Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Forte de São João Baptista, ou Forte da Berlenga, está implantado na Ilha da Berlenga Grande, ao largo da costa de Peniche. A fortaleza foi erigida sobre um ilhéu junto à enseada da ilha e a ela ligado por uma ponte de alvenaria.
A estrutura do forte desenvolve-se como um maciço polígono octogonal irregular, que se adapta à morfologia do ilhéu onde está implantado. O portal principal rasga-se na face virada a noroeste, composto por um vão retangular com frontão de aletas rematado por escudo coroado com lápide no tímpano integrando inscrição. As fachadas viradas a norte e a oeste apresentam-se rasgadas por várias pequenas janelas de moldura redonda, dispostas irregularmente em dois registos. Nas fachadas sul e este, viradas ao mar, foram abertas as canhoeiras, dispostas a intervalos regulares. No interior da praça foram edificadas diversas construções de planta rectangular, no centro do forte e adossadas a dois dos alçados. Adossadas às muralhas exteriores foram edificadas as antigas casamatas e o paiol.
História
A ilha da Berlenga Grande foi ocupada no início do século XVI por uma comunidade de frades jerónimos que aí edificou o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga para auxílio aos náufragos. No entanto os constantes ataques de corso acabaram por afastar os frades do pequeno arquipélago, deixando o cenóbio abandonado.
Em meados do século XVII D. João IV ordenava a edificação de uma fortaleza na ilha, com o objetivo de reforçar a defesa da cidadela de Peniche. Foi então edificado o Forte de São João Baptista, sobre o rochedo junto à enseada.
A documentação indica que em 1642 o Conselho de Guerra mandava ao Conde de Atouguia se deslocasse à ilha com um engenheiro para que fosse desenhada "a fortificação que ali se deveria construir" (CALADO, Mariano: 1991, p. 120). No entanto, o forte só viria a ser desenhado e construído na década seguinte, datando de Maio de 1651 a ordem do rei Restaurador os definitivos estudos para a planimetria e guarnição da fortificação da ilha. O risco do seu projeto final é atribuído a Mateus do Couto, Sobrinho, que foi tal como o seu tio homónimo Arquiteto das Ordens Militares e Engenheiro Régio.
No ano de 1655 "a fortaleza estaria já num avançado estado de construção" já que uma carta do governador da praça de Peniche regista que em Junho desse ano a fortaleza "resistiu a uma pesada tentativa de derrube", indicando-se que no ano seguinte existia na ilha uma guarnição de 29 pessoas (CARTEIRO, Raquel: 2017, p. 40). É, assim, apontado o ano de 1656 como o ano aproximado da conclusão da estrutura do forte.
Em 1666 o Forte da Berlenga foi preponderante para travar o ataque de uma esquadra espanhola que tinha por objetivo raptar a rainha D. Maria Francisca de Sabóia na sua chegada a Portugal, à época do seu casamento com D. Afonso VI. Depois deste ataque este monarca mandou reparar a fortaleza, aumentando o poder de fogo da mesma, como atesta a inscrição na porta de armas.
Durante as Invasões Francesas o forte serviu de base a tropas inglesas, tendo sido posteriormente pilhada pelos franceses. Em 1821 D. João VI ordenava um novo restauro do espaço, mandando reedificar a capela, anos antes queimada pelas tropas napoleónicas. Foi ainda utilizada durante as Guerras Liberais como base das tropas de D. Pedro durante a conquista da fortaleza de Peniche, ocupada por forças miguelistas. Catorze anos depois foi desartilhada.
Em 1938 o Forte das Berlengas foi classificado como monumento nacional, atendendo à sua importância histórica e técnico-arquitetónica. Na década de 1950 a estrutura foi intervencionada pela DGEMN. A obra transformou o espaço da fortaleza numa pousada, que aí funcionou entre 1954 e 1970.
Atualmente o Forte de São João da Berlenga é uma casa-abrigo, sob a gestão da Associação dos Amigos das Berlengas.
Catarina Oliveira
DGPC, 2022
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28 536, DG, I Série, n.º 66, de 22-03-1938 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível