Nota Histórico-Artistica
No início do século XVI Viana possuía um chafariz na praça da vila que com o crescimento urbano da vila deixara de ter capacidades para abastecer a população. Desta forma, em 1553 os vereadores da Câmara de Viana decidiram contratar o mestre João Lopes o Velho «para praticar com ele o corrigimento do chafariz desta vila(...) porquanto o dito chafariz está de todo danificado e é necessário fazer-se de novo» (CARTEADO, 1979,p.30). Depois de assinado o contrato, João Lopes iniciou as obras de encanamento que permitiriam levar a água desde o lugar de Povoença até ao centro da vila. Esta fase das obras foi na realidade muito morosa, levando cerca de seis anos a completar toda a rede de canalização. Ainda em 1553, o concelho de Viana fazia uma petição a D. João III afim de obter da Coroa permissão para cobrar fintas à população como parte do financiamento da obra do chafariz. Em Outubro desse ano João Lopes tinha já «a pedra (...) junta para a dita obra» (CARTEADO, 1979,p.33). Três anos depois continuavam as obras de canalização, enquanto parte das peças que compõem a estrutura do chafariz estariam já feitas, pois a coluna que sustenta o conjunto das taças foi gravada com a data da sua execução, 1554. Em 1559, o projecto de edificação do chafariz sofreu uma mudança; em Abril desse ano uma acta da sessão da Câmara revela-nos que o Concelho ordenou «que se desse a obra do chafariz a João Lopes, filho de João Lopes, o Velho» (CARTEADO, 1979,p.34). esta mudança de dorecção das obras ocorreu na sequência da morte do mestre Lopes o Velho. No dia do Corpo de Deus a água chegou pela primeira vez ao chafariz, havendo uma intensificação das obras durante os meses de Verão de 1559, devido ao pedido de celeridade na sua conclusão por parte da edilidade. Apesar desta recomendação, as obras acabariam por se arrastar até ao mês de Dezembro, altura em que a obra ficava definitivamente concluída.
O chafariz do Campo do Forno obedece à linha estrutural utilizada por João Lopes o Velho nos fontanários anteriores: inserida num tanque circular, suporta um conjunto de três taças, que diminuem o seu diâmetro à medida que são colocadas mais acima, decoradas a toda a volta por carrancas de onde jorra a água. No primeiro registo, assente numa escadaria de quatro degraus, o tanque circular é dividido exteriormente em quatro secções iguais com molduras de diversos filetes decoradas por um friso denteado. No centro do tanque, emerso na água, assenta o pilar que suporta todo o conjunto. Sobre este pilar está disposta uma bojuda coluna estriada e decorada com folhagens, cuja base tem gravada a data 1554, inspirada no modelo de "columna monstruosa" apresentado por Diego de Sagredo na sua obra Medidas del Romano. A primeira taça, estriada na base, é rematada a toda a volta por dois frisos, sendo o superior decorado com motivos denteados semelhantes aos do tanque. Seis carrancas, representando figuras humanas, dividem o espaço externo da taça, servindo para escoar a água que corre para o tanque. No centro da taça assenta uma coluna decorada com florões, servindo de suporte à taça seguinte.O segundo vaso tem uma estrutura semelhante à taça anterior, distinguindo-se apenas nos motivos decorativos; aqui a decoração de carrancas foi substituída por quatro cabeças aladas.No centro desta taça assenta outra coluna rematada por quatro carrancas representando monstros grotescos que servem de vazadouro à água que escorre para a taça.O chafariz é rematado por um coruchéu esculpido em relevo com águias e folhagens, inserindo o escudo de Portugal.
Catarina Oliveira
IPPAR/2003
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível