Nota Histórico-Artistica
O paço dos bispos de Coimbra foi edificado na Alta da cidade, no local onde em meados do século I as autoridades romanas edificaram o forum de Aeminium. No entanto, depois da invasão germânica do século V este espaço público romano ficou abandonado, só voltando a haver notícias dele em finais do século XI.
Data de 1083 um documento que menciona a primitiva igreja de São João de Almedina, da qual subsistem os vestígio de um claustro pré-românico. Entre 1128 e 1131 o bispo D. Bernardo mandou construir a nova igreja de São João, que serviu de capela episcopal até aos finais da centúria de Seiscentos. Terá sido nesta época que se edificaram as primeiras estruturas do paço dos bispos, que a partir dos finais do século XII passou a ser delimitado por uma cerca, que integrava também o pátio da residência.
Nas últimas décadas do século XVI D. Afonso de Castelo Branco ordenou diversas obras no edifício, nomeadamente a remodelação de parte da estrutura (a ala sul), a execução de um pórtico de gosto classicista e a construção de uma magnífica loggia que une os dois corpos laterais, cuja traça se atribui a Filipe Terzi.
Entre 1684 e 1704 foi realizada outra grande obra no paço, a reconstrução da igreja, segundo uma nova orientação da estrutura que permitiu que a entrada no templo passasse a ser feita a partir da rua, ao contrário do que até então sucedia.
Manteve-se a disposição dos edifícios, três corpos amplos edificados em torno de um pátio central, unificados no topo pela varanda quinhentista, aos quais se encontra adossada, na extremidade oposta, a igreja.
No século XIX, um dos blocos do paço episcopal foi renovado pelo engenheiro Adolfo Loureiro, que lhe conferiu um programa de gosto neo-manuelino. No entanto, estas últimas modificações não evitaram uma progressiva degradação do edifício, e no final da centúria o bispo D. Manuel de Bastos Pina deixou de habitar o espaço.
A 10 de Fevereiro de 1912 o Paço Episcopal foi cedido à Câmara Municipal de Coimbra para que aí se instalasse um museu. Para esse efeito, foram iniciadas obras no mês seguinte, e em Outubro de 1913 abria ao público o Museu Machado de Castro, com núcleos de arte romana, arquitectura medieval, escultura, pintura, ourivesaria, ou mobiliário. Nos anos seguintes procedeu-se à adaptação da Igreja de São João de Almedina, entretanto secularizada, a espaço museológico, que recebeu a partir de 1923 a secção de arte sacra do museu. Em todo este processo destacou-se a figura de A. Augusto Gonçalves, o seu primeiro director e um dos maiores defensores do espaço museológico conimbricense.
Em 2006, quase um século após a abertura do museu ao público, foram iniciadas grandes obras requalificação do antigo paço, com projecto executado pelos arquitectos Gonçalo Byrne e Nuno Marques, tendo como objectivo remodelar o espaço para que este se adapte ao novo programa museológico, para além da sua ampliação com a edificação de dois novos edifícios.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR/ Abril de 2008
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível