigas casamatas e o paiol.
História
A ilha da Berlenga Grande foi ocupada no início do século XVI por uma comunidade de frades jerónimos que aí edificou o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga para auxílio aos náufragos. No entanto os constantes ataques de corso acabaram por afastar os frades do pequeno arquipélago, deixando o cenóbio abandonado.
Em meados do século XVII D. João IV ordenava a edificação de uma fortaleza na ilha, com o objetivo de reforçar a defesa da cidadela de Peniche. Foi então edificado o Forte de São João Baptista, sobre o rochedo junto à enseada.
A documentação indica que em 1642 o Conselho de Guerra mandava ao Conde de Atouguia se deslocasse à ilha com um engenheiro para que fosse desenhada "a fortificação que ali se deveria construir" (CALADO, Mariano: 1991, p. 120). No entanto, o forte só viria a ser desenhado e construído na década seguinte, datando de Maio de 1651 a ordem do rei Restaurador os definitivos estudos para a planimetria e guarnição da fortificação da ilha. O risco do seu projeto final é atribuído a Mateus do Couto, Sobrinho, que foi tal como o seu tio homónimo Arquiteto das Ordens Militares e Engenheiro Régio.
No ano de 1655 "a fortaleza estaria já num avançado estado de construção" já que uma carta do governador da praça de Peniche regista que em Junho desse ano a fortaleza "resistiu a uma pesada tentativa de derrube", indicando-se que no ano seguinte existia na ilha uma guarnição de 29 pessoas (CARTEIRO, Raquel: 2017, p. 40). É, assim, apontado o ano de 1656 como o ano aproximado da conclusão da estrutura do forte.
Em 1666 o Forte da Berlenga foi preponderante para travar o ataque de uma esquadra espanhola que tinha por objetivo raptar a rainha D. Maria Francisca de Sabóia na sua chegada a Portugal, à época do seu casamento com D. Afonso VI. Depois deste ataque este monarca mandou reparar a fortaleza, aumentando o poder de fogo da mesma, como atesta a inscrição na porta de armas.
Durante as Invasões Francesas o forte serviu de base a tropas inglesas, tendo sido posteriormente pilhada pelos franceses. Em 1821 D. João VI ordenava um novo restauro do espaço, mandando reedificar a capela, anos antes queimada pelas tropas napoleónicas. Foi ainda utilizada durante as Guerras Liberais como base das tropas de D. Pedro durante a conquista da fortaleza de Peniche, ocupada por forças miguelistas. Catorze anos depois foi desartilhada.
Em 1938 o Forte das Berlengas foi classificado como monumento nacional, atendendo à sua importância histórica e técnico-arquitetónica. Na década de 1950 a estrutura foi intervencionada pela DGEMN. A obra transformou o espaço da fortaleza numa pousada, que aí funcionou entre 1954 e 1970.
Atualmente o Forte de São João da Berlenga é uma casa-abrigo, sob a gestão da Associação dos Amigos das Berlengas.
Catarina Oliveira
DGPC, 2022
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28 536, DG, I Série, n.º 66, de 22-03-1938 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 10-05-1960, publicada no DG, II Série, n.º 120, de 21-05-1960 (com ZNA)
Afectação 9913829
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Leiria / Peniche / Peniche
Ilha da Berlenga Grande
- -
Polícia:
LATITUDE
39.411263
LONGITUDE
-9.507927
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1642
1642 o Conselho de Guerra mandava ao Conde de Atouguia se deslocasse à ilha com um engenheiro para que fosse desenhad...
1651
1651 a ordem do rei Restaurador os definitivos estudos para a planimetria e guarnição da fortificação da ilha. O r
1655
1655 "a fortaleza estaria já num avançado estado de construção" já que uma carta do governador da praça de Peniche re...
1656
1656 como o ano aproximado da conclusão da estrutura do forte.
1666
1666 o Forte da Berlenga foi preponderante para travar o ataque de uma esquadra espanhola que tinha por objetivo rapt...
1821
1821 D.
1938
1938 (ver Decreto) ImóvelO Forte de São João Baptista, ou Forte da Berlenga, está implantado na Ilha da Berlenga Gran...
1950
1950 a estrutura foi intervencionada pela DGEMN.
1954
1954 e 1970.Atualmente o Forte de São João da Berlenga é uma casa-abrigo, sob a gestão da Associação dos Amigos das B...
1970
1970.Atualmente o Forte de São João da Berlenga é uma casa-abrigo, sob a gestão da Associação dos Amigos das Berlenga...
1991
1991, p.
2017
2017, p.
2022
2022
15
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses ALMEIDA, João de Edição 1948 Lisboa
Sistema defensivo de Peniche. O Forte de São João Batista na Ilha da Berlenga. (tese de mestrado) TÚLIO, Ana Edição 2015 Évora
Forte da Berlenga, Boletim nº 74 DGEMN - Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais Edição 1953 Lisboa
Fortificações da região de Peniche CALADO, Mariano Edição 2000 Almeirim
Peniche na história e na lenda CALADO, Mariano Edição 1991 Peniche
Forte de São João Baptista da Berlenga. Um plano de gestão integrada CARTEIRO, Raquel Diogo Edição 2017 Lisboa

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