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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Palácio dos Viscondes da Carreira

Arquitectura Civil / Palácio

Designação
Designação Atual
Palácio dos Viscondes da Carreira
Outras Designações
Palácio dos Távoras / Palácio da Carreira / Câmara Municipal de Viana do Castelo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Palácio
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Desde os finais do século XV assistiu-se a um crescimento da malha urbana de Viana da Foz do Lima, derivado das actividades mercantis que ali se desenvolveram no período da expansão marítima. O comércio ultramarino originou na vila minhota um crescimento populacional e económico, pelo que o perímetro urbano ia sendo alargado, quer no sentido paralelo ao rio, em direcção ao mar, quer para a zona montanhosa sobranceira à vila (REIS, A.Matos, 1993).
Junto à igreja matriz foi aberta uma nova praça, o Campo do Forno, onde foram edificados nos primeiros anos do século XVI os Paços do Concelho. A noroeste destes foi fundado o Convento de Sant'Ana cuja construção, iniciada em 1510 (CALDAS, João Vieira, GOMES, Paulo Varela,1990,p.40), originou a abertura de novas ruas para o lado do monte de Santa Luzia. A partir do ano de 1530 foram instituídos pelas famílias nobres de Viana novos morgados, que incluíam os terrenos integrados nesses arruamentos. O quarteirão onde actualmente está edificado o Palácio dos Viscondes de Carreira, ou dos Távoras, pertencia à família Fagundes.
Em 1527 Fernão Brandão, comendador de São João de Cabanas, e a sua mulher, Catarina Fagundes, deram início à edificação de uma casa nobre no topo da rua de Sant'Ana, um palacete manuelino, que nos finais do século XVII passaria a pertencer, por descendência, à família Távora.
Da construção inicial subsistem poucos elementos, desconhecendo-se a tipologia estrutural da casa. Na última década do século XVII os Távoras contrataram o engenheiro Miguel Pinto de Vilalobos para executar uma remodelação do palacete. A obra, executada entre 1691 e 1705 (MOREIRA, Rafael,1986,p.85) teve como objectivo edificar uma nova frontaria lateral, onde foi construída a capela, e reformar a fachada original, dando origem a um dos primeiros exemplos de arquitectura revivalista executados em Portugal (Idem,ibidem).
A fachada principal destaca-se pela harmonia do seu programa decorativo, onde foi feita uma utilização das molduras de janelas e portas de talhe quinhentista, executadas para a edificação original, cujos modelos foram repetidos por Vilalobos em novas molduras dispostas no prolongamento da fachada original. Este "aproveitamento" e "reinvenção" dos elementos originais, uma novidade na arquitectura portuguesa, havia sido na realidade uma proposta já avançada por Sebastiano Serlio, que no Livro Sétimo apresenta um "singular programa para "ristorare case viecchie"" (SOROMENHO, Miguel,1991,p.192).
Através da ordenação dos vãos da fachada, distribuídos simetricamente num ritmo complexo e rigoroso - cujo conjunto forma uma espécie de "espelho", onde a partir do meio, marcado pela disposição do brasão, cada modelo se reflecte no lado precisamente oposto -, Vilalobos vai imprimir um gosto classicista e austero à fachada, que irá subordinar a exuberante decoração manuelina.
A escolha pelos elementos quinhentistas prenderam-se não só com uma questão prática de redução dos custos da edificação como com um "genuíno respeito por um estilo "sancionado" pela História" (Idem,ibidem,p.193).
A fachada lateral do palacete apresenta um programa edificativo que se insere nos modelos de arquitectura civil desenhados por Manuel Vilalobos. De gosto classicista, foi inspirado na austeridade da arquitectura militar e na tratadística maneirista, de onde retira elementos como os frontões que coroam as janelas, e o rusticado que remata lateralmente a fachada. A capela, individualizada no conjunto da fachada e apresentando alguns elementos decorativos de inspiração flamenga, evidencia a importância social dos encomendantes na sociedade vianense (Idem,ibidem,p.190).
Em 1970 o palacete era vendido pela família Távora à Câmara Municipal de Viana do Castelo, que executou diversas obras de adaptação no seu interior. Os Paços do Concelho instalaram-se no edifício em 1972.
Catarina Oliveira
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 12-06-1973, publicada no DG, II Série, n.º 149, de 27-06-1973 (sem restrições) (a legenda da planta refere ZEP da Zona Arqueológica de Viana do Castelo, quando do diploma fixou a ZEP dos Paços Municipais, da Igreja de Santa Cruz (São Domingos), da Misericórdia, do Palácio dos Viscondes da Carreira, do Chafariz da Praça da Rainha, da Casa de João Velho, da Casa de Miguel de Vasconcelos, da Igreja matriz, da Fachada do prédio manuelino na Rua de São Pedro, 28, e do Forte ou Castelo de Santiago)
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Viana do Castelo / Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela
Rua Cândido dos Reis
Viana do Castelo -
Polícia:
LATITUDE
41.694865
LONGITUDE
-8.829749
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1510
1510 (CALDAS, João Vieira, GOMES, Paulo Varela,1990,p.40), originou a abertura de novas ruas para o lado do monte de ...
1527
1527 Fernão Brandão, comendador de São João de Cabanas, e a sua mulher, Catarina Fagundes, deram início à edificação ...
1530
1530 foram instituídos pelas famílias nobres de Viana novos morgados, que incluíam os terrenos integrados nesses arru...
1691
1691 e 1705 (MOREIRA, Rafael,1986,p.85) teve como objectivo edificar uma nova frontaria lateral, onde foi construída ...
1705
1705 (MOREIRA, Rafael,1986,p.85) teve como objectivo edificar uma nova frontaria lateral, onde foi construída a capel...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Desde os finais do século XV assistiu-se a um crescimento da malha urb...
1970
1970 o palacete era vendido pela família Távora à Câmara Municipal de Viana do Castelo, que executou diversas obras d...
1972
1972.
1986
1986,p.85) teve como objectivo edificar uma nova frontaria lateral, onde foi construída a capela, e reformar a fachad...
1990
1990,p.40), originou a abertura de novas ruas para o lado do monte de Santa Luzia.
1991
1991,p.192).Através da ordenação dos vãos da fachada, distribuídos simetricamente num ritmo complexo e rigoroso - cuj...
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1993).Junto à igreja matriz foi aberta uma nova praça, o Campo do Forno, onde foram edificados nos primeiros anos do ...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Manuel Pinto de Vilalobos - da engenharia militar à arquitectura. Dissertação de Mestrado em História da Arte apresentada à Universidade Nova de Lisboa SOROMENHO, Miguel Edição 1991 Lisboa
Viana do Castelo CALDAS, João Vieira, GOMES, Paulo Varela Edição 1990 Lisboa
Os Mais Belos Palácios de Portugal GIL, Júlio Edição 1992 Lisboa
"Do rigor teórico à urgência prática: a arquitectura militar", História da Arte em Portugal, vol. 8 MOREIRA, Rafael Edição 1986 Lisboa
Casas de Viana antiga ALPUIM, Maria Augusta, VASCONCELOS, Maria Emília de Edição 1983 Viana do Castelo

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